quinta-feira, 4 de junho de 2026

Lições de um Nobel no Fórum de Lisboa, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

A novidade do professor Mokyr está no avanço teórico em relação aos novos institucionalistas

Joel Mokyr é professor da Northwestern University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2025. Seus estudos avançaram enormemente nos temas: desenvolvimento econômico, instituições e inovação tecnológica. A questão central que o motiva é: como aumentar a prosperidade num contexto de inovações tecnológicas, cujo ritmo é exponencial.

A 14.ª edição do Fórum de Lisboa, iniciativa por vezes tão criticada por setores viciados da imprensa e da opinião pública no Brasil, trouxe o professor Mokyr para uma palestra magna no último dia do evento. Foi uma oportunidade única para ouvir e registrar as lições de uma das mentes mais privilegiadas do mundo. A mesa foi mediada pelo próprio ministro Gilmar Mendes e pela presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), Cristiane Coelho Galvão.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Com novos pretextos, Trump renova ameaça de tarifaço

Por Folha de S. Paulo

Casa Branca recorre a argumentos como corrupção e Pix para outra ofensiva protecionista contra o Brasil

Ataque comercial será inevitavelmente utilizado como arma eleitoral; espera-se que governo Lula acione diplomacia para mitigar as medidas

Movido por crenças equivocadas, o governo de Donald Trump novamente ataca parceiros comerciais com ameaça de novas tarifas.

Em mais um capítulo da sua cruzada protecionista, a Casa Branca agora mira o Brasil com medidas que, se não têm o caráter de chantagem política explícita do tarifaço de 2025, não deixam de revelar uma estratégia de hostilidade sistemática.

A investigação da chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho do ano passado e recém-concluída, é o principal instrumento dessa nova ofensiva, que pode resultar em impostos de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros.

Segundo a consultoria MB Associados, o impacto recairia sobre 27% das exportações nacionais para os Estados Unidos —cerca de US$ 9,5 bilhões dos US$ 37,7 bilhões exportados para o parceiro comercial em 2025.

Subserviência dos Bolsonaros a Trump é inimiga do país, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Não é da natureza do Brasil um alinhamento incondicional a nenhuma potência

Flávio Bolsonaro expôs sua absoluta ignorância sobre as relações entre Brasil e EUA

Ainda não se conhecem as consequências da decisão do governo Trump de incluir o PCC e o Comando Vermelho nas listas de Grupos Terroristas Especialmente Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras. O duplo enquadramento soma sanções financeiras a medidas penais e restrição migratória.

Em consequência, o combate às facções deixa de ser problema policial do Brasil e passa a ser questão de segurança nacional dos Estados Unidos, abrindo brechas para sanções e ações unilaterais —como operações secretas ou mesmo o uso de força militar— fora do controle brasileiro.

Especialistas se dividem quanto à extensão do dano que aquela medida unilateral poderá trazer para a cooperação policial entre os dois países, já bem estabelecida há tempos, bem como para o setor financeiro e para empresas nacionais que operam nos Estados Unidos.

Vai chover no feriado e em Vorcaro, Flávio, Lula, na Bolsa, no petróleo e no Neymar; ou não, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Previsões para o destino de política e economia vão se desfazendo, como de costume

Prever é preciso, mas se presta menos atenção a problemas de fundo e menos noticiosos

O Ibovespa chegaria aos 200 mil pontos em maio —está perto de 170 mil. O "investidor estrangeiro", não raro brasileiro com dinheiro lá fora, não estaria dando a mínima para a eleição. A delação de Daniel Vorcaro seria explosiva e "tirava o sono de Brasília", que dorme com Vorcaro e vorcarettes.

A negociação do governo brasileiro com o americano derrubaria o "tarifaço", dadas a "química" de Donald Trump com Luiz Inácio Lula da Silva e as ações da diplomacia pública e privada do Brasil.
Levaria tempo para Flávio Bolsonaro alcançar Lula nas pesquisas. Flávio ultrapassaria Lula em breve. Flávio seria um Bolsonaro "moderado".

As digitais bolsonaristas no novo tarifaço, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Gênese do atual ataque dos EUA ao Brasil está bem descrita na carta que Trump enviou ao presidente Lula

Republicano dissolveu as fronteiras entre política e economia na relação do Brasil com os EUA; não será Flávio que conseguirá redesenhá-las

O senador Flávio Bolsonaro tenta se dissociar da proposta de um novo tarifaço dos Estados Unidos, mas o movimento eleitoral do pré-candidato à Presidência carece de verdade histórica.

gênese do ataque dos Estados Unidos à economia brasileira está bem descrita na carta que Donald Trump enviou ao presidente Lula em julho do ano passado, para anunciar uma sobretaxa de 50%.

Dizia o texto, logo no 1º parágrafo: "Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitava muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma desgraça internacional. Este julgamento [no STF] não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!"

