sábado, 24 de outubro de 2026

Ex-diretor do Datafolha analisa pesquisas e aposta na virada de Lula, por Nathallie Lopes

Correio Braziliense

Mauro Paulino aponta recuperação do petista e perda de apoio ao senador, mas pondera que o tempo até domingo (25/10) pode ser decisivo

O ex-diretor do Datafolha Mauro Paulino avalia que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ultrapassar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial do próximo domingo (25/10). Em entrevista ao canal UOL nesta sexta-feira (23/10), o especialista em opinião pública e eleições afirmou que a evolução das pesquisas indica recuperação do petista e recuo na preferência pelo senador.

“Há uma grande probabilidade de que esteja ocorrendo, às vésperas, uma ultrapassagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro”, disse Paulino.

O futuro, hoje, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

A eleição de domingo define o caminho do país nos próximos tempos. O desafio colocado diante do brasileiro é a escolha de seu futuro

Não dei sorte. Sonhei e me preparei para votar, quando entrei na maioridade, a favor do famoso slogan JK65, para entregar novo mandato ao presidente Juscelino Kubitschek, que havia promovido revolução pacífica no Brasil. Abriu estradas, construiu hidrelétricas, implantou a indústria automobilística, ergueu Brasília e transferiu a capital para o centro do país. Ele prometia mais cinco anos de prosperidade. O sonho durou pouco. Os militares assumiram o governo em 1964, anunciaram a cassação de vários políticos — entre eles, JK. Nos primeiros momentos, o primeiro presidente militar, Castello Branco, prorrogou seu mandato por um ano para respeitar o calendário eleitoral. Mas o processo desandou, e os militares, de todos os quartéis e níveis hierárquicos, se julgaram capazes de governar o país.

Esqueletos no armário revelam os crimes de Flávio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Esquema de lavagem de dinheiro vai de loja de chocolates a casa de apostas

O 'amigão' Willer Tomaz usou a mãe como laranja e dividiu conta bancária com filho 01

O caso das rachadinhas —movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão na conta do assessor Queiroz— veio a público no fim de 2018, logo após a eleição de Bolsonaro. De lá para cá, é notável a evolução de investigações envolvendo o filho 01. Um enorme telhado de vidro, o qual, no entanto, se mostra inquebrantável aos olhos de seus eleitores.

Entre os 12 candidatos à Presidência, é o único que se beneficiou do esquema Vorcaro —pediu na caradura R$ 134 milhões ao banqueiro picareta. No rol de denúncias e suspeitas estão a compra da mansão de R$ 6 milhões, além de outras transações imobiliárias em dinheiro vivo, e a loja de chocolates utilizada para lavar R$ 1,6 milhão. Sua lavanderia, digo, seu escritório de advocacia, emitiu R$ 13,7 milhões em notas fiscais sem detalhar os serviços. A sede da banca do senador é sua casa. É administrada à distância por uma funcionária que mora na periferia de Brasília.

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

O que está em jogo?

Por Revista Será?

Tem muita coisa em jogo nas eleições presidenciais deste domingo, quando concorrem Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, dois candidatos com trajetórias políticas e propostas muito diferentes para o futuro do Brasil. Mas tem uma questão central, anterior a todas as outras, que deve ser avaliada pelos eleitores na hora de digitar o seu voto na urna: a preservação das instituições democráticas, já tão fragilizadas pela polarização e pela politização do Judiciário.

O futuro não é mais como antigamente, por Elimar Pinheiro do Nascimento*

Revista Será?

Nesses dias, estou terminando de ler o livro 2041 – Como a inteligência artificial vai mudar sua vida nas próximas décadas, dos chineses Kai-Fu Lee, CEO da Sinovation Ventures (depois de ser executivo da Microsoft e da Apple), e Chen Qiufan, escritor e fundador do Thema Mundi. É uma coletânea de contos de ficção científica, comentados pelo especialista em IA. O formato e o conteúdo são muito intrigantes.

Ultimamente, tenho dedicado parte do meu tempo a estudar a Inteligência Artificial e suas consequências sobre nossas vidas. Em particular, do ponto de vista psicossocial: a pensar, portanto, nas consequências das inovações tecnológicas sobre nossa forma de trabalhar, conviver, criar, pensar, amar e nos divertirmos. Mudanças em nossos comportamentos, mas também em nossas percepções e valores. Fazer isso, do ponto de vista do futuro, significa trabalhar com hipóteses, ou seja, cenários.

Às urnas, por Pedro Serrano

CartaCapital

O bolsonarismo está aparelhado para, de forma sedenta, reassumir o poder pelas vias democráticas, mas com o deliberado propósito de miná-las

A história humana não ocorre por meio de fases estanques, como às vezes a descrição didática em períodos transparece. Ao contrário, ela se revela por processos complexos, nos quais elementos de conformação política e social do período anterior podem ser – e comumente são – identificados nos subsequentes. Não há, inclusive, garantias contra retrocessos e involuções civilizatórias. Só há ordem na mera descrição histórica, bem como nas tentativas de sua compreensão pelos manuais. Na história vivida prevalece o caos.

É nesse cenário que afirmamos, enfaticamente: o bolsonarismo está, inequivocamente, aparelhado para, de forma sedenta, reassumir o poder pelas vias democráticas, mas com o deliberado propósito de miná-las, esvaziando-o e abrindo caminho para uma governabilidade de exceção.

