O Globo
Mercado de votos está de agora em diante
aberto — e pronto para ser disputado por quem se provar viável para enfrentar
petismo
Os Bolsonaros já haviam provado sua tendência
à autocombustão. Antes da incineração política de Flávio na quarta-feira, o pai
fora preso por tentar incendiar a República, e o irmão Eduardo se lançara ao
autoexílio na campanha pelo tarifaço americano contra o Brasil. Ao abandonar o
país dois dias depois de receber quase 60 milhões de votos — e divulgar dos Estados
Unidos uma carta sobretudo ridícula —, o primogênito seguiu a tradição
familiar.
Hoje, da cesta de onde Jair tirou o Zero Um e o Zero Três, já não há sucessor eleitoralmente competitivo para comandar a direita. Carlos, Jair Renan e Laura — por inapetência, inaptidão ou pouca idade — não podem ser considerados. Michelle pode disputar o espólio, mas seus enteados não a reconhecem como sucessora, nem a maior parte da bancada do PL que gravita em torno de Flávio e Eduardo. Jair, por sua vez, está virtualmente inelegível pelo resto da vida. Estaria o bolsonarismo em via de extinção?






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