O Globo
Caso de suspeitos uniformizados em Piracicaba
lembra manipulação do sequestro de Abilio Diniz
Aconteceu em Piracicaba, cidade do interior
paulista onde Flávio Bolsonaro colheu 63% dos votos no primeiro turno.
Policiais militares prenderam três jovens, incluindo um menor de idade, sob
suspeita de tráfico de drogas. Antes de serem levados à delegacia, os três
foram obrigados a vestir camisetas com o nome de Lula e a estrela do PT.
Parece 1989, mas ocorreu nesta quarta-feira, a quatro dias da eleição presidencial. Testemunhas ouvidas por diferentes órgãos de imprensa denunciaram a armação. De acordo com os relatos, nenhum dos suspeitos vestia roupas ou adereços políticos durante a abordagem. “Um estava todo de cinza, um de moletom azul e boné, e o outro estava de bermuda jeans e camiseta branca”, contou uma entrevistada.
A mãe do adolescente apreendido afirmou que
um dos policiais deu um soco em sua outra filha, de 14 anos. A PM informou em
nota que “os fatos serão analisados através de procedimentos apuratórios
cabíveis”. Pelo histórico do governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas,
convém esperar sentado.
Há 37 anos, o segundo turno entre Lula e
Fernando Collor concorreu pelas manchetes com o sequestro do empresário Abilio
Diniz. Na véspera da eleição, a polícia de São Paulo cercou o cativeiro e disse
ter apreendido material de propaganda do PT. A plantação ganhou o noticiário e
deu o impulso final para a vitória da direita. A vítima do sequestro nunca
comprou a lorota. Até o fim da vida, manteve relações amistosas com o candidato
derrotado.
Na era da comunicação instantânea, as fake
news ganharam alcance e velocidade. Ex-secretário de Tarcísio, o senador eleito
Guilherme Derrite ajudou a amplificar a cascata. Até a tarde de ontem, o vídeo
forjado contava mais de 9 milhões de exibições em seu perfil no Instagram.
“Parabéns aos nossos policiais!”, comentou o aliado Flávio, com uma bandeirinha
do Brasil. Diligente para censurar canais de WhatsApp, o presidente do TSE
ainda não se manifestou sobre o caso.
Numa sociedade aprisionada em bolhas
informacionais, até mentiras toscas, como a de uma gangue uniformizada com as
cores de um partido, são capazes de influenciar o voto. O episódio também
deveria servir de alerta sobre o risco de politização das forças de segurança —
seja pela ação de governos, seja pelo fervor do guarda da esquina. Já aconteceu
no passado recente.

Uma gangue que assalta UNIFORMIZADA... Só um canalha como Derrite pode "acreditar" nisto e dar visibilidade a esta nova MENTIRA!
ResponderExcluirCascata foi do Hadad dizendo que foi perseguido por policiais. Lembra da compra do dossiê dos aloprados na véspera da eleição. E o caso Celso Daniel o gov era do picolé de chuchu que não esclareceu o fato e lula também não se empenhou nesse sentido. Luiz Roberto
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