Ficha corrida, por André Barrocal

CartaCapital

Os BOs de Flávio Bolsonaro não param de pipocar

Flávio Bolsonaro é um candidato “sambarilove”, bordão de um personagem de um antigo programa de humor na televisão. Armando Volta tinha um jeito malandro, nunca respondia às perguntas do Professor Raimundo, era um enrolador profissional. Descrição apropriada para o senador do PL. O filho de Jair passou a campanha sem dar explicações sobre temas indigestos: a relação com o advogado Willer Tomaz, os milhões pedidos a Daniel Vorcaro, do finado Banco Master, a tomada “na mão grande” de uma ilha em Angra dos Reis reservada ao jogador Richarlison, a defesa do PM que matou com fuzil uma menina de 5 anos, a suspeita de financiamento norte-americano em sua campanha presidencial. Dessas histórias, a única capaz de ter consequência prática para o senador é aquela do dinheiro estrangeiro, caso o Tribunal Superior Eleitoral abra a investigação solicitada pela campanha de Lula. Ele poderia ter a chapa cassada. E quanto aos outros episódios? Pela Constituição, um presidente não paga por atos anteriores ao mandato.

O mal da banalidade, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Enquanto o povo luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo “homem forte”

Num mundo que volta a surfar nas ondas do discurso de ódio como tábua de salvação, não Jeová, nem Jesus, muito menos Buda, mas as falsas promessas do paraíso da extrema-direita, penduradas na cruz ou na suástica, impulsionam a marcha do exército de ressentidos. Quando as promessas que levariam as classes médias ao padrão de consumo das elites se deterioram, a ralé enfurecida, sedotta e abbandonata, entrega sua alma à sereia do totalitarismo.

Depois de várias tentativas, entrevistamos Hannah Arendt em seu gabinete como professora na New School for Social ­Research, em Nova York, para discutirmos duas de suas grandes obras: Origens do Totalitarismo e A Condição Humana. Agradecemos à professora pela hospitalidade e por sua tradicional liberdade de pensamento.

Campanha e dívida dos estados: o caso de Minas (II), por Marcus Pestana

Amanhã, a população brasileira tomará importante decisão sobre o futuro do País. Aqui retomo a discussão sobre um aspecto central do principal problema econômico brasileiro: o estrangulamento fiscal e a dívida dos estados, particularmente de Minas Gerais, com o governo federal.

É natural que, durante a campanha, candidatos evitem temas espinhosos e difíceis e avancem em promessas que nem sempre encontrarão acolhimento na realidade concreta dos futuros governos. Fechadas as urnas, no dia seguinte, os fatos e a vida começam a se impor, com seus limites e possibilidades reais.

Minas Gerais, assim como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, vive uma crise fiscal radical e crônica. Têm um enorme estoque de dívidas e um fluxo de receitas e despesas deficitário.

Uma eleição indefinida para uma sociedade sombria, por Vagner Gomes*

“É algo estranho ver com que espécie de ardor febril os americanos perseguem o bem-estar e como se mostram constantemente atormentados por um temor vago de não ter escolhido o caminho mais curto que pode conduzir ele. O habitante dos Estados Unidos apega-se aos bens deste mundo como se tivesse certeza de que jamais morreria, e é com tanta precipitação que procura apoderar-se daqueles que passam ao seu alcance, que se diria que teme a cada instante deixar de viver antes de os ter gozado. Toma-os todos, mas sem os estreitar, e os deixa logo escapar das suas mãos, para correr atrás de prazeres novos.” (Alexis de Tocqueville, A Democracia na América)

Em poucas horas o eleitorado brasileiro vai votar no Segundo Turno das eleições presidenciais, naquela que é apresentada como a mais competitiva das últimas décadas. Não uso o termo por referendar a interpretação de uma hipótese de “polarização afetiva”, pois os dois campos estão nas redes sociais e nas ruas sem qualquer situação semelhante a uma ex-Deputada foragida a correr com arma nas mãos contra um eleitor. Estamos num momento em que a moldura do Estado de Bem Estar Social, garantido nas conquistas sociais e políticas da Carta de 1988, se encontram questionadas diante da emergência de uma sociedade em busca não mais da felicidade e, sim, da prosperidade.

Márcia Heliane Gomes, escritora e editora, por Ivan Alves Filho

É muito difícil falar o que quer que seja em uma hora dessas. Porém, quero repetir aqui as palavras que disse outro dia à mãe da Márcia, Dona Maria José: sua filha foi a melhor pessoa que eu conheci em toda a minha vida. Pela dignidade, pela bondade e, também, pela capacidade de trabalho. 

Eu tenho 74 anos, morei dez anos fora do Brasil, conheci figuras admiráveis por onde andei. Porém, somente duas pessoas me impressionaram tanto quanto a Márcia: o arquiteto Oscar Niemeyer e o poeta Ferreira Gullar. Oscar foi o Aleijadinho do século XX; Gullar, o Tomás Antônio Gonzaga deste mesmo século. No tocante à minha adorada Márcia, eu diria que ela é a herdeira, pela grandeza pessoal, de Bárbara Heliodora. Como escritora, Márcia é comparável a Cora Coralina. Seus textos possuem a mesma leveza, doçura e profundidade daqueles da poetisa de Goiás Velho.