quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A promessa de Flávio para a Faria Lima, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Senador promete menos aloprados e mais Posto Ipiranga, mas descumpre o que diz e não vai a debate

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem conversado muito com a Faria Lima. A portas fechadas, o senador diz que, se for eleito para a cadeira hoje ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva, comporá um governo com mais técnicos e menos radicais em áreas estratégicas como Saúde, Educação e até Itamaraty.

Depois do bordão “menos Janja e mais Alckmin” que virou mote da reunião do PT na qual o partido foi para o divã ao discutir por que Flávio passou Lula no primeiro turno, um aliado do senador adotou a mesma linha. “Menos aloprados e mais Posto Ipiranga”, disse o interlocutor de Flávio, sob reserva. Apesar de declarações que provocam desconfiança, como a da necessidade de mudar a Constituição para “redemocratizar o País”, Flávio tenta afastar o medo de que, caso chegue ao Planalto, seu governo será tomado por discípulos de Olavo de Carvalho.

O ajuste fiscal da direita, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Governos na Argentina e Colômbia apostaram, de imediato, num ajuste profundo das contas

Olha o que o Milei fez! É assim – lembrando o austero programa de redução de gasto público do presidente argentino Javier Milei – que alguns analistas vêm descrevendo, nos últimos dias, suas expectativas sobre a magnitude do ajuste fiscal em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Mas há quem também esteja olhando para o que acontece na Colômbia sob o comando de Abelardo De la Espriella, um advogado milionário de extrema direita, vitorioso numa apertada eleição presidencial em junho.

O que a mídia | Editoriais \ Opiniões

Esgota-se o modelo de estímulo ao consumo

Por Folha de S. Paulo

Premidas por dívidas, famílias reduzem ritmo de alta das compras desde 2025, e tendência deve seguir

Gastos inflados por Lula manterão juros sufocantes; momento do ajuste, adiado neste ano eleitoral, virá no próximo governo

Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis.

Entre 2021 e 2025, segundo o IBGE, o consumo privado avançou em média 3,3% ao ano, com pico de 5,1% em 2024. Em 2025, o ritmo já caiu para 1,3%, e a expectativa é de somente 1% neste ano e ainda menos no próximo.

Plano viável de um Bolsonaro 2 depende de mais imposto e de algum estelionato eleitoral, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Programa de contenção de despesa de Flávio exigiria ainda corte de gasto tributário

Medidas fariam com que classes de renda mais alta e certas empresas pagassem mais tributos

Existem em tese meios de fazer com que o plano de Flávio Bolsonaro (PL) para as contas públicas faça algum sentido. Tais medidas exigem, na prática, um aumento de imposto, além de programa técnica e politicamente complexo, mas essencial, de revisão geral de despesas.

Pelo menos na parte que vazou, o plano não faz sentido. Sem golpe, não é possível conter o aumento do gasto em R$ 200 bilhões em um ano, mesmo que o candidato cometa estelionato eleitoral e mexa no reajuste do salário mínimo, no valor dos benefícios sociais e em gastos com saúde e educação, o que promete não fazer. Com estelionato eleitoral moderado, competência técnica e apoio político, seria possível executar esse plano de contenção de gastos em alguns anos.

Jair Bolsonaro subirá a rampa com Flávio? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Algum tipo de perdão aos golpistas já parece contratado

Pizza reverteria importante avanço institucional do país

Não sei se Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto ao lado de Flávio. Há muitos senões em torno dessa previsão. O principal é que o jovem Bolsonaro, embora seja o favorito na disputa presidencial, ainda não venceu. Existe, portanto, a possibilidade de o próprio Flávio jamais subir a malfadada rampa.

Eu receio, porém, que algum tipo de perdão a Jair e aos generais condenados por tentativa de golpe já esteja contratado, mesmo que Lula ganhe. A confirmar-se essa tendência, o país reverterá o que talvez seja o maior avanço institucional das últimas décadas, que foi ter rompido a tradição de não responsabilizar militares que atentam contra a ordem constitucional.

TSE se junta ao STF no foco da desconfiança na Justiça, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Justiça Eleitoral se desvia do papel de arbitragem para assumir o lugar de protagonista na disputa política

Malandragem dos políticos não autoriza os juízes a embarcar na dinâmica da desfaçatez geral e irrestrita

A Justiça Eleitoral existe, em suma, para organizar os pleitos e garantir a igualdade de condições dos candidatos. Nessa condição, distorce as próprias funções quando, como agora, assume o papel de protagonista numa eleição.

Ressalve-se, de início, que isso se deve em boa medida à necessidade de lidar com o mundo novo das ferramentas tecnológicas e do uso malandro que as campanhas fazem delas com o abuso de notícias falsas para desacreditar o adversário.

Como virar votos quando ninguém quer mudar de lado? Por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Quando o voto é também veto ao adversário, mudar pode significar romper lealdades

Lealdades políticas, custos psicológicos e anos de hostilidade dificultam a tarefa de Lula

Se conquistá-los já é difícil, imagine virar votos. Ainda mais em certas circunstâncias que se empilham nesta eleição.

Primeiro, quando o voto e o veto se equivalem. Quer dizer, quando há praticamente um empate entre o percentual de votos obtido por um lado e o de rejeição do adversário. E vice-versa. Assim, quem tentar mudar um voto vai ter que lidar com algo muito profundo: a decisão do eleitor de não votar naquele candidato de jeito nenhum.

Quando as pessoas escolhem com base nas características dos candidatos ou nas políticas públicas que oferecem, há sempre a possibilidade de mudar uma ponderação por conta da propaganda, de informações novas, da conversa política cotidiana. Mas quando se vota em um candidato para evitar que o outro ganhe, a perspectiva de mudança é mais complicada.

Poesia | Navegue, de Fernando Pessoa

 

Música | Paulinho da Viola : Tiny Desk Brasil