segunda-feira, 13 de julho de 2026

Como o Congresso da UNE caiu em 1968, por Miguel de Almeida

O Globo

Polícia acabou informada não por seus espiões, mas por um lavrador

O dia mal amanhecera em 12 de outubro de 1968, um sábado, quando 150 policiais surgiram na mata a 25km do centro de Ibiúna, interior de São Paulo. Caía uma chuva intermitente. A lama na estrada íngreme fizera a tropa abandonar as viaturas no caminho principal. Percorreram 10km a pé. Quando avistaram o acampamento, deram tiros para o alto aos gritos:

— Não reajam, vamos atirar para matar.

Cercaram as barracas de lona e prenderam 800 jovens. Era o final melancólico do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Paulistas querem chamar a polícia, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Segurança pública exige mais policiamento. A resposta é simples, mas cara e de difícil implementação

Está em andamento um amplo debate sobre segurança pública no país. Muitas ideias estão na mesa, como a criação de um ministério específico e variados projetos de leis e emendas constitucionais. Tratam de redefinição de crimes, aumento de penas, nova classificação das facções e assim por diante. Não são discussões inúteis, mas a população se preocupa com coisas bem mais simples.

O Datafolha obteve uma boa amostra em pesquisa feita com moradores do estado de São Paulo, divulgada na semana passada. O instituto perguntou: qual o maior problema de segurança pública? Resposta majoritária: a falta de policiamento efetivo nas ruas. Assim responderam 20% dos paulistas.

Brasil não pode viver asfixia digital, por Irapuã Santana

O Globo

Equilibrar a necessária governança da internet sem criar mais dificuldades para o crescimento da produtividade é um desafio

Desde o ano passado, diversos debates sobre o projeto do Novo Código Civil têm atraído a atenção do mundo jurídico. A nova lei causa impacto na vida de todo mundo, porque regerá a forma como acordos privados são feitos diariamente. Quando fazemos sinal para um ônibus no ponto, celebramos um contrato de transporte. Se pegamos um carrinho do supermercado para fazer as compras, surge um contrato de comodato, e por aí vai.

O código atual foi publicado em 2002, mas começou a ser elaborado em 1975, na ditadura militar. Ele era recém-nascido, mas parecia Benjamin Button. Para relembrarmos, a internet era discada, os celulares eram usados apenas para ligações e SMS, YouTube, Facebook e Instagram nem sonhavam em surgir, e o finado Orkut só viria a aparecer em 2004.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Elucidação de homicídios é frustrante no Brasil

Por O Globo

Apenas quatro em 10 assassinatos cometidos no país são esclarecidos, de acordo com os dados disponíveis

É decepcionante a constatação de que apenas quatro em cada dez homicídios dolosos cometidos entre 2023 e o fim de 2024 (ou 39%) tenham sido esclarecidos, de acordo com a última edição do relatório “Onde mora a impunidade?”, do Instituto Sou da Paz. O dado resulta de extensa pesquisa junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça estaduais, realizada desde 2017. A média nacional de elucidação de homicídios tem se mantido na faixa entre 30% e 40%. É muito pouco para um país que enfrenta grave crise de segurança pública, com a atuação crescente de facções criminosas por todo o território nacional.

O teorema de Buscetta: 'mob lawyers' e facções judiciais, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Caso Master e escândalo do Rio de Janeiro revelam estrutura de proteção institucional ao crime

Integrantes da própria comunidade jurídica atuam em múltiplos níveis em casos de corrupção

É assustador assistir à crescente interpenetração entre a corrupção política e a criminalidade violenta em nosso país. Referindo-se ao escândalo Master, o ministro André Mendonça afirmou: "Aqui há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado, mafioso... Não é simplesmente um crime de colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores ... que praticaram fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro".

Antirracismo é jogo de ganha-ganha, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Ações voltadas à promoção da equidade étnico-racial produzem efeito benéfico à sociedade brasileira como um todo

Falar sobre medidas de enfrentamento ao racismo e seus efeitos perversos e injustos ainda é algo visto como chororô ou mimimi

O que podemos fazer para que o Brasil seja mais justo? Essa indagação é feita no início do livro "Guia da Gestão Pública Antirracista", publicação escrita de maneira colaborativa por cinco importantes pesquisadores (Clara Marinho, Ellen da Silva, Giovani Rocha, Karoline Belo e Michael França), que se debruçaram sobre o tema numa imersão na Universidade de Oxford, em 2024.

Para além de questionar práticas carregadas de preconceito e discriminação adotadas no setor público, que resultam em exclusão de um segmento específico da população brasileira, a obra joga luz sobre o óbvio que muitos ainda não aceitam: "Ao erguer aqueles marginalizados, não apenas corrigimos injustiças, mas levantamos uma nação inteira", afirmam os pesquisadores.

Quer ser empregado de um robô? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Robôs já são capazes de fazer tudo, exceto pinçar um pelo encravado ou descascar uma banana

Para isso, uma empresa de IA criou um serviço para eles: Rent a Human, ou Alugue um Humano

Estava demorando. Depois de aprender a fazer em microssegundos operações que levariam uma eternidade para um humano, os robôs estão se aventurando agora naquelas que são naturais para nós, mas, por enquanto, inalcançáveis para eles. Exemplo: "Hei, Robby, me traz um café!".

O futuro não é destino, por Tostão

Folha de S. Paulo

Seleção e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol

Existe uma carência de bons laterais, falta um craque no meio campo e na posição de centroavante

Neste momento de decepção, de mais um fracasso da seleção brasileira, pois criamos uma enorme expectativa muito acima da realidade, surgem os discursos românticos, ilusórios, perdidos no tempo, de que o futebol brasileiro precisa voltar às origens, aos anos 60 e 70, e passar a jogar o futebol arte, de dribles, improvisações, sem disciplina tática. Dribles é que não faltam. Precisamos associa-los ao jogo coletivo, de mais trocas de passes e de domínio da bola e do jogo. A seleção brasileira e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol.

Eleições 2026 e a Afirmação da Democracia no Brasil. Quais os desafios? Por George Gurgel*

As eleições  de 2026 no Brasil desafia a sociedade  democrática  brasileira a eleger uma presidência da República,  uma bancada de parlamentares nas Assembleias Legislativas, no Congresso e no Senado Federal  comprometidos  com a democracia,  garantindo os direitos  constitucionais de cada brasileiro(a)  na perspectiva  de ampliar as nossas conquistas políticas, econômicas, sociais e ambientais  asseguradas na nossa Constituição de 1988 , construída  com uma  efetiva participação da sociedade  brasileira nas praças e  nas ruas, proclamada por Ulisses Guimarães em 1988,  quando em alto e bom som declarou que os traidores  da  Constituição  são os traidores da Pátria, são  os traidores  do povo brasileiro.