segunda-feira, 13 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Elucidação de homicídios é frustrante no Brasil

Por O Globo

Apenas quatro em 10 assassinatos cometidos no país são esclarecidos, de acordo com os dados disponíveis

É decepcionante a constatação de que apenas quatro em cada dez homicídios dolosos cometidos entre 2023 e o fim de 2024 (ou 39%) tenham sido esclarecidos, de acordo com a última edição do relatório “Onde mora a impunidade?”, do Instituto Sou da Paz. O dado resulta de extensa pesquisa junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça estaduais, realizada desde 2017. A média nacional de elucidação de homicídios tem se mantido na faixa entre 30% e 40%. É muito pouco para um país que enfrenta grave crise de segurança pública, com a atuação crescente de facções criminosas por todo o território nacional.

Os Ministérios da Saúde e da Fazenda advertem, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Efeitos sociais e econômicos das bets impõem desafio de restringir a atividade

É difícil encontrar hoje em dia quem não tenha conhecimento de pelo menos um caso de drama pessoal e familiar envolvendo o vício em bets. Também nos últimos tempos têm sido frequentes as queixas de empresários e executivos sobre os danos que as apostas têm causado aos seus negócios.

Em 2025, as bets arrecadaram quase R$ 37 bilhões, já descontados os valores pagos para os vencedores das apostas. Os dados são da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda - para quem não sabe, temos um órgão na área econômica, com o mesmo status da Receita Federal e do Tesouro Nacional, especializado em autorizar e fiscalizar bets. Segundo a SPA, 25,2 milhões de CPFs fizeram apostas no ano passado, utilizando, para isso, mais de 100 milhões de contas ativas nas empresas.

O Banco Central entre Delfos e Ulisses, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Para parte dos analistas, BC é refém da transparência que promoveu no período recente

O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga vai ajudar o Federal Reserve (Fed) a rever sua comunicação, dentro de uma força-tarefa criada pelo seu chairman, Kevin Warsh, para avaliar seu arcabouço mais amplo de política monetária. As conclusões podem ajudar também o BC brasileiro, que tem se visto às voltas com questões semelhantes.

Um bom ponto de partida para uma discussão nos trópicos é um texto para discussão do ex-diretor de Política Econômica do BC Fábio Kanczuk. Sua opinião vale, em especial, porque ele estava na cabine de comando na única vez que o Brasil chegou ao limite da baixa de juros, na pandemia, e teve que lançar mão da comunicação para cumprir a meta.

Kanczuk vê vantagens em o BC comunicar o que vai fazer no futuro, mas acha que o instrumento só deve ser usado se o mercado for maduro o suficiente para entendê-lo. Antes de entrar na sua visão, porém, é preciso dar um contexto das discussões.

O Ocidente está dobrando à direita, por Sergio Fausto

O Estado de S. Paulo

O mapa político europeu não está cristalizado. Mas a direção dos ventos – alguém diria o ‘espírito do tempo’ – é clara

Olhe-se para a nossa vizinhança ou para a Europa, a extrema direita avança. Na América do Sul, nas três eleições ocorridas até aqui em 2026, venceram candidatos desse naipe político (Chile, Peru e Colômbia). A tendência é semelhante no velho continente.

Em Portugal, o partido da extrema direita, o Chega, conquistou o segundo maior número de cadeiras da Assembleia da República nas eleições parlamentares de 2025. No Reino Unido, outro país que até recentemente parecia imune à ascensão da extrema direita, o Reform UK lidera todas as pesquisas de opinião.

Na Espanha, o longo ciclo de poder de Pedro Sánchez entrou em fase terminal. Quem cresce é o partido da extrema direita, o Vox. O partido tradicional da direita, o Partido Popular (PP), depende cada vez mais da extrema direita. Nas quatro Comunidades Autônomas em que houve eleições este ano, o PP só conseguiu obter maioria parlamentar depois de aceitar representantes e reivindicações do Vox na formação do governo. É um sinal do que deve ocorrer nas eleições marcadas para 2027. Nesse processo, a direita tradicional se aproxima do nacionalismo xenófobo e protofascista, normalizando-o.

