O Globo
Alunos de Direito da UFF iniciaram
mobilização de rua que tomou o país e ajudou a barrar a volta do bolsonarismo
Quando os historiadores do futuro forem
narrar a virada eleitoral de 2026, um capítulo terá que ser dedicado ao levante
dos estudantes. Eles começaram a sair da toca em Niterói, na noite chuvosa de
segunda-feira que se seguiu ao primeiro turno.
Alarmados com a votação do candidato da extrema direita, alunos da Universidade Federal Fluminense convocaram um ato público diante da Faculdade de Direito. O espaço ficou pequeno, e a turma resolveu sair em passeata rumo à Praia de Icaraí.
“Estávamos todos chocados com o resultado”,
conta Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga.
“Terminamos a apuração em estado de desespero, mas não podíamos deixar esse
sentimento nos paralisar”, justifica.
A chuva engrossou, mas o cortejo ganhou a
adesão de estudantes de outros cursos e de moradores que desciam dos prédios
para se juntar aos jovens. “Uma das cenas mais bonitas que vi foi a de uma
senhora de bengala. Ela disse, chorando, que a minha geração precisava defender
a democracia”, lembra Valentina, que tem 19 anos e não é filiada a nenhum
partido.
Como nem tudo são flores, bolsonaristas
arremessaram ovos e papel higiênico molhado contra a garotada. Ninguém se
machucou, e a marcha se estendeu até o fim da noite.
Os jovens ainda estavam na luta quando as
imagens da passeata começaram a correr as redes sociais. “Quando abri o
celular, o ato já tinha viralizado. Recebi uma enxurrada de mensagens e de
vídeos filmados das ruas e das janelas. Até meus amigos da Bahia estavam
repostando, sem saber que eu estava lá”, diz a diretora do centro acadêmico,
que nasceu em Porto Seguro e se matriculou na UFF pelo Sistema de Seleção
Unificada (Sisu).
No dia seguinte, novas mobilizaçõ contra o
bolsonarismo pipocaram em todo o país. Na quarta-feira, universitários e
secundaristas se concentraram na Candelária, fecharam a Avenida Presidente
Vargas e desceram a Rio Branco, cenário das grandes manifestações estudantis de
1968.
O ato não foi convocado pela campanha, mas
atraiu ambulantes munidos de broches, bonés e camisetas com o nome de Lula. Era
um sinal de que o Rio, antes dominado pelo bolsonarismo, ensaiava uma guinada à
esquerda no segundo turno.
Nos últimos dias, o noticiário destacou a
atuação do deputado André Janones, que se impôs à burocracia petista e comandou
a reação nas redes. O esforço digital foi importante, mas não resolveria a
parada sem a garra dos jovens que tomaram as ruas e estimularam eleitores de
todas as idades a votarem contra a volta do bolsonarismo.
No ato que deu início ao movimento, os
estudantes de Niterói desfraldaram uma bandeira laranja e preta com a inscrição
“Direito UFF — Antifascista”. O estandarte ficou famoso em 2018, quando chegou
a ser recolhido por ordem de uma juíza eleitoral. Embora não citasse nomes, foi
considerado “propaganda negativa” contra o candidato que defendia a ditadura.
A ministra Cármen Lúcia derrubou a censura,
em decisão referendada por unanimidade no Supremo. “Impedir ou dificultar a
manifestação plural de pensamento é trancar a universidade, silenciar
estudantes e amordaçar professores”, sentenciou.

A mesma Carmem Lúcia que em 2022 votou pela censura da jovem pan. Seguiram o comando de janones que fez rachadinha e tem medida protetiva em relação a uma mulher. A virada se deu devido o abuso do poder econômico por parte do governo Lula que custará caro ao Brasil como foi o plano cruzado e a reeleição de Dilma. Luiz Roberto
ResponderExcluir