sexta-feira, 12 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pautas-bomba são irresponsabilidade do Congresso

Por O Globo

Executivo faz bem em recorrer à Justiça para revertê-las, mas também tem sido pródigo em ‘bondades’

Não só o Executivo tem se esmerado em abrir a torneira dos gastos para distribuir “bondades” eleitoreiras. O Legislativo não fica atrás. Os senadores têm se empenhado em agradar a públicos específicos com distribuição farta de recursos do Orçamento. Três projetos que avançaram nesta semana terão impacto estimado em R$ 217 bilhões nas contas públicas e, por bom motivo, foram chamados de pautas-bomba. Se aprovados, dois desfechos são possíveis: ou drenarão dinheiro de áreas prioritárias; ou o governo aumentará o gasto e a dívida pública — ou uma combinação de ambos. Não faz sentido apoiá-los, pois explodirão no colo de todos.

Copa do Mundo, o jogo do torcedor, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Durante aquelas semanas de 1998, não houvera na cidade de São Paulo nenhum crime, nem mesmo crime violento. O mesmo em outros lugares do país

Quando da Copa de 1998, resolvi fotografar os torcedores no Vale do Anhangabaú diante do telão. Não vi os jogos. Vi emoções e expressões.

Vi o inesperado. O centro da cidade, de lugar do desencontro tenso dos pedestres, desconfiados e antissociais, em questão de alguns minutos, tornara-se lugar de encontro. O centro de São Paulo era conhecido e temido pela ação dos chamados “trombadinhas”, as crianças e adolescentes que assaltavam transeuntes desatentos. Mas havia, também, os “trombadões” que assaltavam idosos e pessoas claramente vulneráveis.

O centro revelava sua face oculta. A suspeita de que as pessoas em situação de rua eram inimigos da sociabilidade civilizada e acolhedora revelava-se profundamente injusta. Comportavam-se como anfitriões, donos e conhecedores da rua. Conversavam com os forasteiros contentes com tanta gente diferente entrando em suas casas: a rua.

Hora de voltar a atenção ao Republicanos, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Se não perder nenhuma batalha, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e Minas Gerais, os Estados mais ricos do país

Por volta de 2023, quando Progressistas (PP) e União Brasil intensificaram o diálogo para criar a federação que, dois anos depois, se tornaria a maior força política do país, tentaram, à exaustão, atrair o Republicanos. Em conversas privadas, o presidente da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), explicava a interlocutores que no jogo do poder, é melhor ser “cabeça de sardinha do que rabo de baleia”.

A festa junina de Alcolumbre, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Cercado por investigações, presidente do Senado aponta mira contra os cofres públicos

Em clima de festa junina, Davi Alcolumbre acendeu o pavio e tapou os ouvidos. O presidente do Senado articulou a aprovação de três pautas-bombas na quarta-feira. Somadas, elas podem custar mais de R$ 200 bilhões aos cofres públicos.

No plenário, os senadores aprovaram a criação de mais uma linha de crédito rural. O pretexto foi socorrer produtores prejudicados por conflitos internacionais ou eventos climáticos extremos.

Segundo cálculos da Fazenda, o agrado aos ruralistas deve custar R$ 140 bilhões em dez anos. Um de seus principais defensores foi o governador gaúcho Eduardo Leite, que ensaiou concorrer ao Planalto como expoente do liberalismo.

A geração Z é mais conservadora? Por Pablo Ortellado

O Globo

É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens

Muitos leitores já devem ter escutado que os jovens da geração Z (que têm hoje entre 14 e 29 anos) são conservadores. A tese partiu da observação de certos traços demográficos da preferência partidária nos Estados Unidos, depois se expandiu para outros aspectos e se observou em outros países, inclusive no Brasil.

A ideia encontrou respaldo em produtos culturais como as minisséries “Adolescência” e “Por dentro da machosfera” (ambas da Netflix), que mostraram a difusão da misoginia entre os jovens, além de episódios do noticiário policial como o estupro coletivo em Copacabana. Agora, um relatório da More in Common mostra que as evidências dessa tendência no Brasil são bastante ambivalentes. É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens.

Livro propõe 'radicalização democrática' contra autoritarismo, Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Obra reúne 13 pesquisadores que elaboram diagnósticos e soluções para enfrentar crise da democracia no Brasil

Autores defendem fortalecimento do controle político, afirmação da imparcialidade e garantia do pluralismo

Há menos de quatro anos, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) consultava a cúpula militar sobre a possibilidade de reversão dos resultados da eleição de 2022, da qual Lula (PT) saiu vencedor.

Nos anos anteriores, Bolsonaro vinha incutindo entre os eleitores a desconfiança em relação às urnas eletrônicas, por meio de uma série de acusações infundadas que disseminava em uma aparição pública após a outra.

A democracia brasileira atravessou um período de grave crise —como atestaram os principais índices de monitoramento globais—, mas, no fim, não houve golpe. Passada a tempestade, novo livro do Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo), instituição independente e privada, dá um passo atrás para examinar quais fatores permitiram o avanço do autoritarismo no país e, principalmente, como revertê-los.