A farra das emendas, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Mas quem paga o preço eleitoral dos escândalos com as emendas? Ninguém, na verdade

Emendas Pix, de bancada, comissão ou mesmo as individuais dos parlamentares: o orçamento secreto pode estar morto no nome, mas a farra da destinação de dezenas de bilhões de reais com critérios obscuros pelo Congresso Nacional continua. Nunca foi algo popular como ideia, ainda que se argumente que quando o dinheiro chega na ponta, na forma de obras vistosas na base eleitoral, ajuda a eleger deputados e prefeitos – perpetuando os mesmos grupos de sempre no poder local e em Brasília. Uma pesquisa Genial/Quaest realizada no ano passado mostrou que 82% dos entrevistados associavam as emendas parlamentares à corrupção, duvidando que os recursos tivessem o destino correto.

A dança dos vices, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

 Candidatos devem ir além de seu escopo inicial, tendo como objetivo conquistar o grande público, sob o risco de não decolarem ou não ameaçarem o mais competitivo

Normalmente, a escolha de vice-presidentes numa disputa eleitoral reveste-se de uma certa liturgia, principalmente por indicar a segunda pessoa em importância na hierarquia republicana, alguém que, no impedimento do presidente, vem a galgar o maior cargo nacional. Não se trata de uma opção qualquer na medida em que, precisamente, indica para a continuidade daqueles que mantêm o poder durante o mandato estipulado. Não é, neste sentido, fruto do acaso.

Ademais, essa escolha obedece a critérios políticos, dentre os quais: 1) representatividade partidária, ampliando a coligação eleitoral; 2) potencial na captação de novos eleitores; 3) influência na arrecadação de recursos; 4) não comprometimento com a corrupção; 5) vir de uma região ou Estado que seja capaz de agregar maior votação; e 6) ser de uma religião ou de sexo que faça a diferença na disputa, apontando para um determinado público.

Como o Congresso da UNE caiu em 1968, por Miguel de Almeida

O Globo

Polícia acabou informada não por seus espiões, mas por um lavrador

O dia mal amanhecera em 12 de outubro de 1968, um sábado, quando 150 policiais surgiram na mata a 25km do centro de Ibiúna, interior de São Paulo. Caía uma chuva intermitente. A lama na estrada íngreme fizera a tropa abandonar as viaturas no caminho principal. Percorreram 10km a pé. Quando avistaram o acampamento, deram tiros para o alto aos gritos:

— Não reajam, vamos atirar para matar.

Cercaram as barracas de lona e prenderam 800 jovens. Era o final melancólico do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Paulistas querem chamar a polícia, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Segurança pública exige mais policiamento. A resposta é simples, mas cara e de difícil implementação

Está em andamento um amplo debate sobre segurança pública no país. Muitas ideias estão na mesa, como a criação de um ministério específico e variados projetos de leis e emendas constitucionais. Tratam de redefinição de crimes, aumento de penas, nova classificação das facções e assim por diante. Não são discussões inúteis, mas a população se preocupa com coisas bem mais simples.

O Datafolha obteve uma boa amostra em pesquisa feita com moradores do estado de São Paulo, divulgada na semana passada. O instituto perguntou: qual o maior problema de segurança pública? Resposta majoritária: a falta de policiamento efetivo nas ruas. Assim responderam 20% dos paulistas.

Brasil não pode viver asfixia digital, por Irapuã Santana

O Globo

Equilibrar a necessária governança da internet sem criar mais dificuldades para o crescimento da produtividade é um desafio

Desde o ano passado, diversos debates sobre o projeto do Novo Código Civil têm atraído a atenção do mundo jurídico. A nova lei causa impacto na vida de todo mundo, porque regerá a forma como acordos privados são feitos diariamente. Quando fazemos sinal para um ônibus no ponto, celebramos um contrato de transporte. Se pegamos um carrinho do supermercado para fazer as compras, surge um contrato de comodato, e por aí vai.

