sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ação nos EUA abre caminho para redes sociais mais seguras

Por O Globo

Ao impor limites a Meta e YouTube, Justiça inspirará parâmetros para uso por menores no mundo todo

Diante do Tribunal Superior de Los AngelesMark Zuckerberg — CEO da Meta, dona das maiores redes sociais do mundo — viu-se obrigado a defender as plataformas digitais num processo em que não faltam evidências de como elas manipulam algoritmos para manter adolescentes presos às telas de computador e celular. Está em julgamento a responsabilidade por distúrbios de comportamento em jovens dependentes. A autora da ação, hoje com 20 anos, acusa Meta e YouTube por ter desenvolvido ansiedade, depressão e uma visão distorcida da própria aparência, o Transtorno Dismórfico Corporal. Deverão sair do processo subsídios para os parâmetros de uso por menores de idade — e não apenas nos Estados Unidos.

Que falta nos faz Werneck Vianna nessa crise existencial do Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O caso Master expôs relações opacas, suspeitas de promiscuidade, cifras astronômicas, inexplicáveis, apesar das justificativas protocolares. E uma reação corporativa de autodefesa

Numa hora como essa, de crise existencial do Supremo Tribunal Federal (STF), que falta nos faz as análises do sociólogo Luiz Werneck Vianna, que estudou o papel da Justiça Federal na manutenção da nossa integridade territorial e na formação do Estado brasileiro. Sua morte completará dois anos amanhã. Intérprete do Brasil contemporâneo, foi quem melhor compreendeu a “judicialização” da nossa política, que vive um momento institucionalmente grave: o caso Master está volatilizando a credibilidade da Corte e já provoca grave crise de confiança entre seus integrantes, sem nenhum sinal de que o conflito se resolva a curto prazo, nos marcos do que seria a normalidade institucional da Corte.

Terceira via: tem alguma? Por José de Souza Martins

Valor Econômico

Quem quer que esteja limitando-se a pesquisas eleitorais precoces quer difundir o pressuposto de que só existe uma direita e de que só existe uma esquerda

Há mais de um ano que pesquisas de opinião eleitoral sobre preferências nas eleições de 2026 tentam nos convencer de que tudo já está quase decidido. Mal escondem o possível intuito de despistar os eleitores, fazendo-os supor que a lógica do pleito é uma só. O país não teria outra alternativa senão a da polarização de esquerda e direita.

Foi Brizola quem viu no PT e no ideário petista uma variante da social-democracia. Portanto, um partido social, de centro-esquerda, e não um partido de esquerda como os partidos clássicos dessa orientação.

'Todas as famílias felizes se parecem', por Andrea Jubé

Valor Econômico

Controvérsia sobre os valores da família brasileira despertada pela escola de samba que homenageou o presidente Lula é politicamente relevante e eleitoralmente potente

A controvérsia sobre os valores da família brasileira despertada pela escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que em uma das alas criticou os “Neoconservadores em conserva”, é politicamente relevante e eleitoralmente potente. Contudo, desperta uma sensação de déjà vu, que nos transporta ao século 19.

Quem não se recorda da antológica frase de abertura de “Anna Kariênina”? “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Quando Tolstói escreveu o romance - um clássico da literatura universal - entre 1873 e 1877, lançou o debate sobre modelos de convívio familiar e a noção de progresso, associada a valores econômicos e sociais. Puniu a heroína infiel com o famoso desfecho trágico. Perto dos 45 anos, era um autor consagrado por “Guerra e paz”, casado e tinha quatro filhos: era a personificação do homem de família feliz.

Enquanto Lula samba, Flávio costura, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de ter revertido reação negativa à escolha de seu nome pelo pai, senador articula palanques em Estados-chave

Passado o carnaval, a campanha eleitoral começa a pegar para valer. A polêmica em torno do enredo enaltecendo Lula serviu para implodir a ideia de que enfrentar Flávio Bolsonaro seria um passeio no bosque pelas fragilidades do senador e pelo desgaste do sobrenome. A realidade se mostra mais complexa.

Além de a pesquisa Quaest ter mostrado reversão da ideia inicial de que Bolsonaro errou ao indicar o filho para lhe suceder, Flávio vem avançando silenciosamente numa costura de palanques que vai fechando os espaços para que Lula construa uma coalizão forte em estados-chave.

Equívoco amador, por Pablo Ortellado

O Globo

PT alega que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi uma iniciativa independente da escola

O PT alega que o desfile da Acadêmicos de Niterói foi uma iniciativa independente da escola e que o governo não deveria ser responsabilizado por ela. Pode ser que o argumento funcione juridicamente, mas, com certeza, não funciona politicamente. Politicamente, o desfile foi um equívoco tão grande que põe em dúvida o profissionalismo da campanha do presidente Lula à reeleição.

Montar um enredo contando a trajetória de Lula não é errado em si. A biografia do presidente é épica e propícia para um enredo de escola de samba. O problema é que o desfile se deu em ano eleitoral, e a Acadêmicos de Niterói recebeu recursos públicos.

