quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Haddad elogia BC e diz que caso Master pode ser 'maior fraude bancária do país'

Por Bruno Lessa / O Globo

Ministro elogiou atuação do Banco Central e disse que estar 'absolutamente seguro' do trabalho de Galípolo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que a pasta tem dado "todo o respaldo institucional" ao Banco Central no processo de liquidação do Banco Master. Segundo ele, o caso pode ser a "maior fraude do país".

– O caso inspira muito cuidado, nós podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas com as formalidades, garantindo evidentemente todo o espaço para a defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público – afirmou.

O titular da equipe econômica disse que tem falado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e elogiou o trabalho da autoridade monetária.

– Tenho falado com o presidente do Banco Central quase diariamente, dando todo o respaldo institucional da Fazenda para o Banco Central. Eu penso que nós temos feito um trabalho conjunto muito importante, que envolve a Fazenda também, o caso Reag envolve a Fazenda, tem uma conexão que está sendo apurada entre os dois casos – disse o ministro, em conversa com a imprensa. – A transparência vai ajudar, estou absolutamente seguro do trabalho que Galípolo e equipe fizeram ali.

O caso Reag, citado pelo ministro, refere-se à Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do país, que passou a ser monitorada pelas autoridades após a deflagração da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal. Esta operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes financeiros por meio de fundos de investimento estruturados. A empresa nega irregularidades.

Esta é a primeira vez em que Haddad vem a público defender a atuação do BC no caso após as divergências com o Tribunal de Contas da União (TCU).

Haddad classificou a atuação do Banco Central como "tecnicamente muito robusta" e reforçou que o caso extrapola interesses privados, tornando-se uma questão de interesse público.

– É um assunto de interesse publico por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos.

O ministro lembrou que, embora o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seja considerado um fundo privado, ele é capitalizado também por bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal respondem por cerca de um terço dos recursos do fundo, o que, segundo Haddad, amplia a relevância do caso para o Estado.

Haddad disse ainda que conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, na semana passada. A corte de contas irá fazer uma inspeção nos documentos que embasaram a liquidação.

Nesta terça-feira, a autoridade monetária retirou os recursos (embargos) contra a inspeção nos documentos da liquidação do Banco Master. Com isso, volta a valer o despacho que determinou a inspeção, segundo o órgão de contas.

As conversas ganharam corpo em reunião nesta terça-feira entre representantes do TCU e do BC. No encontro, foi fechado um entendimento para que a Corte faça um trabalho de fiscalização do processo de liquidação do Banco Master sem gerar riscos para a autoridade monetária ou abrir brechas para a defesa dos acionistas da instituição liquidada.

– Penso que houve ali uma convergência e que as coisas vão caminhar para o lado certo – disse Haddad.

O Banco Master foi liquidado em novembro passado pelo BC por conta de uma “crise aguda de liquidez” que o impedia de satisfazer, com pontualidade, os compromissos assumidos, de acordo com a autoridade monetária. A Polícia Federal investiga, ainda, a venda de carteiras de crédito de R$ 12 bilhões do Master para o BRB, banco estatal de Brasília.

Nenhum comentário: