terça-feira, 16 de junho de 2026

Moraes e Eduardo no olho do furacão, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump e Eduardo Bolsonaro ganharam um forte aliado contra Alexandre de Moraes: a Itália

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes estão novamente no olho do furacão entre Brasil e Estados Unidos, nesta semana, justamente quando o presidente Lula tem a expectativa de um encontro com Donald Trump, à margem do G-7, para discutir a nova onda de tarifas.

A novidade, desta vez, é que os ataques de Eduardo e de Trump a Moraes ganharam reforço com a decisão da Justiça da Itália de anular a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil. Os argumentos italianos atingem o ministro do STF em cheio, em meio a várias batalhas.

Xandão é o Brasil, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Estará sempre disponível a crença em que a Corte constitucional italiana seria bolsonarista e teria rejeitado a extradição de Carla Zambelli como afronta político ideológica à Justiça brasileira. Num debate público em que ministro do Supremo foi consagrado nosso herói salvador, aquele a quem Vorcaro – no dia em que seria preso – perguntou sobre se conseguira bloquear algo, não faltam elementos mistificadores para compor essa fé. (E, se criticar, lembre-se: Bolsonaro volta – o golpe sempre à espreita.)

Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, tudo sendo ataque à democracia, tem-se o Alexandre de Moraes isento. Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, a isto foi elevado Moraes, cujo escritório de advocacia da esposa tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master, tornado a própria encarnação do estado democrático de direito: Xandão é o Brasil; donde será ataque ao País apontar que a condição do juiz, ao mesmo tempo vítima, suscitaria “dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação”.

Carvão e a lenta transição energética, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta

A turbulência por que passa a economia mundial a cada anúncio de fechamento ou de abertura do Estreito de Ormuz – por onde, em condições normais, trafega cerca de um quarto do petróleo consumido no planeta – é o sinal mais evidente de quanto continuamos dependentes de combustíveis fósseis. Transição energética, sobretudo pela redução do uso desse tipo de combustível, tem sido uma das expressões mais frequentes desses tempos. Para muitos, é a indicação de que está a nosso alcance quase imediato um futuro mais limpo e saudável. Mas o que o impacto das condições de tráfego por Ormuz nos deixa claro é que essa transição necessária, desejável e desejada é, antes de tudo, lenta – talvez lenta demais para quem luta por um mundo ambientalmente melhor.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Acordo escancara fiasco da guerra de Trump

Por Folha de S. Paulo

Ataque de EUA e Israel fracassa no objetivo de derrubar o regime iraniano e seu programa nuclear

Teocracia do Irã ganhou mais força; entendimento pode começar a normalizar oferta de petróleo, mas inflação global está contratada

Uma semana depois de começar a guerra contra o IrãDonald Trump escreveu que não haveria acordo com o inimigo, apenas "rendição incondicional". O Irã não se rendeu.

O regime obscurantista dos aiatolás está, isso sim, à beira de impor condições aos Estados Unidos —ao menos, termos de negociação no acordo que, segundo se anunciou, será oficializado na sexta-feira (19). O documento deve estender um cessar-fogo por 60 dias e estabelecer as cláusulas da trégua e as diretrizes das tratativas nos próximos dois meses.

CPI, uma inutilidade, por Antonio Claudio Mariz de Oliveira*

Folha de S. Paulo

Objetivo constitucional das CPIs é investigar fatos determinados de interesse público

Investigações partem para fatos não previstos com repercussão midiática

Chama a atenção no nosso ordenamento jurídico a existência de institutos que uma vez aplicados à realidade se afastam por completo do seu escopo. Esse distanciamento entre o legal e o real desvirtua por completo o seu desiderato originário.

Um exemplo são as comissões parlamentares de inquérito, com previsão constitucional (artº 58, parº 3º). O seu objetivo seria a "apuração de fato determinado e por prazo certo". Para isso possuem "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". As leis 1539/52 e 10179/03 regem a sua atuação.

O regimento da Câmara, em seu artigo 35,I, por sua vez, define que o fato precisa ser de interesse para a vida pública, ordem constitucional e social, devendo estar explicitado no pedido de instalação da CPI.

Evangélicos abandonam Flávio Bolsonaro e migram para Lula e Renan, por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

Mentira sobre relação com Daniel Vorcaro espalhou desencanto pelo bolsonarismo

Flávio é visto por muitos como crente de fachada

Evangélicos podem ser protagonistas em mais uma eleição presidencial. Desta vez, para tirar a certeza de que Flávio Bolsonaro será o candidato da direita. A última coleta da Quaest, divulgada na semana passada, mostra o nome bolsonarista caindo nove pontos nesse segmento, de 61% para 52%.

Evangélicos representam um dos pilares eleitorais do bolsonarismo. Lideranças nacionais poderiam atuar para conter a sangria, mas continuam em silêncio —e têm motivos. Apostavam na dobradinha Tarcísio-Michelle e foram atropelados pela escolha de Flávio. Em seguida, a mentira sobre a relação com um ex-banqueiro que promovia orgias aumentou o constrangimento.

Uma definição de fracasso, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

EUA dificilmente conseguirão acordo nuclear com Irã melhor do que o de 2015

Trump fez uma guerra para voltar a situação que ele próprio definiu como ruim

Se os negociadores americanos derem um show, talvez consigam um acordo não muito pior do que o de 2015, assinado entre Irã, EUA e outras potências, com o objetivo de evitar que o país persa desenvolvesse armamento nuclear.

E o que aconteceu com aquele tratado, pelo qual o programa atômico iraniano era monitorado de perto por agências internacionais em troca do relaxamento de sanções econômicas? Ele vinha funcionando até que, em 2018, Donald Trump, em sua primeira passagem pela Casa Branca, achou que o acordo era ruim e dele se retirou unilateralmente, o que, na prática, significou enterrá-lo.

Futebol brasileiro corre risco de virar meme sem graça, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Copa virou negócio de trilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança

A esperança do time de Ancelotti está no banco de reservas

Com a Copa do Mundo politizada, agigantada (três países anfitriões, 48 seleções, 104 partidas e zebras à espreita) e multiplataformizada (no Brasil há uma disputa de segundos entre os canais de televisão e os de internet pelo menor delay), é impossível escapar aos memes virais. O futebol é um negócio de zilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança. Uma festa em que os convivas se sentem imediatamente afetados pela síndrome de Peter Pan.

Leitura para salvar nossas meninas, por Maíra Weber*

Instituto Positivo

A violência contra meninas e mulheres, seja física ou simbólica, esteve sempre presente, tristemente, na realidade de diferentes sociedades ao redor do mundo. No Brasil, dados de 2025 indicam 1.568 feminicídios, o que representa uma alta de 4,7% em relação a 2024. E o pior: os números têm aumentado em 2026, com o crescimento de 3,49% registrado apenas em janeiro.

As obras de arte, ao longo do tempo, refletem a sociedade e retratam suas mazelas. As primeiras narrativas literárias voltadas ao público infantil, como os contos de fadas, por exemplo, carregam uma concepção estereotipada da mulher, intimamente ligada à visão de mundo moldada pela coletividade. Muitos clássicos ensinaram meninas a terem como ideal de vida um príncipe salvador e a naturalizar o distanciamento entre os papéis sociais concebidos para homens e mulheres na sociedade.