Sem Copa em 2026, o Brasil do futebol mitológico vai bater recorde de derrotas, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Time masculino jamais ficou mais de cinco disputas seguidas sem levar o título

Além da falta de vitórias, para o bem ou para o mal o esporte fica sem lendas e mitos

Jamais o Brasil ficou mais de cinco Copas seguidas sem ganhar o título mundial. Caso não vença neste 2026, a sexta, será um "recorde", como gosta de dizer o jornalismo que lida com números quaisquer.

Para o jornalismo esportivo, seria uma nova "escrita", um mitológico tabu, no caso um histórico comprido de estatísticas negativas. Quase nunca esses números dizem algo, como tantos recordes da economia e as estatísticas engraçadas discutidas em mesas-redondas boleiras.

Populismo penal custa caro, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Não há apoio empírico à tese de que redução da maioridade penal diminui criminalidade

Agravamento de penas, embora fartamente utilizado, também tem pouco impacto nas estatísticas

Não sou um fundamentalista dos 18 anos. Se alguém me apresentasse um trabalho científico razoavelmente rigoroso mostrando que a redução da maioridade penal tem impacto nas estatísticas de criminalidade, eu apoiaria a PEC que baixa dos 18 para os 16 anos a idade com que jovens podem ser levados a enfrentar a Justiça criminal. Eu receio, porém, que não exista nenhum estudo sério que dê amparo empírico à medida.

Copa testará outra vez se política e futebol se misturam, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A ciência política registra que a mistura do esporte com eleição só prospera em regimes autoritários

O histórico de 32 anos que o desempenho do Brasil no Mundial não influi na decisão do eleitorado

Iniciada a Copa do Mundo, os políticos precisarão dar tratos às cacholas para manter acesa a chama de uma campanha eleitoral cuja antecipação não mobiliza a maioria da população. Desinteresse que tende a se aprofundar durante as próximas semanas.

O torneio termina em 19 de julho, véspera do início das convenções partidárias que até o dia 5 de agosto deverão ter definidas as respectivas candidaturas majoritárias e proporcionais.

A volta do bigodinho, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Fora de moda desde os anos 1950, retornou com os jogadores da seleção brasileira

Rayan, Martinelli, Ibañez, Raphinha, Endrick e Éderson são apenas alguns dos novos portadores

Se lhe disserem que essa ou aquela moda passará para sempre, não acredite. Nada é para sempre, muito menos modas. Um dia, xis anos depois, ela voltará e será recebida como grande novidade. Só nos últimos anos vimos a volta do delineador, do cílio postiço, da sobrancelha a lápis, de homens com sapatos sem meias e, quem diria, do álbum de figurinhas.

Aula de democracia, por Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo

No século 21, os temas da democracia e do funcionamento da ordem institucional não podem continuar sendo tratados como secundários

Viver em Democracia, publicação da Fundação Fernando Henrique Cardoso e do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, de distribuição gratuita e voltada para escolas do ensino médio (2026), é uma demonstração concreta de como suprir um grande vazio no currículo escolar brasileiro, a educação para a democracia.

Os autores, Bernardo Sorj e Sergio Fausto, começam com uma narrativa histórica da evolução das formas de governo, dos sistemas tribais aos Estados modernos e evoluem para a apresentação e análise de temas centrais e prementes como a divisão e conflitos de poderes, a importância das constituições, o funcionamento dos partidos e sistemas eleitorais, as relações entre capitalismo e democracia, e os desafios concretos de viver em regimes democráticos imperfeitos e permanentemente ameaçados. Não se furtam à defesa explícita de valores – liberdade, igualdade e fraternidade – a serem exercidos por meio de sistemas representativos eficazes e comprometidos com o bem comum. Mostram como a democracia não é um estado de coisas dado, mas uma conquista histórica carregada de disfuncionalidades e disputada por forças autoritárias que procuram corrompê-la por dentro ou destruí-la frontalmente.

O Brasil sob ataque, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump, os Bolsonaros e Alcolumbre miram Lula, mas acertam no coração do Brasil

Assim como a família Bolsonaro usa a Casa Branca, o senador Davi Alcolumbre usa e abusa do Senado para impor danos graves à economia, não de um governo que está no fim, mas do próprio Brasil. Alcolumbre, Flávio e Eduardo Bolsonaro miram o presidente e pré-candidato Lula e acertam nos próximos governos e no coração do Brasil.

Já que estamos em tempos de Copa do Mundo, vale dizer que tanto os Bolsonaros quanto o presidente do Senado estão “trocando as bolas”, ao confundir suas questões políticas e pessoais com o que realmente interessa e pesa, ou deveria pesar, acima de tudo: o interesse nacional.

Uma vice mulher decorativa? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A escolha do vice é também construção de narrativa. Mas a narrativa precisa ser crível

Qual é o perfil de vice mulher que o senador e précandidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), deseja? Até agora, os sinais não são nada animadores.

Depois da derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, está evidente que o público feminino é um problema para a campanha.

Conforme a mais recente pesquisa Meio/Ideia, 47,6% das mulheres pretendem votar em Lula no segundo turno e 39% em Flávio. Entre os homens, o cenário é mais equilibrado: 45,3% para Lula e 44% para Flávio.