sexta-feira, 21 de agosto de 2026

SP vê disputa que o Brasil adiou, por Vera Magalhães

O Globo

Recusa de Lula e Bolsonaro em passar o bastão para Haddad e Tarcísio transfere para o Estado debate sobre os principais temas nacionais

À medida que a campanha se desenrola, vai ficando claro quanto a disputa travada em São Paulo entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad tem mais consistência programática do que aquela de que Lula e Flávio Bolsonaro se escondem e representa o que deveria ser a discussão nacional, não fossem os desígnios em grande medida personalistas do próprio petista e do pai e mentor do senador do PL.

Todo mundo lembra a profusão de vezes em que Lula disse, em 2022, que não disputaria a reeleição e que aquela seria uma eleição de “transição”, cuja circunstância principal era preservar a democracia e derrotar o bolsonarismo. Boa parte do poder de atração que teve sobre o eleitor liberal que já tinha prometido nunca mais votar no PT residiu nesse canto da sereia.

A farsa de Pablo Marçal, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Coach subiu no picadeiro para ajudar Flávio Bolsonaro e promover seus próprios negócios; registro deve ser negado pelo TSE

A nova aventura de Pablo Marçal está com os dias contados. Inelegível até 2032, o coach registrou a candidatura a presidente nos últimos minutos do prazo. Conseguiu tumultuar a disputa, mas deve ser barrado pelo TSE.

Com milhões de seguidores nas redes sociais, Marçal tem a receita para bagunçar o coreto. Em seis dias de campanha, berrou palavrões, insultou jornalistas e chorou num podcast.

Ele reapareceu a bordo de um factoide: declarou R$ 7 bilhões em patrimônio. Depois de ganhar as manchetes, alegou erro ao preencher um formulário. Quem o conhece identificou mais uma pegadinha para causar polêmica e reforçar a imagem de novo rico.

Sigilo de fonte está ameaçado, por Pablo Ortellado

O Globo

STF fez esforço para proteger Dino da acusação de uso indevido de carro funcional

O ministro Alexandre de Moraes deu ordem de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Almeida, que publicou reportagem denunciando uso indevido de carro funcional pela família do ministro Flávio Dino para deslocamentos particulares, inclusive ir à praia. A apreensão do celular dele resultou na violação de seu sigilo de fonte. A medida foi condenada pelos três grandes jornais (O GLOBO, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo) e pelas principais associações jornalísticas.

A investigação contra Luís Pablo foi aberta a pedido do próprio ministro Dino e inicialmente sorteada para o ministro Cristiano Zanin, mas em seguida redistribuída para Alexandre de Moraes sob alegação de que tinha conexão com o inquérito das fake news. Ao autorizar a busca, Moraes registrou que a conduta seguia “modus operandi semelhante” ao da organização criminosa ali investigada — como se uma reportagem sobre carro funcional equivalesse a um ataque à Corte.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Rediscutir diploma de jornalismo não tem cabimento

Por O Globo

Causa estranheza a questão ressurgir num momento em que Supremo está desgastado por notícias incômodas

A discussão sobre a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista é anacrônica. Está superada desde pelo menos 2009, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência por 8 votos a 1. Na ocasião, o STF entendeu que ela era inconstitucional, por violar as liberdades de expressão e informação. A tentativa de ressuscitar a questão agora não tem nexo lógico, sentido jurídico ou pertinência histórica numa sociedade que tanto lutou para restabelecer a democracia.

Inexistente em democracias maduras, a obrigatoriedade do diploma foi imposta no Brasil por decreto de 1969, em plena ditadura militar, com o objetivo indisfarçável de controlar quem poderia exercer a profissão. Há mais de 40 anos, felizmente, sopram no país ventos democráticos. Por isso causa estranheza que o debate tenha ressurgido no mesmo Supremo que extinguiu a exigência, em meio ao desgaste provocado na Corte pelo caso do blogueiro maranhense Luís Pablo — alvo de operações da Polícia Federal (PF) determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, sob acusação de perseguição ao ministro Flávio Dino. Nas investigações, Moraes determinou a quebra do sigilo das fontes de Pablo, em violação flagrante ao que ordena a Constituição.

Opinião do – Gilvan Cavalcanti (valores)

“Penso que ser de esquerda, hoje, seria incorporar os valores históricos dos quais ela nasceu: liberdade, democracia, justiça, igualdade, solidariedade, trabalho. Mas, também, acrescentar os novos valores, o abecê do novo século: cidadania, direitos, laicismo, inovação, criatividade, integração, mérito, multiculturalismo, oportunidade, segurança, sustentabilidade e internacionalização. Valores estes, consagrados na Constituição de 1988.

A época atual é tempo novo, em que o caráter da sociedade - modo de produzir, de consumo, de trabalho, de comunicação, relacionamento de conceber e organizar a vida individual e social - está se modificando profundamente. Em outras palavras, a esquerda deveria ser, na essência, do trabalho, do desenvolvimento sustentável, da cidadania e dos direitos civis, da criatividade, da meritocracia, do saber e da consciência, do indivíduo e laico, da democracia representativa, da integração mundial, interdependência, da paz e segurança.”

Cf. Gilvan Cavalcanti de Melo, "A esquerda democrática, compromisso com o futuro”, in O que é ser esquerda, hoje? org. Francisco Inácio Almeida, Editora. Contraponto e Fundação A. Pereira, Rio de Janeiro-Brasília, 2013, p.268