sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O momento do México e do Brasil, Roberto Velasco Álvarez *

Correio Braziliense

A dimensão de Brasil e México implica uma responsabilidade compartilhada diante dos desafios de nosso tempo: combater a pobreza, a desigualdade e as mudanças climáticas, defender a democracia e preservar o multilateralismo

Na manhã de 6 de agosto, reuni-me, em nome da presidenta Claudia Sheinbaum, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Coincidimos em um ponto central: é momento de levar a colaboração entre nossos países a um novo nível. Nesse mesmo dia, realizou-se a sexta reunião da Comissão Binacional México-Brasil, três anos após a quinta, em um intervalo que transformou a ordem internacional.

O Brasil e o México são as duas maiores economias e as duas nações mais populosas da América Latina e do Caribe. Concentramos cerca de 60% do PIB regional, figuramos entre as 15 maiores economias do mundo e fazemos parte do G20. Essa dimensão implica responsabilidade compartilhada diante dos desafios de nosso tempo: combater a pobreza, a desigualdade e as mudanças climáticas, defender a democracia e preservar o multilateralismo.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tirar do ar lives do Discord foi medida desproporcional

Por O Globo

Suicídio induzido expôs omissão da plataforma, mas ANPD agiu de modo intempestivo para agradar Janja

A morte de uma menina de 13 anos na pequena Naviraí (MS) deu realidade aos piores temores dos pais de adolescentes. As investigações revelaram que ela foi induzida a se mutilar e ao suicídio por um grupo reunindo um jovem de 18 anos e cinco adolescentes durante transmissão ao vivo na plataforma Discord. Diferente de uma rede social convencional, o Discord oferece a possibilidade de abrir canais privados com ferramentas de comunicação por voz, vídeo, texto ou transmissões ao vivo (lives).

A repercussão do caso foi tão grande que a primeira-dama Janja Lula da Silva exigiu que o Discord fosse “imediatamente” retirado do ar. Menos de uma semana depois, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu as transmissões ao vivo e recursos de compartilhamento de vídeo da plataforma no Brasil.

Antipetismo visceral alimenta o servilismo a Donald Trump, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Simpatias de brasileiros ao americano concentram-se no bolsonarismo, mas não apenas

Viés ideológico embasa atitudes antinacionais e trânsfugas diante de ameaças ao Brasil

Embora possa causar algum espanto, parcela considerável de brasileiros vê com simpatia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem atacando o país com tarifas comerciais disparatadas e pressões políticas com vistas a interferir nas eleições.

Os apoiadores mais despudorados filiam-se à direita truculenta bolsonarista. Mas há também, talvez mais velados, simpatizantes provenientes de setores liberais conservadores e defensores das pautas das big techs. Entre esses, gente que frequentou boas escolas, teve acesso a leituras e a situação econômica privilegiada. Atestam, em seu transfugismo, quão invertebrados podem ser certos representantes das elites brasileiras.

Crise Dilma nos lembra de que é preciso acordar antes da hora do pesadelo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo ruim, política horrível e azares resultaram em ruína que assombra país até hoje

Clima e economia mundial podem dificultar ainda mais conserto econômico necessário

Dilma Rousseff deu muita chance para o azar que degradou ainda mais a situação econômica e política a partir de 2014. Seu governo foi desastroso, mas Dilma teve azar de enfrentar a campanha para sua deposição, que começou assim que foram fechadas as urnas. A gente é tentada a dizer que é difícil a repetição das condições desse desastre que nos assombra até hoje, na economia e na política. Mas um pouco de cheiro de queimado dá medo de incêndio.

As taxas de juros aumentaram nos EUA. São a torneira do capital do mundo, que pode nos causar sedes. Estão nos níveis mais altos em cerca de 20 anos no caso dos prazos mais longos. Não há perspectiva de alta descabelada, mas estão em alturas que dificultam um tanto mais a nossa vida quanto a câmbio e juros. Crescemos pouco em anos de ambiente externo favorável. E se a maré vira?

Caneladas constitucionais, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo  

Alexandre de Moraes agora investe contra liberdade de informação

Foro especial pereniza tensões entre o STF e os outros Poderes

Alexandre de Moraes fez de novo. Sua mais recente canelada institucional foi contra o princípio da liberdade de informação e de imprensa. Ao que tudo indica, ele permitiu que a PF usasse dados de telefone apreendido com um jornalista para descobrir quem lhe via de fonte de informações, violando um sigilo que tem guarida constitucional. Ainda que a fonte tenha cometido um delito ao fornecer informações, os policiais não poderiam ter chegado a ela usando o jornalista como atalho. A investigação teria de ter sido feita por outro caminho.

As contas fechadas dos partidos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O nanico PCO caiu na rede das investigações da Polícia Federal sobre uso indevido de dinheiro público

Falta agora passar um pente-fino nos gastos das grandes legendas com verbas dos fundos eleitoral e partidário

O nanico Partido da Causa Operária (PCO) caiu na rede da Polícia Federal. O presidente e figura constante em eleições presidenciais, Rui Costa Pimenta, foi alvo de busca e apreensão na operação Causa Própria, cujo nome não poderia ser mais adequado.

Quando deputados e senadores aprovam matérias do interesse da corporação dizemos que legislam em causa própria. É o que fazem os partidos com as verbas públicas destinadas à sua sustentação.

A pirâmide virou pião, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Em breve, o Brasil terá mais idosos acima de 60 anos do que jovens abaixo de 15

A diferença é que os países desenvolvidos enriqueceram antes de envelhecer

O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista Margareth Dalcolmo. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida, com expectativa de vida de 78 anos".

A terceira via como escada, por Cláudio Carraly*

E como esta se tornou linha auxiliar da extrema-direita

Há um incômodo silencioso que percorre os eventos da centro-direita brasileira quando um nome da extrema-direita surge nas conversas de bastidor. Não é repulsa, é apenas um leve constrangimento. No dia a dia, esse doce constrangimento se dissolve em abraços, palcos compartilhados e uma sintonia de alvos que torna irrelevante qualquer diferença programática alegada. A terceira via, esse projeto político que em tese se apresentaria como alternativa tanto à esquerda quanto à direita irascível, tornou-se na prática linha auxiliar da extrema-direita.

O fenômeno não é brasileiro, mas aqui adquiriu contornos bem particulares. Na Europa, a dinâmica se deu principalmente por absorção programática; aqui, a terceira via optou por uma estratégia de fragmentação aparente: muitas candidaturas, os mesmos palcos, um único adversário real. O que está em curso não é uma disputa entre projetos de país. É uma divisão tática de trabalho político cujo efeito principal é deslocar, gradual e inexoravelmente, os limites do aceitável.