quarta-feira, 14 de outubro de 2026

No fôlego aberto por Kassio Nunes, luta interna do PL se agrava, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

No início das 48h para a volta do ‘Exército do Lula’, PL lava roupa suja em público sobre estratégia digital de Flávio Bolsonaro

No mesmo dia em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal “Exército do Lula” do WhatsApp, decisão revista seis horas depois, o influenciador Paulo Figueiredo mostrou, em seu programa no YouTube, números sobre o alcance digital do PT que estão a assustar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo Figueiredo, entre 10 e 11 de outubro, canais de esquerda fizeram 32 mil publicações nas redes sociais com 80,7 milhões de curtidas e comentários a partir da padroeira do Brasil e as manifestações de rua. No mesmo período, os canais de direita fizeram 1,3 mil publicações, ou 23 vezes menos, como frisou, que tiveram 22,2 milhões de curtidas e comentários a partir dos mesmos temas.

Enfim, Lula tenta ganhar votos do adversário, por César Felício

Valor Econômico

Municípios com maior proporção de empreendedores individuais votaram maciçamente no candidato do PL

Ao anunciar perdão de dívidas, Pix de R$ 5 mil e aumento do limite para o enquadramento de Microempreendedores individuais (MEI), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu fazer um aceno ao eleitorado do adversário, a apenas 12 dias do segundo turno. O resultado da eleição presidencial no primeiro turno é eloquente neste sentido.

Existem 13,7 milhões de MEIs no Brasil, com faturamento anual de até R$ 81 mil, de acordo com dados do Sebrae coletados pelo Valor Data. Pelas regras fiscais brasileiras, uma pessoa física só pode ter um MEI, portanto não erra muito quem estimar que praticamente 10% dos eleitores é passageiro desta nave (o total do eleitorado nacional é de 158 milhões).

Após freio de arrumação, Lula vai para o tudo ou nada, por Fernando Exman

Valor Econômico

Melhora dos indicadores econômicos traz alívio, mas governo mantém cautela

A esta altura, resta ao PT olhar cada um dos cerca de dez dias até o segundo turno como um “jogo de seis pontos”. A expressão é usada no esporte para descrever uma partida entre duas equipes que estão muito próximas na tabela na etapa final de um campeonato, seja para disputar o título ou na luta para evitar o rebaixamento. Nesse tipo de confronto direto, quando uma equipe conquista três pontos para si também impede que a outra some três pontos. Na prática, há uma virtual oscilação de seis pontos, o que permite uma arrancada ou uma ultrapassagem.

Para quem Flávio está mentindo? Por Vera Magalhães

O Globo

Mudança em relação ao fim da escala 6 x 1 e promessa de não mexer em benefícios sociais contrastam com promessa de corte de R$ 200 bilhões

Flávio Bolsonaro promete ao mercado financeiro um ajuste fiscal de cerca de R$ 200 bilhões nos primeiros 18 meses de governo. Aos eleitores, garante que não cortará benefícios sociais, não mexerá nas aposentadorias nem reduzirá recursos para saúde e educação. Ontem, foi além: anunciou voto favorável ao fim da escala 6x1 e prometeu que o governo compensará os empresários pelos custos da medida.

É difícil que todas essas promessas sejam cumpridas. Ou ele vende ao mercado um ajuste que não pretende fazer, ou esconde dos eleitores os sacrifícios que pretende impor. Nenhuma das hipóteses é tranquilizadora, e ambas podem ser traduzidas como estelionato eleitoral.

As convicções elásticas de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Antes de aderir ao fim da escala 6x1, senador renegou críticas a Bolsa Família e Farmácia Popular

Depois de meses repetindo o discurso do capital, Flávio Bolsonaro resolveu votar a favor do trabalho. Ou melhor, da redução da jornada de trabalho.

