O Estado de S. Paulo
Investigações alimentam campanhas, mas só
terminam após eleições
Os inquéritos sobre Lulinha, Dark Horse e
Banco Master, explorados pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de
Flávio Bolsonaro, têm potencial para alimentar a polarização política no País,
mas pouca chance de produzir efeitos jurídicos a curto prazo. Segundo
autoridades com acesso às investigações, o mais provável é que elas terminem
somente após as eleições de outubro.
Enquanto isso, as campanhas serão abastecidas por vazamentos e notícias sobre o envolvimento de políticos nos esquemas. O último material que veio à tona beneficia Flávio: mensagens trocadas entre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente conhecido como Lulinha.
A suspeita sobre Marcola provocou a saída
dele da campanha de Lula e se insere nas investigações das fraudes no INSS.
Para fontes ligadas à apuração, o efeito do vazamento deve ser apenas a
perturbação do período eleitoral. A avaliação é de que os votos de Lula e
Flávio estão definidos e a margem de mudança nos dois eleitorados é limitada.
A escolha de Flávio pelo deputado alagoano
Alfredo Gaspar como vice na chapa mostra que as suspeitas contra o filho de
Lula estarão no centro da campanha do filho de Jair. Gaspar foi relator da CPI
do INSS e recomendou o indiciamento de Lulinha ao fim dos trabalhos.
Foram abertos três inquéritos no Supremo
Tribunal Federal para investigar Lulinha por tráfico de influência no governo.
Por outro lado, a principal munição de Lula contra o adversário é a suspeita de
que Flávio atuou para injetar dinheiro de Daniel Vorcaro na cinebiografia de
Jair Bolsonaro.
Em outra frente, o caso Banco Master tem
camadas suficientes para municiar os dois candidatos. Além das negociações de
Flávio com Vorcaro, o inquérito também apontou Jaques Wagner (PT-BA), que era
líder do governo no Senado, como beneficiado do esquema.
Na avaliação de ministros e assessores do
Supremo, o esperado é que o impacto político seja maior que o jurídico neste
ano. Em cada inquérito, quando o relatório da PF estiver pronto, a
Procuradoria-Geral da República precisará decidir se apresenta ou não denúncias
contra investigados ao STF. A ação penal só será aberta se o tribunal receber
essas denúncias. Portanto, se não forem arquivados por falta de provas, os
quatro casos devem avançar para 2027.
Mas as campanhas não pouparão os adversários
até outubro. O eleitor também não será poupado: ficará no meio do fogo cruzado,
em vez de ouvir o debate sério de propostas para o País.

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