segunda-feira, 27 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Gravações em presídios para combater as facções

Por Folha de S. Paulo

Dispositivo legal que permite monitoramento de conversas de presos é medida essencial em segurança pública

A Lei Antifacção autoriza a gravação de conversas entre detentos vinculados a facções, grupos paramilitares ou milícias e seus visitantes

A expansão do crime organizado no Brasil é indissociável do controle que esses grupos exercem nos presídios, inclusive comandando, de dentro dessas instalações, atividades ilícitas externas.

Assim, realizar grandes operações policiais e prender infratores, mesmos os líderes desses grupos, não é suficiente. A inteligência investigativa passa a ser ainda mais importante.

A Lei Antifacção, aprovada em fevereiro, avança nesse sentido com dispositivos que permitem a gravação de conversas entre presos "vinculados a organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas e os seus visitantes". O monitoramento pode ser requerido pelo delegado de polícia, pelo Ministério Público ou pela administração penitenciária.

Campanhas curtas protegem quem já tem mandato, por Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Dez anos depois, campanhas mais curtas não reduziram os custos e ampliaram a desigualdade entre incumbentes e desafiantes

Mudança acentuou a desigualdade entre incumbentes, aqueles que estão exercendo mandato eletivo, e desafiantes

Neste final de semana aconteceram as primeiras convenções partidárias do ciclo eleitoral de 2026. Elas podem ser realizadas até 5 de agosto e os partidos podem registrar suas candidaturas até 15 de agosto. A campanha eleitoral oficial, com propaganda, só começa em 16 de agosto. A propaganda no rádio e na televisão, ainda mais tarde, em 28 de agosto.

O calendário ajuda a entender por que, faltando pouco mais de dois meses para a eleição, ainda se discute quem ocupará a vice na chapa de Flávio Bolsonaro e se outros partidos o apoiarão formalmente.

Para candidatos conhecidos, e especialmente postulantes a cargos majoritários, tudo vira notícia e negociação, até bate-boca em família. Para quem tenta conquistar pela primeira vez uma cadeira na Câmara, no Senado ou nas assembleias estaduais, cada semana perdida significa menos tempo para se apresentar ao eleitor.

A nova armadilha institucional, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Quanto maior a rejeição a cada um dos polos, mais necessário o outro parece aos seus seguidores

Democracia se encontra em modo sobrevivência e competição democrática deixou de produzir renovação

Vista em perspectiva histórica, a atual eleição presidencial é singular. De um lado, o presidente da República, aos 80 anos, disputa a reeleição depois de exercer a liderança de um partido por quase meio século. Há casos de outsiders que chegaram ao poder em idade avançada (ex. Trump), mas a dependência em relação a uma única liderança é excepcional nas democracias atuais.

Do outro lado, temos o candidato-substituto de um clã familiar, escolhido porque o titular se encontra encarcerado por seu envolvimento em uma conspiração. Seu apoio deriva, em larga medida, da chancela paterna e do que chamo de voto por exclusão.

Brasil tem encontro marcado com o passado na Pequena África, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

O mês de julho tem se mostrado um período de tomada de decisões importantes para a reparação histórica e a preservação da memória da escravização no Brasil

Cento de Interpretação e Memória Africana no Complexo do Valongo deverá promover um encontro do Brasil com um passado que precisa ser lembrado e jamais reprisado

Para além da mobilização política em torno da luta das mulheres negras contra o racismo e o sexismo, o destino tem feito do sétimo mês do ano um período de tomada de decisões importantes para a reparação histórica e a preservação da memória da escravização no Brasil.

As tarifas dos EUA contra o Brasil são um erro estratégico, por Luiz Inácio Lula da Silva*

Washington Post (26/07/2026)

Há um ano, fui surpreendido pela publicação, em uma plataforma digital, de carta do Presidente Donald Trump que impunha tarifa de 50% a produtos brasileiros. A menção, logo no primeiro parágrafo, ao ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil — deixava explícita a motivação política da medida.

Nos diálogos que mantive com Trump desde então ressaltei que não é necessário compartilhar as mesmas visões de mundo para buscar relação mutuamente benéfica entre nossos países. Afinal, somos líderes das duas maiores democracias e economias das Américas. Negociações entre nós e decisões da Suprema Corte dos EUA desmontaram a primeira versão do tarifaço.

Mas este mês, desconsiderando dezenas de reuniões entre nossas equipes, sólidos argumentos técnicos e documentos que entreguei pessoalmente ao próprio Trump, o governo norte-americano decidiu adotar novas tarifas contra o Brasil que vão de 12,5% a 37,5%. Como resultado, a Global Trade Alert, organização independente baseada na Suíça, estima que o Brasil e a Turquia são hoje os segundos países mais tarifados pelos Estados Unidos, depois apenas da China. E isso apesar do superávit norte-americano no comércio bilateral de bens e serviços, que ao longo de quinze anos consecutivos acumula 428 bilhões de dólares.