Em maio, o candidato do PL descreveu a proposta de acabar com a escala 6x1 como “inoportuna e eleitoreira”. Acrescentou que a ideia teria “grande carga de hipocrisia” e causaria “desemprego em massa”.

Ontem ele abandonou a ladainha e informou que passou a apoiar o texto. “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem (sic) o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor”, declarou.

Fim da escala 6x1 venceria no primeiro turno, por Renato Meirelles

O Globo

Mudança é apoiada por mais de sete em cada dez brasileiros

Mais de sete em cada dez brasileiros apoiam a mudança, uma votação que nem Lula nem Flávio Bolsonaro conseguiram. A proposta é maior do que os dois. E talvez seja justamente por isso que esteja mudando a conversa nesta reta final.

Imagine dona Beatriz, caixa de supermercado, casada com seu João, vigilante de shopping. Os dois trabalham seis dias por semana. Ela folga na terça, ele na quinta. Um domingo dos dois juntos virou luxo. Quando Beatriz descansa, lava roupa, vai ao posto de saúde, resolve a conta atrasada. João sai para trabalhar. Se alguém lhes perguntar sobre a economia, talvez respondam falando do preço do arroz. Se a pergunta for sobre a escala 6x1, responderão sobre a vida que gostariam de ter.

Kassio precisa proteger a Justiça da má fama, por Elio Gaspari

O Globo

O presidente do TSE foi com muita sede ao pote

O Judiciário brasileiro nunca esteve com a má fama de hoje. Não precisa piorar. Depois do vexame da censura contra o “Exército de Lula”, o ministro Kassio Nunes Marques terá aprendido que sua caneta não tem tanta tinta quanto gostariam os bolsonaristas.

Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou calar o canal de propaganda “Exército de Lula” (4 milhões de seguidores). Atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusava o canal de divulgar notícias falsas.

O ministro viu-se contrariado pelo corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, um magistrado que atravessa incólume o annus horribilis do Judiciário brasileiro. Derrubada a censura, Nunes Marques pediu à área técnica do TSE que examinasse as postagens da plataforma.

A promessa de Flávio para a Faria Lima, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Senador promete menos aloprados e mais Posto Ipiranga, mas descumpre o que diz e não vai a debate

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem conversado muito com a Faria Lima. A portas fechadas, o senador diz que, se for eleito para a cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva, comporá um governo com mais técnicos e menos radicais em áreas estratégicas como Saúde, Educação e até Itamaraty.

Depois do bordão “menos Janja e mais Alckmin” que virou mote da reunião do PT na qual o partido foi para o divã ao discutir por que Flávio passou Lula no primeiro turno, um aliado do senador adotou a mesma linha. “Menos aloprados e mais Posto Ipiranga”, disse o interlocutor de Flávio, sob reserva. Apesar de declarações que provocam desconfiança, como a da necessidade de mudar a Constituição para “redemocratizar o País”, Flávio tenta afastar o medo de que, caso chegue ao Planalto, seu governo será tomado por discípulos de Olavo de Carvalho.

O ajuste fiscal da direita, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Governos na Argentina e Colômbia apostaram, de imediato, num ajuste profundo das contas

Olha o que o Milei fez! É assim – lembrando o austero programa de redução de gasto público do presidente argentino Javier Milei – que alguns analistas vêm descrevendo, nos últimos dias, suas expectativas sobre a magnitude do ajuste fiscal em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Mas há quem também esteja olhando para o que acontece na Colômbia sob o comando de Abelardo De la Espriella, um advogado milionário de extrema direita, vitorioso numa apertada eleição presidencial em junho.

O que a mídia | Editoriais \ Opiniões

Esgota-se o modelo de estímulo ao consumo

Por Folha de S. Paulo

Premidas por dívidas, famílias reduzem ritmo de alta das compras desde 2025, e tendência deve seguir

Gastos inflados por Lula manterão juros sufocantes; momento do ajuste, adiado neste ano eleitoral, virá no próximo governo

Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis.

