*Giuseppe Vacca, Modernidades
alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de
Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267
[1] A.
Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
*Giuseppe Vacca, Modernidades
alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de
Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267
[1] A.
Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.
Com novos pretextos, Trump renova ameaça de tarifaço
Por Folha de S. Paulo
Casa Branca recorre a argumentos como
corrupção e Pix para outra ofensiva protecionista contra o Brasil
Ataque comercial será inevitavelmente
utilizado como arma eleitoral; espera-se que governo Lula acione diplomacia
para mitigar as medidas
Movido por crenças equivocadas, o governo
de Donald Trump novamente
ataca parceiros comerciais com ameaça de novas tarifas.
Em mais um capítulo da sua cruzada
protecionista, a Casa Branca agora mira o Brasil com medidas que, se não têm o
caráter de chantagem política explícita do tarifaço de 2025, não deixam de
revelar uma estratégia de hostilidade sistemática.
A investigação da chamada Seção 301 da Lei de
Comércio dos EUA, aberta em julho do ano passado e recém-concluída, é o
principal instrumento dessa nova ofensiva, que pode
resultar em impostos de 25% sobre uma ampla gama de produtos
brasileiros.
Segundo a consultoria MB Associados, o impacto recairia sobre 27% das exportações nacionais para os Estados Unidos —cerca de US$ 9,5 bilhões dos US$ 37,7 bilhões exportados para o parceiro comercial em 2025.
Correio Braziliense
É improvável que as preocupações de Lula em
relação ao multilateralismo produzam impacto na corrida eleitoral. Será mais
importante mostrar o que o governo brasileiro tem feito para dirimir as ameaças
tarifárias
Na abertura da reunião ministerial no Palácio
do Planalto, o presidente Lula voltou a abordar um problema crônico nas
relações internacionais: a crise do multilateralismo. O chefe do governo
brasileiro considera fundamental uma mudança na ordem mundial, marcada pela
ação unilateral de grandes potências, de modo a alimentar sucessivas crises e
guerras.
Lula pretende renovar o alerta para a crise do multilateralismo em breve — possivelmente, em 15 de junho. "Eu nem ia ao G7. Agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU", argumentou o presidente.
O Globo
Há muitas digitais nas taxações impostas
pelos Estados Unidos ao Brasil. O candidato do PL tenta, em vão, se
desvencilhar
A sucessão dos eventos deixa claro que essa nova guerra tarifária está vinculada à família Bolsonaro e ao lobby feito por eles. O presidente Donald Trump, antes de anunciar o primeiro ataque, em julho do ano passado, acusou o Brasil de estar fazendo uma suposta “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro. Na época, Eduardo Bolsonaro poescreveu em rede social: “Obrigado presidente Donald J. Trump”. Nesta semana, entre o primeiro e o segundo anúncio de sanções contra o Brasil, Trump postou a foto do encontro com Flávio Bolsonaro. Há muitas digitais. O candidato do PL tenta, em vão, se desvencilhar.
O Globo
Lula ganhou de presente o tema da “traição da
pátria” e os ataques do governo dos Estados Unidos ao Pix
A questão de “traição da pátria” volta e meia entra na discussão política porque a globalização coloca quase diariamente diante dos líderes de governos questões delicadas que não se limitam mais a seus países, mas à geoeconomia expandida. Os bolsonaristas são críticos da globalização, mas se colocam à disposição do governo dos Estados Unidos na maioria das situações. O mesmo acontece com o próprio Trump: assumiu o governo dizendo que não meteria o país em novas guerras, mas só faz isso. A globalização que tanto critica é a razão de acionar a metralhadora giratória para todos os lados.
