O Estado de S. Paulo
Empurrado por STF, polarização e rejeição de
Lula e Bolsonaro, Zema vai crescer nas pesquisas eleitorais
Romeu Zema, do Novo, pode surpreender e disparar nas pesquisas ou repetir os efêmeros quinze minutos de glória de Sérgio Moro em 2022, mas o fato concreto, hoje, é que ele se afirmou como o “anti Supremo” das eleições, usa a internet para massificar essa posição e conseguiu o principal: as atenções voltaram-se para ele.
Afinal, quem é esse mineiro de 61 anos, empresário, formado em Administração na FGV, sem lastro político antes do governo de Minas? Por ora, é seguro dizer que é craque em marketing pessoal, com jeitão de bom moço, sotaque caipira, mangas de camisa, dirige seu próprio carro e mora longe dos palácios. O “povo” adora.
Eleito com 72% dos votos no segundo turno de
2018, saiu do governo em 2026, segundo a Quaest, com aprovação de 55% e
desaprovação de 35%, desempenho próximo ao que garantiu sua reeleição já no
primeiro turno em 2022, com uma mãozinha curiosa: a mídia nunca vasculha as
mazelas (nem as vantagens) mineiras.
Todos os presidentes que subiram a rampa do
Planalto venceram em Minas, a terceira maior economia e considerado uma síntese
do País. Zema é desconhecido por 51% dos entrevistados no País, com dois dados
nada bons: quem conhece e votaria nele chega a 18%, mas quem conhece e não
votaria pula para 31%. Índices praticamente iguais ao do também “azarão”
Ronaldo Caiado.
Como desafio em entrevistas e debates, está a
sua gestão em Minas, onde a dívida era de R$ 113,36 bi na posse e é estimada
entre R$ 160 bi e R$ 180 bi hoje. Como todos seus antecessores, ele atribui à
“herança”, mas há dois agravantes: essa dívida não combina com seu diploma de
administrador nem como seu programa liberal – tocado por Carlos Costa, da
equipe de Paulo Guedes –, que promete “zerar o custo Brasil” e privatizar tudo,
a la Milei na Argentina.
Na contramão, Zema focou a popularidade, de
um lado, em reajustes para servidores e, de outro, em isenções fiscais para
empresários – ele próprio é um. A renúncia fiscal pulou de R$ 13 bilhões em
2021 para estimados R$ 23 bilhões em 2026. A crítica à crise fiscal do governo
Lula pode soar como o sujo falando do mal lavado.
Minas Gerais tem a justa fama de produzir
políticos espertos, maliciosos e poderosos e já teve sete presidentes. Romeu
Zema quer ser um novo JK, mas sua chance é ser um novo Itamar, que só chegou lá
por uma circunstância política, ou golpe do destino. Itamar, pelo impeachment
de Fernando Collor. Zema, pelos erros do STF, o cansaço com a polarização e a alta
rejeição de Lula e Bolsonaro. Depois? O destino a Deus pertence.

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