Entre 2021 e 2025, segundo o IBGE, o consumo privado avançou em média 3,3% ao ano, com pico de 5,1% em 2024. Em 2025, o ritmo já caiu para 1,3%, e a expectativa é de somente 1% neste ano e ainda menos no próximo.

Plano viável de um Bolsonaro 2 depende de mais imposto e de algum estelionato eleitoral, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Programa de contenção de despesa de Flávio exigiria ainda corte de gasto tributário

Medidas fariam com que classes de renda mais alta e certas empresas pagassem mais tributos

Existem em tese meios de fazer com que o plano de Flávio Bolsonaro (PL) para as contas públicas faça algum sentido. Tais medidas exigem, na prática, um aumento de imposto, além de programa técnica e politicamente complexo, mas essencial, de revisão geral de despesas.

Pelo menos na parte que vazou, o plano não faz sentido. Sem golpe, não é possível conter o aumento do gasto em R$ 200 bilhões em um ano, mesmo que o candidato cometa estelionato eleitoral e mexa no reajuste do salário mínimo, no valor dos benefícios sociais e em gastos com saúde e educação, o que promete não fazer. Com estelionato eleitoral moderado, competência técnica e apoio político, seria possível executar esse plano de contenção de gastos em alguns anos.

Jair Bolsonaro subirá a rampa com Flávio? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Algum tipo de perdão aos golpistas já parece contratado

Pizza reverteria importante avanço institucional do país

Não sei se Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto ao lado de Flávio. Há muitos senões em torno dessa previsão. O principal é que o jovem Bolsonaro, embora seja o favorito na disputa presidencial, ainda não venceu. Existe, portanto, a possibilidade de o próprio Flávio jamais subir a malfadada rampa.

Eu receio, porém, que algum tipo de perdão a Jair e aos generais condenados por tentativa de golpe já esteja contratado, mesmo que Lula ganhe. A confirmar-se essa tendência, o país reverterá o que talvez seja o maior avanço institucional das últimas décadas, que foi ter rompido a tradição de não responsabilizar militares que atentam contra a ordem constitucional.

TSE se junta ao STF no foco da desconfiança na Justiça, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Justiça Eleitoral se desvia do papel de arbitragem para assumir o lugar de protagonista na disputa política

Malandragem dos políticos não autoriza os juízes a embarcar na dinâmica da desfaçatez geral e irrestrita

A Justiça Eleitoral existe, em suma, para organizar os pleitos e garantir a igualdade de condições dos candidatos. Nessa condição, distorce as próprias funções quando, como agora, assume o papel de protagonista numa eleição.

Ressalve-se, de início, que isso se deve em boa medida à necessidade de lidar com o mundo novo das ferramentas tecnológicas e do uso malandro que as campanhas fazem delas com o abuso de notícias falsas para desacreditar o adversário.

Como virar votos quando ninguém quer mudar de lado? Por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Quando o voto é também veto ao adversário, mudar pode significar romper lealdades

Lealdades políticas, custos psicológicos e anos de hostilidade dificultam a tarefa de Lula

Se conquistá-los já é difícil, imagine virar votos. Ainda mais em certas circunstâncias que se empilham nesta eleição.

Primeiro, quando o voto e o veto se equivalem. Quer dizer, quando há praticamente um empate entre o percentual de votos obtido por um lado e o de rejeição do adversário. E vice-versa. Assim, quem tentar mudar um voto vai ter que lidar com algo muito profundo: a decisão do eleitor de não votar naquele candidato de jeito nenhum.

Quando as pessoas escolhem com base nas características dos candidatos ou nas políticas públicas que oferecem, há sempre a possibilidade de mudar uma ponderação por conta da propaganda, de informações novas, da conversa política cotidiana. Mas quando se vota em um candidato para evitar que o outro ganhe, a perspectiva de mudança é mais complicada.