Vorcaro no Congresso, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Banqueiro tem potencial para virar homem-bomba, mas parece muito otimismo esperar explosão no Congresso

Na falta de uma CPI sobre as fraudes do Banco Master, duas outras comissões convocaram Daniel Vorcaro a depor no Congresso. Ele é aguardado na próxima semana na CPI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Pivô de um megaescândalo financeiro, Vorcaro manteve relações de simpatia, quase amor, com figurões da política e do Judiciário. Seus aliados mais notórios são homens de negócios do Centrão: o senador Ciro Nogueira, o deputado Arthur Lira, o dono de partido Antonio Rueda.

Flávio repete Jair, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula erra e Flávio cresce, com percepção de que pode ser o melhor candidato da direita

Ok, o presidente Lula é o favorito de outubro em todas as pesquisas e na maioria das avaliações, mas o ano da eleição começa com o PT tropeçando nas próprias pernas e o principal candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro, acertando o passo rumo às bases eleitorais de esquerda e, principalmente, do centro.

Como sempre, o ano do Brasil começa depois do carnaval e, em 2026, Lula sai da Sapucaí sem um único voto a mais e sabe-se lá quantos votos a menos, com ação contra ele no TSE por “campanha antecipada” e a oposição fazendo um segundo “carnaval” com o boneco de presidiário (que soa como “sujo falando do mal lavado”) e o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói. Vexame.

Interferência no Legislativo, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Parlamentares não digeriram a decisão do ministro Flávio Dino sobre penduricalhos

Os parlamentares não estão se expondo em público em tema tão impopular, ainda mais em ano eleitoral, mas não digeriram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flavio Dino de proibir novas leis que criem “penduricalhos” no serviço público.

Nos bastidores, criticam a decisão. E, quando isso acontece em Brasília, a revanche é certa – mais cedo ou mais tarde.

Dino acertou, em cheio, no mérito ao tentar disciplinar a farra dos supersalários do funcionalismo, mas errou na forma.

Ainda as emendas ‘para lamentares’, por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

As emendas continuam incomodando, mas não se resolve o problema, que vai se agravando

Há tempos escrevo contra as emendas parlamentares, até aqui sem sucesso, pelo contrário, se agravaram, mas não desisto, pois constituem uma grande distorção de nossa vida políticoparlamentar, ao terem grande influência eleitoral. Reproduzo aqui boa parte de meu mais recente artigo sobre o assunto, publicado em 21 de agosto do ano passado.

Igualdade de oportunidades, por Marcelo de Azevedo Granato

O Estado de S. Paulo

Apesar de necessária, a educação tem efeitos muito lentos na redução das desigualdades

O artigo 5.º da Constituição, em sua abertura, fala da igualdade duas vezes: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Como se vê, primeiro, o constituinte diz que todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção; depois, garante a brasileiros e estrangeiros residentes no País alguns direitos de primeira grandeza, considerados invioláveis, dentre os quais o direito à igualdade.

Violências no país da bandalheira, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mulher assassinada por ser mulher é um dos tantos assuntos esquecidos no debate podre

País convive sem revolta maior com 44 mil homicídios e 37 mil mortes no trânsito por ano

No começo de fevereiro, reinício oficial do ano oficialesco, líderes dos três Poderes assinaram o "Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio". Basicamente, criaram uma comissão, que pode dar em nada ou em alguma coisinha, a depender da política. É o "Comitê Interinstitucional de Gestão", de acompanhamento de dados e ações, com representantes dos Poderes, do Ministério Público e das Defensorias Públicas.

Encrenca gratuita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Sem nada a ganhar, Lula se colocou sob risco ao participar de bajulação carnavalesca

Parte dos riscos se materializou e petista não entra muito bem nesta Quaresma

Achei boa a piada das famílias em conserva que constou do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula neste Carnaval. Recorrendo a uma espécie de trocadilho (conservador/conserva), os idealizadores da alegoria conseguiram traduzir um conceito complexo (famílias conservadoras) em uma imagem (lata de conserva), o que é um pequeno feito semiótico. Mas não creio que o governo esteja agora vendo muita graça no desfile.

Lula cavou um ônus desnecessário, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A escola de Niterói não perdeu por causa do presidente, mas ele ficou com o gosto amargo da derrota

O equívoco do governo foi ter se associado a uma festa que não deve satisfações aos deveres da política

A Acadêmicos de Niterói não foi rebaixada porque homenageou o presidente Luiz Inácio da Silva (PT). Recebeu as menores notas dos jurados do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro porque apresentou desempenho inferior às concorrentes do Grupo Especial.

É do jogo e não há desonra nisso. Acontece com a maioria das agremiações de menor porte. Sobem num ano, descem no seguinte; algumas ganham força e conseguem se firmar, como a campeã Unidos do Viradouro, ex-integrante do segundo escalão.