Folha de S. Paulo
A crise de credibilidade do STF pode cobrar
seu preço em outras instituições
Suspeitas de relações impróprias entre
ministros e Daniel Vorcaro precisam ser investigadas
As suspeitas de relações impróprias entre
ministros do Supremo e o ex-banqueiro Daniel
Vorcaro precisam ser investigadas, inclusive para que se conclua, se for o
caso, que não houve irregularidades. Mas, na sessão em que o STF discutiu como
examinar as suspeitas envolvendo Alexandre
de Moraes e André
Mendonça, os ministros pareceram mais preocupados em administrar a crise do
que em esclarecer as suspeitas.
Há duas semanas, escrevi aqui sobre como a crise do Supremo podia transbordar para a eleição e para o TSE. Agora, outro efeito pode aparecer no Superior Tribunal Militar (STM), que ainda precisa decidir se generais, um almirante e o ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado, perderão as patentes.
Todos foram condenados pelo STF na trama
golpista. A perda das patentes tem forte peso simbólico, mas importa além dos
réus: diz aos quartéis que tentar um golpe não é simples desvio de conduta, mas
ruptura incompatível com o oficialato numa democracia.
Segundo a colunista Eliane Cantanhede, do
Estadão, a tendência inicial era tirar as patentes de todos. Depois, dois
generais passaram a ser poupados, e agora talvez todos. Entre os ministros do
STM, diz ela, circula a pergunta: como aprofundar as punições se a corte que
condenou os réus perdeu a credibilidade?
E há uma conquista recente em jogo. No
terceiro governo Lula, os militares foram afastados do protagonismo político
que haviam assumido nos anos anteriores. Voltaram aos quartéis e deixaram de se
manifestar sobre a vida política do país. É o esperado numa democracia, mas há
bem pouco tempo não era assim. Esvaziar as punições é apagar essa linha.
A pergunta que circula no STM deveria
preocupar o próprio Supremo. Se a crise de uma corte começa a pesar sobre
decisões tomadas por outra, a erosão de credibilidade deixa de ser apenas um
problema de reputação e passa a ter consequências institucionais.
O risco cresce quando parte do eleitorado não
vê problema em governos sem freios. Na última semana, Maria
Hermínia Tavares escreveu nesta Folha que o apoio à democracia voltou a
crescer na América Latina, mas que poucos aderem às regras que limitam quem
governa. Para muita gente, lembrou ela, democracia é eleição: acabada a
apuração, o eleito não deveria se submeter a limites impostos por outros
poderes.
Em entrevista recente ao New York Times, o cientista político Adam
Przeworski lembra que democracia é o sistema em que partidos perdem
eleições, e que saber perder é virtude necessária do democrata. Eu
acrescentaria: saber ganhar também. Quem tenta um golpe depois de perder recusa
as regras; quem imagina que vencer autoriza governar sem freios também.
É justamente porque vencedores e perdedores
precisam se submeter a limites que instituições capazes de fazer valer esses
limites importam. A força de uma corte constitucional não está apenas em dar a
última palavra, mas na autoridade para que essa palavra seja aceita. E essa
autoridade não vem da toga. Depende da confiança de que os ministros também se
submetem às regras que impõem aos demais.
Ministros do Supremo podem escolher não pagar
imediatamente o preço da crise. O problema é que outras instituições já parecem
cobrar a conta.

A farsado julgamento do 8 de janeiro será comprovada , todos serão libertados e vai ser revelada a maior fraude jurídica de todos os tempos no Brasil capitaneada pelo grande corrupto ditador Alexandre de Moraes
ResponderExcluirQue queria aprender Bolsonaro a qualquer custo e intimidar a população, sem esquecer que sobre ordens explícitas do Lula