O Estado de S. Paulo
Tarde demais, nem Flávio nem Lula vão tirar vantagem do filme milionário bancado por Vorcaro
Feito para ser lançado com honras e
estridência durante a campanha eleitoral no Brasil, o filme Dark Horse deixou
de ser garanhão e virou um pangaré, que chegará atrasado para favorecer a
campanha de Flávio Bolsonaro, mas não a tempo, também, de impactar
positivamente a campanha de Lula.
A previsão é de só entrar no circuito nacional depois de conhecido o novo presidente, provavelmente em 2027. Logo, não será instrumento de campanha, para mostrar um Jair Bolsonaro vigoroso, o bolsonarismo vivo e um Flávio pronto para assumir a Presidência.
Apesar de não favorecer Flávio, o filme não
parece ter galope e alcance suficientes para ser usado contra ele na campanha
de Lula, que passa pelo seu pior momento e precisa, não de um “pulo do gato”,
mas de “um salto do Dark Horse” no escuro para recuperar a confiança e a
esperança num quarto mandato.
Edson Fachin demorou a tirar o inquérito das
fake news de Alexandre de Moraes, a anular as decisões de André Mendonça e
Flávio Dino sobre a PF e a marcar o julgamento sobre a investigação ou não de
Moraes. Isso tudo foi adequado para jogar água fria no STF, mas dificilmente
vai reverter o impacto negativo contra Lula.
A decisão de Dino sobre o Dark Horse e a
operação da PF, contra personagens ligados a Flávio e ao filme, também não
vieram a galope. Envolvem o deputado bolsonarista Mário Frias e emendas parlamentares
– logo, dinheiro público –, mas o que há de mais devastador contra Flávio
continua sendo o áudio com Daniel Vorcaro pedindo R$ 130 milhões para o filme
do pai. Numa linguagem da economia, isso já foi precificado no eleitorado.
Lula, portanto, precisa de fatos novos e revelações graves sobre a origem e o
destino dos milhões de Vorcaro para Flávio, que distribuiu por aí. Aí onde?
Para quem? E para o quê? Mas o tempo é crucial para as duas campanhas. O efeito
Dark Horse não vem a cavalo. Com a nova reviravolta
das pesquisas, num momento-chave da eleição, a campanha de Flávio parece não
querer nem corridas de cavalo nem marolas, enquanto a de Lula dá sinais de
estar catatônica. Tudo parece estar contra o ex-favorito e chegar com um atraso
vital, inclusive a decisão de Lula de se “desvincular” de Xandão.
Assim como a retomada do inquérito sobre o
Dark Horse não sugere grandes mudanças no eleitorado, a sanção da isenção das
“blusinhas” já não está na moda e o fim da escala 6x1 ficou para depois das
eleições. Com que armas Lula poderá recuperar o favoritismo? Há um esforço de
última hora para providenciar essas armas, mas não parece convincente. As duas
campanhas sabem disso.

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