O Globo
É verdade que algumas, isoladamente, não são
um ato contra o Brasil. É o caso das tarifas de 12,5% para quem importa
mercadorias de locais que usam trabalho forçado
As últimas 48 horas esfriaram a relação, que parecia caminhar pelos trilhos da racionalidade, entre Brasil e Estados Unidos. Depois da insensatez da Lei Magnitsky e afins, promovida pelo escritório avançado do bolsonarismo em Miami, Lula e Trump puseram as coisas nos eixos e passaram a negociar uma pauta comercial concreta. Na reunião entre eles em Washington, em maio, o Brasil dizia cobrar dos americanos tarifa média de 2,7%, e os americanos rebatiam dizendo que era cerca de 12%. Uma divergência dentro das regras do jogo. Lula e Trump mandaram suas equipes ir para casa resolver a pendenga, e tudo parecia correr bem. Até que a conversa descarrilou.
O Estado de S. Paulo
Lula mal cabe em si no papel de que mais
gosta, o de grande estadista mundial, no qual sua torrente incessante de
palavras contrasta com seus efeitos práticos – ou seja, a capacidade de
realizar o que diz. Mas é o papel que seus adversários insistem em dar-lhe de
presente.
Jair Bolsonaro nunca teve inteligência
estratégica, vide onde foi parar. Seus dois filhos conseguem ser piores.
Enxergam em Donald Trump uma espécie de Guia Genial da superpotência americana,
cuja condição de hegemonia planetária ele se empenha em diminuir.
Em relação ao Brasil, porém, os interesses de Trump estão definidos. Somos um tipo de peão fornecedores de commodities, especialmente as de importância geopolítica, e irritantes cerceadores das atividades de empresas americanas (ênfase no setor financeiro e digital) que precisam ser disciplinados.
O Estado de S. Paulo
Medidas de Trump mudam foco do debate para
beneficiar Flávio e dificultar reeleição de Lula
Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa.
Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido.
O Estado de S. Paulo
A novidade do professor Mokyr está no avanço
teórico em relação aos novos institucionalistas
Joel Mokyr é professor da Northwestern
University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2025. Seus
estudos avançaram enormemente nos temas: desenvolvimento econômico,
instituições e inovação tecnológica. A questão central que o motiva é: como
aumentar a prosperidade num contexto de inovações tecnológicas, cujo ritmo é exponencial.
A 14.ª edição do Fórum de Lisboa, iniciativa por vezes tão criticada por setores viciados da imprensa e da opinião pública no Brasil, trouxe o professor Mokyr para uma palestra magna no último dia do evento. Foi uma oportunidade única para ouvir e registrar as lições de uma das mentes mais privilegiadas do mundo. A mesa foi mediada pelo próprio ministro Gilmar Mendes e pela presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), Cristiane Coelho Galvão.
Folha de S. Paulo
Não é da natureza do Brasil um alinhamento
incondicional a nenhuma potência
Flávio Bolsonaro expôs sua absoluta
ignorância sobre as relações entre Brasil e EUA
Ainda não se conhecem as consequências da
decisão do governo Trump de incluir o PCC e
o Comando
Vermelho nas listas de Grupos Terroristas Especialmente
Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras. O duplo enquadramento
soma sanções financeiras a medidas penais e restrição migratória.
Em consequência, o combate às facções deixa
de ser problema policial do Brasil e passa a ser questão de segurança nacional
dos Estados Unidos, abrindo brechas para sanções e ações unilaterais —como
operações secretas ou mesmo o uso de força militar— fora do controle
brasileiro.
Especialistas se dividem quanto à extensão do dano que aquela medida unilateral poderá trazer para a cooperação policial entre os dois países, já bem estabelecida há tempos, bem como para o setor financeiro e para empresas nacionais que operam nos Estados Unidos.
Folha de S. Paulo
Previsões para o destino de política e
economia vão se desfazendo, como de costume
Prever é preciso, mas se presta menos atenção
a problemas de fundo e menos noticiosos
O Ibovespa chegaria aos 200 mil pontos em
maio —está perto de 170 mil. O "investidor
estrangeiro", não raro brasileiro com dinheiro lá fora, não
estaria dando a mínima para a eleição. A delação de Daniel
Vorcaro seria explosiva e "tirava o sono de
Brasília", que dorme com Vorcaro e vorcarettes.
A negociação do governo brasileiro com o
americano derrubaria o "tarifaço", dadas a "química" de
Donald Trump com Luiz Inácio Lula da
Silva e as ações da diplomacia pública e privada do Brasil.
