quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Corrida maluca, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Lula e Flávio Bolsonaro prometem mundos e fundos e sacrificam princípios

Disputa cria gramática de cinismo que favorece quem tem retórica antissistema

Ainda bem que a campanha do segundo turno presidencial é curta. Não creio que os cofres públicos resistiriam a mais algumas semanas de medidas desesperadas de Lula tentando reverter um quadro eleitoral que lhe é adverso. Do primeiro turno para cá, o petista já anunciou desoneração de combustíveis, expansão do Pé-de-Meia universitário e uma série de benefícios para microempreendedores. Estamos falando de gastos da ordem de algumas dezenas de bilhões de reais neste e no próximo ano.

Tamanho de bancada não assegura hegemonia no Congresso, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Crescimento do PL não é fator de maioria segura, muito menos dá ao partido o domínio do Parlamento

Centrão encolheu, mas o apetite e a expertise política das legendas no jogo do poder não diminuíram

Um clima de alarmismo ronda as expectativas a respeito do que será o Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Antes de nos entregarmos ao catastrofismo por causa do tamanho das bancadas conquistadas pelo PL, convém lembrar de como as coisas funcionam naquele chão de fábrica.

Flávio Bolsonaro não consegue dissipar minhas suspeitas, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Defesa da ditadura e promessa de reabilitar o pai suscitam dúvidas sobre seu compromisso democrático

Divergências políticas são aceitáveis; o respeito ao Estado de Direito não é negociável

Certamente não são pessoas como eu que Flávio Bolsonaro tenta convencer por meio de posts, discursos, sabatinas e debates. De resto, com a minha aversão ao gregarismo ideológico e o meu natural ceticismo, não devo mesmo ser o público-alvo de qualquer campanha.

Afinal, meu marxismo é mais o de Groucho Marx ("não entro em clubes que aceitem pessoas como eu") que o de Karl, e minha abordagem dos candidatos sempre foi mais parecida com a de um consumidor que com a de um militante apaixonado. E, sim, acredito em coisas que causam repugnância em quem moraliza excessivamente a política, como votar no menos pior disponível —sem guardar meu voto para o candidato ideal como quem se guarda para a mulher da sua vida. Política é outro tipo de negócio.

Dito isso, Flávio Bolsonaro tem fracassado completamente em dissipar uma inquietação essencial sobre os anos da sua eventual Presidência: seu compromisso com a ordem liberal-democrática. Não se trata do vago apelo a "salvar a democracia", de que o lulismo tanto abusou, confundindo frequentemente a defesa da democracia com a defesa da sua própria agenda política, como se não pudesse haver democracia fora da esquerda.

A Internacional Autoritária é a maior ameaça dos nossos tempos, por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Perigo do autoritarismo ainda é subestimado

Minha gratidão a todos os que fazem a luta gloriosa, sempre insatisfeitos, de coração nas mãos, com medo pela democracia

Tem já mais de uma década o debate entre aqueles que alertam para o perigo de uma deriva autoritária nas nossas democracias e quem considera que esse perigo está sendo exagerado. A minha posição nesse debate é clara: acho que o perigo do autoritarismo ainda é subestimado.

Uma coisa é o debate (interessante, mas em boa medida acadêmico) sobre se o novo autoritarismo pode ser comparado com o fascismo do século passado. Alguns puristas consideram que, enquanto não estiverem preenchidas todas as características do fascismo original, não se pode usar a palavra para a sua variante.

Depois da anistia, o acordo? Por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Proposta de perdão aos condenados se renova sob o signo do oportunismo em vez da Justiça

Como seria uma “política da justa memória”? Essa preocupação moveu o filósofo Paul Ricoeur a uma reflexão sobre o saber histórico, as manifestações da memória e o esquecimento, ou seja, como representamos o passado. Eis um tema indissociável do presente: como recordar o que se passou na última década?

Os erros e abusos da Operação Lava Jato criaram impunidade, mas não apagaram os crimes. O esquecimento e o abuso da memória levaram a Daniel Vorcaro, quando o caráter pedagógico da pena se transferiu à impunidade. Mudaram os personagens, mas a corrupção continua. E as suspeitas também: antes, tudo era dinheiro para campanha eleitoral; agora, é para filme.

A liberdade de resistir, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Para enfrentar seus desafios ao longo dos próximos quatro anos, o País irá demandar seriedade e previsibilidade

Seja qual for o vencedor das eleições presidenciais de 2026, a sociedade brasileira terá uma tarefa fundamental pela frente: exercer uma resistência democrática efetiva. Não nos iludamos pensando que basta a vitória de um candidato específico para solucionar nosso imbróglio civilizatório. O País vive circunstâncias sociais, políticas e institucionais que, seja quem estiver no Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, haverá não pequenos desafios para o bom funcionamento do Estado Democrático de Direito.

A outra eleição, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

As eleições de meio de mandato nos EUA, daqui a duas semanas, deverão ter impacto nos mercados globais

Daqui a duas semanas, outra eleição terá importante repercussão para os mercados globais, com impacto político até no Brasil: a de “midterms” (ou “meio de mandato”) nos Estados Unidos, para a renovação da Câmara de Deputados e do Senado. Muitos analistas estão dizendo que o desfecho desse pleito será desastroso para o Partido Republicano e tornará o presidente Donald Trump um “pato manco”, jargão para descrever um governante que, rumo ao final de governo, tem a sua autoridade bastante enfraquecida e quase nenhuma capacidade de aprovar leis no Congresso.