quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Lulinha, ‘Dark Horse’, Banco Master, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Investigações alimentam campanhas, mas só terminam após eleições

Os inquéritos sobre Lulinha, Dark Horse e Banco Master, explorados pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, têm potencial para alimentar a polarização política no País, mas pouca chance de produzir efeitos jurídicos a curto prazo. Segundo autoridades com acesso às investigações, o mais provável é que elas terminem somente após as eleições de outubro.

Enquanto isso, as campanhas serão abastecidas por vazamentos e notícias sobre o envolvimento de políticos nos esquemas. O último material que veio à tona beneficia Flávio: mensagens trocadas entre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente conhecido como Lulinha.

A suspeita sobre Marcola provocou a saída dele da campanha de Lula e se insere nas investigações das fraudes no INSS. Para fontes ligadas à apuração, o efeito do vazamento deve ser apenas a perturbação do período eleitoral. A avaliação é de que os votos de Lula e Flávio estão definidos e a margem de mudança nos dois eleitorados é limitada.

A escolha de Flávio pelo deputado alagoano Alfredo Gaspar como vice na chapa mostra que as suspeitas contra o filho de Lula estarão no centro da campanha do filho de Jair. Gaspar foi relator da CPI do INSS e recomendou o indiciamento de Lulinha ao fim dos trabalhos.

Foram abertos três inquéritos no Supremo Tribunal Federal para investigar Lulinha por tráfico de influência no governo. Por outro lado, a principal munição de Lula contra o adversário é a suspeita de que Flávio atuou para injetar dinheiro de Daniel Vorcaro na cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Em outra frente, o caso Banco Master tem camadas suficientes para municiar os dois candidatos. Além das negociações de Flávio com Vorcaro, o inquérito também apontou Jaques Wagner (PT-BA), que era líder do governo no Senado, como beneficiado do esquema.

Na avaliação de ministros e assessores do Supremo, o esperado é que o impacto político seja maior que o jurídico neste ano. Em cada inquérito, quando o relatório da PF estiver pronto, a Procuradoria-Geral da República precisará decidir se apresenta ou não denúncias contra investigados ao STF. A ação penal só será aberta se o tribunal receber essas denúncias. Portanto, se não forem arquivados por falta de provas, os quatro casos devem avançar para 2027.

Mas as campanhas não pouparão os adversários até outubro. O eleitor também não será poupado: ficará no meio do fogo cruzado, em vez de ouvir o debate sério de propostas para o País.

 

 

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