Arminha de Flávio com Trump acerta no Brasil e ameaça Pix, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Irmãos Bolsonaro usam Casa Branca para atingir Lula, mas tentativas vão saindo pela culatra

Bajulação bolsonarista contempla doutrina Donroe que quer nos transformar em quintal dos EUA

Depois de quase um ano de investigações, o escritório de representação comercial dos Estados Unidos apresentou suas conclusões em documento que propõe novas tarifas sobre exportações brasileiras e condena o Pix.

A manifestação do governo de Donald Trump, personagem deletério bajulado por Eduardo e Flávio Bolsonaro, cita 20 vezes a plataforma eletrônica de transações financeiras criada pelo Brasil e adotada de maneira eficaz, democrática e popular pelo Banco Central.

Os filhos do capitão golpista, condenado e preso, vêm tramando com a potência estrangeira modos de atingir o presidente Lula, mas na realidade estão acertando o Brasil, sua economia, dignidade e soberania. No afã de abafar seus escândalos e tentar ganhar simpatias eleitorais, puxam a arminha, mas o tiro parece estar saindo pela culatra.

Aprenda de uma vez, 01, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro acha que, ao dizer 'Nada a ver! Zero!', ele fará a realidade desaparecer

Mas a matemática, que não falha, ensina que um número elevado a zero é sempre igual a 1

Uma das glórias da matemática é a história de que um número elevado a zero é sempre igual a 1. Como pode? Não faz sentido. É algo que, para nós, leigos, alunos relapsos ou miseravelmente formados em humanas, parece absurdo. No entanto, se tivéssemos prestado atenção à aula onde se ensinou o conceito em vez de ficar olhando para as pernas da professora, veríamos como a questão é simples e coerente. Não vou me deter a explicá-la aqui, nem tenho autoridade para isso, mas vá por mim: qualquer número elevado a zero é 1 mesmo. E não só na matemática, como a família Bolsonaro deve estar descobrindo.

Congresso beneficia estupradores de crianças, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Em menos de 2 minutos Senado derrubou resolução do Conanda

Vítimas de estupro poderão ter gestação forçada enquanto seus abusadores continuarão impunes

Em sessão na terça-feira (2) que durou exatamente 100 segundos, o Senado aprovou um projeto que protege estupradores de crianças e adolescentes. Exagero eu dizer isso? Não para quem conhece a realidade dos abusos sexuais contra vulneráveis. Ao dificultar o acesso ao direito que crianças e adolescentes possuem há décadas de interrupção da gravidez em casos de violência sexual, o Senado facilita que crianças sejam mães.

Dois caminhos e um só autoritarismo, por Ivan Alves Filho*

Volta e meia escrevo sobre a natureza do fascismo, buscando entender este fenômeno em seus múltiplos aspectos e que novamente parece ameaçar a Democracia. Hoje, dou continuidade a esta reflexão, debruçando-me a respeito das duas vias de acesso ao autoritarismo e ao próprio fascismo.

Quando pensamos em autoritarismo e perda das liberdades na América Latina, no pós-guerra, sobretudo, temos imediatamente o modelo do golpe militar na cabeça. Assim, podemos citar o Brasil de 1964, o Chile de 1973 e a Argentina de 1976, exemplos quase acabados disso. Recorrendo quase sempre à violência, esse tipo de intervenção destrói as instituições de fora para dentro, digamos assim.

Ao vivo: Lula promove reunião ministerial

 

Opinião do dia - Giuseppe Vacca*

“Não há dúvida de que as “ideologias” têm para Gramsci peso maior do que para qualquer outro pensador marxista, mas afirmar que “tornam-se o momento primário da história” equivale a inserir seu pensamento nos quadros conceituais da “filosofia do espírito” de Benedetto Croce. É verdade que Bobbio aplica ao pensamento gramsciano um paradigma dicotômico (estrutura/superestrutura) que não se lhe adapta. A “distinção entre sociedade política e sociedade civil” – escreve Gramsci – é uma “distinção metodológica”, não “orgânica”. “Sociedade civil e Estado se identificam na realidade dos fatos”. É um dos trechos mais conhecidos do Caderno 13, no qual Gramsci polemiza com o liberalismo porque, considerando “orgânica” o que deveria ser uma distinção “metodológica”, contrapõe o mercado ao Estado, ignorando que “também o liberismo é uma ‘regulamentação’ de caráter estatal, introduzida e mantida por via legislativa e coercitiva”[1]. Além disso, para Gramsci, a distinção entre estrutura e superestrutura é de caráter “metodológico”, tanto que a “metáfora arquitetônica”, em certo momento, cede o passo a outras conceituações.

*Giuseppe Vacca, Modernidades alternativas. O século XX de Antonio Gramsci, Brasília/ Rio de Janeiro: FAP/ Contraponto, 2016, p. 267


[1] A. Gramsci, Quaderni del carcere, cit., p. 1592.

Poesia | Consolo na praia, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Chico Buarque canta: Vai Passar