O código atual foi publicado em 2002, mas começou a ser elaborado em 1975, na ditadura militar. Ele era recém-nascido, mas parecia Benjamin Button. Para relembrarmos, a internet era discada, os celulares eram usados apenas para ligações e SMS, YouTube, Facebook e Instagram nem sonhavam em surgir, e o finado Orkut só viria a aparecer em 2004.

O teorema de Buscetta: 'mob lawyers' e facções judiciais, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Caso Master e escândalo do Rio de Janeiro revelam estrutura de proteção institucional ao crime

Integrantes da própria comunidade jurídica atuam em múltiplos níveis em casos de corrupção

É assustador assistir à crescente interpenetração entre a corrupção política e a criminalidade violenta em nosso país. Referindo-se ao escândalo Master, o ministro André Mendonça afirmou: "Aqui há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado, mafioso... Não é simplesmente um crime de colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores ... que praticaram fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro".

Antirracismo é jogo de ganha-ganha, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Ações voltadas à promoção da equidade étnico-racial produzem efeito benéfico à sociedade brasileira como um todo

Falar sobre medidas de enfrentamento ao racismo e seus efeitos perversos e injustos ainda é algo visto como chororô ou mimimi

O que podemos fazer para que o Brasil seja mais justo? Essa indagação é feita no início do livro "Guia da Gestão Pública Antirracista", publicação escrita de maneira colaborativa por cinco importantes pesquisadores (Clara Marinho, Ellen da Silva, Giovani Rocha, Karoline Belo e Michael França), que se debruçaram sobre o tema numa imersão na Universidade de Oxford, em 2024.

Para além de questionar práticas carregadas de preconceito e discriminação adotadas no setor público, que resultam em exclusão de um segmento específico da população brasileira, a obra joga luz sobre o óbvio que muitos ainda não aceitam: "Ao erguer aqueles marginalizados, não apenas corrigimos injustiças, mas levantamos uma nação inteira", afirmam os pesquisadores.

Quer ser empregado de um robô? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Robôs já são capazes de fazer tudo, exceto pinçar um pelo encravado ou descascar uma banana

Para isso, uma empresa de IA criou um serviço para eles: Rent a Human, ou Alugue um Humano

Estava demorando. Depois de aprender a fazer em microssegundos operações que levariam uma eternidade para um humano, os robôs estão se aventurando agora naquelas que são naturais para nós, mas, por enquanto, inalcançáveis para eles. Exemplo: "Hei, Robby, me traz um café!".

O futuro não é destino, por Tostão

Folha de S. Paulo

Seleção e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol

Existe uma carência de bons laterais, falta um craque no meio campo e na posição de centroavante

Neste momento de decepção, de mais um fracasso da seleção brasileira, pois criamos uma enorme expectativa muito acima da realidade, surgem os discursos românticos, ilusórios, perdidos no tempo, de que o futebol brasileiro precisa voltar às origens, aos anos 60 e 70, e passar a jogar o futebol arte, de dribles, improvisações, sem disciplina tática. Dribles é que não faltam. Precisamos associa-los ao jogo coletivo, de mais trocas de passes e de domínio da bola e do jogo. A seleção brasileira e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol.

Eleições 2026 e a Afirmação da Democracia no Brasil. Quais os desafios? Por George Gurgel*

As eleições  de 2026 no Brasil desafia a sociedade  democrática  brasileira a eleger uma presidência da República,  uma bancada de parlamentares nas Assembleias Legislativas, no Congresso e no Senado Federal  comprometidos  com a democracia,  garantindo os direitos  constitucionais de cada brasileiro(a)  na perspectiva  de ampliar as nossas conquistas políticas, econômicas, sociais e ambientais  asseguradas na nossa Constituição de 1988 , construída  com uma  efetiva participação da sociedade  brasileira nas praças e  nas ruas, proclamada por Ulisses Guimarães em 1988,  quando em alto e bom som declarou que os traidores  da  Constituição  são os traidores da Pátria, são  os traidores  do povo brasileiro.