domingo, 26 de abril de 2026

Um mineirinho na parada, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Empurrado por STF, polarização e rejeição de Lula e Bolsonaro, Zema vai crescer nas pesquisas eleitorais

Romeu Zema, do Novo, pode surpreender e disparar nas pesquisas ou repetir os efêmeros quinze minutos de glória de Sérgio Moro em 2022, mas o fato concreto, hoje, é que ele se afirmou como o “anti Supremo” das eleições, usa a internet para massificar essa posição e conseguiu o principal: as atenções voltaram-se para ele.

Afinal, quem é esse mineiro de 61 anos, empresário, formado em Administração na FGV, sem lastro político antes do governo de Minas? Por ora, é seguro dizer que é craque em marketing pessoal, com jeitão de bom moço, sotaque caipira, mangas de camisa, dirige seu próprio carro e mora longe dos palácios. O “povo” adora.

Eleito com 72% dos votos no segundo turno de 2018, saiu do governo em 2026, segundo a Quaest, com aprovação de 55% e desaprovação de 35%, desempenho próximo ao que garantiu sua reeleição já no primeiro turno em 2022, com uma mãozinha curiosa: a mídia nunca vasculha as mazelas (nem as vantagens) mineiras.

Todos os presidentes que subiram a rampa do Planalto venceram em Minas, a terceira maior economia e considerado uma síntese do País. Zema é desconhecido por 51% dos entrevistados no País, com dois dados nada bons: quem conhece e votaria nele chega a 18%, mas quem conhece e não votaria pula para 31%. Índices praticamente iguais ao do também “azarão” Ronaldo Caiado.

Como desafio em entrevistas e debates, está a sua gestão em Minas, onde a dívida era de R$ 113,36 bi na posse e é estimada entre R$ 160 bi e R$ 180 bi hoje. Como todos seus antecessores, ele atribui à “herança”, mas há dois agravantes: essa dívida não combina com seu diploma de administrador nem como seu programa liberal – tocado por Carlos Costa, da equipe de Paulo Guedes –, que promete “zerar o custo Brasil” e privatizar tudo, a la Milei na Argentina.

Na contramão, Zema focou a popularidade, de um lado, em reajustes para servidores e, de outro, em isenções fiscais para empresários – ele próprio é um. A renúncia fiscal pulou de R$ 13 bilhões em 2021 para estimados R$ 23 bilhões em 2026. A crítica à crise fiscal do governo Lula pode soar como o sujo falando do mal lavado.

Minas Gerais tem a justa fama de produzir políticos espertos, maliciosos e poderosos e já teve sete presidentes. Romeu Zema quer ser um novo JK, mas sua chance é ser um novo Itamar, que só chegou lá por uma circunstância política, ou golpe do destino. Itamar, pelo impeachment de Fernando Collor. Zema, pelos erros do STF, o cansaço com a polarização e a alta rejeição de Lula e Bolsonaro. Depois? O destino a Deus pertence.

 

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