quarta-feira, 20 de maio de 2026

Exibição do trailer de 'Dark Horse' mostra bolsonarismo descolado da realidade, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Divulgação de diálogos de Flávio com Vorcaro tem efeito tóxico para pré-campanha e deve afastar partidos do Centrão

A exibição do trailer do filme financiado por Daniel Vorcaro na reunião do PL que discutiu a crise da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) mostrou o descolamento da realidade em que a família do ex-presidente vive. “Dark Horse” hoje é um tema tóxico. Só o bolsonarismo não viu.

A divulgação da AtlasIntel com a boca do jacaré abrindo favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva potencializou o efeito da revelação de um encontro de Flávio com um Vorcaro já portador de uma tornozeleira eletrônica.

A metodologia de pesquisas inteiramente digitais tende a reforçar o perfil engajado dos participantes, mas os “trackings”, monitoramento diário que os institutos fazem, detectam a mesma tendência. A inclinação para baixo da curva do senador, num contexto de envolvimento crescente do bolsonarismo no Master, tem efeito retroalimentador.

O que já estava difícil de sustentar, pela desmoralização trazida pelo envolvimento crescente de Flávio com Vorcaro, leva as lideranças a acreditar que não valha mesmo a pena fazê-lo, visto que o pré-candidato perde competitividade. Por isso, a tendência é que o Centrão — PP, União e Republicanos — rume para outubro sem integrar chapa presidencial.

Não era esta a perspectiva do PL no início desta corrida eleitoral. O partido estava se organizando para montar palanques fortes para Flávio Bolsonaro, podendo chegar ao dobro daqueles amealhados em 2022, quando o pai era presidente e tinha a máquina pública.

Além da acomodação do Centrão a uma conjuntura em que os candidatos regionais, principalmente no Norte e Nordeste, são mais governistas, o bolsonarismo enfrenta a fissura aberta pelas alianças entre o PL e o Novo a partir do bombardeio do ex-governador Romeu Zema contra o primogênito do ex-presidente.

Se o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, havia criticado Zema por precipitação em suas críticas a Flávio quando foi divulgado o áudio com Vorcaro, a postura hoje caiu no vazio. Ao escolher a ala mais “Centrão” de sua família para encabeçar a chapa presidencial capaz de manter o sobrenome no páreo, Jair Bolsonaro acabou afugentando a original.

A fuga dos aliados acontece num momento em que o bolsonarismo não está mais coeso. Do ex-ministro Ricardo Salles, que se afastou de Eduardo Bolsonaro na definição da chapa ao Senado em São Paulo, à ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, o movimento é de soltar a mão do pré-candidato do PL.

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