Levaria tempo para Flávio
Bolsonaro alcançar Lula nas pesquisas. Flávio
ultrapassaria Lula em breve. Flávio seria um Bolsonaro
"moderado".
Folha de S. Paulo
Gênese do atual ataque dos EUA ao Brasil está
bem descrita na carta que Trump enviou ao presidente Lula
Republicano dissolveu as fronteiras entre
política e economia na relação do Brasil com os EUA; não será Flávio que
conseguirá redesenhá-las
O senador Flávio
Bolsonaro tenta se dissociar da proposta de um novo tarifaço
dos Estados
Unidos, mas o movimento eleitoral do pré-candidato à Presidência
carece de verdade histórica.
A gênese do
ataque dos Estados Unidos à economia brasileira está bem
descrita na carta que Donald Trump enviou
ao presidente Lula em julho do ano passado, para anunciar uma sobretaxa de 50%.
Dizia o texto, logo no 1º parágrafo: "Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitava muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma desgraça internacional. Este julgamento [no STF] não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!"
Folha de S. Paulo
Irmãos Bolsonaro usam Casa Branca para
atingir Lula, mas tentativas vão saindo pela culatra
Bajulação bolsonarista contempla doutrina
Donroe que quer nos transformar em quintal dos EUA
Depois de quase um ano de investigações, o
escritório de representação comercial dos Estados
Unidos apresentou suas conclusões em documento que propõe novas tarifas
sobre exportações brasileiras e condena o Pix.
A manifestação do governo de Donald Trump,
personagem deletério bajulado por Eduardo e Flávio
Bolsonaro, cita 20 vezes a plataforma eletrônica de transações
financeiras criada pelo Brasil e adotada de maneira eficaz, democrática e
popular pelo Banco Central.
Os filhos do capitão golpista, condenado e preso, vêm tramando com a potência estrangeira modos de atingir o presidente Lula, mas na realidade estão acertando o Brasil, sua economia, dignidade e soberania. No afã de abafar seus escândalos e tentar ganhar simpatias eleitorais, puxam a arminha, mas o tiro parece estar saindo pela culatra.
Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro acha que, ao dizer 'Nada a
ver! Zero!', ele fará a realidade desaparecer
Mas a matemática, que não falha, ensina que
um número elevado a zero é sempre igual a 1
Uma das glórias da matemática é a história de que um número elevado a zero é sempre igual a 1. Como pode? Não faz sentido. É algo que, para nós, leigos, alunos relapsos ou miseravelmente formados em humanas, parece absurdo. No entanto, se tivéssemos prestado atenção à aula onde se ensinou o conceito em vez de ficar olhando para as pernas da professora, veríamos como a questão é simples e coerente. Não vou me deter a explicá-la aqui, nem tenho autoridade para isso, mas vá por mim: qualquer número elevado a zero é 1 mesmo. E não só na matemática, como a família Bolsonaro deve estar descobrindo.
Folha de S. Paulo
Em menos de 2 minutos Senado derrubou
resolução do Conanda
Vítimas de estupro poderão ter gestação
forçada enquanto seus abusadores continuarão impunes
Em sessão na terça-feira (2) que durou exatamente 100 segundos, o Senado aprovou um projeto que protege estupradores de crianças e adolescentes. Exagero eu dizer isso? Não para quem conhece a realidade dos abusos sexuais contra vulneráveis. Ao dificultar o acesso ao direito que crianças e adolescentes possuem há décadas de interrupção da gravidez em casos de violência sexual, o Senado facilita que crianças sejam mães.
Quando pensamos em autoritarismo e perda das liberdades na América Latina, no pós-guerra, sobretudo, temos imediatamente o modelo do golpe militar na cabeça. Assim, podemos citar o Brasil de 1964, o Chile de 1973 e a Argentina de 1976, exemplos quase acabados disso. Recorrendo quase sempre à violência, esse tipo de intervenção destrói as instituições de fora para dentro, digamos assim.