Valor Econômico
Divulgação de diálogos de Flávio com Vorcaro
tem efeito tóxico para pré-campanha e deve afastar partidos do Centrão
A exibição do trailer do filme financiado
por Daniel Vorcaro na
reunião do PL que discutiu a crise da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) mostrou
o descolamento da realidade em que a família do ex-presidente vive. “Dark Horse” hoje é um
tema tóxico. Só o bolsonarismo não viu.
A divulgação da AtlasIntel com a boca do jacaré abrindo favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva potencializou o efeito da revelação de um encontro de Flávio com um Vorcaro já portador de uma tornozeleira eletrônica.
A metodologia de
pesquisas inteiramente digitais tende a reforçar o perfil engajado dos
participantes, mas os “trackings”, monitoramento diário que os institutos
fazem, detectam a mesma tendência. A inclinação para baixo da curva do senador,
num contexto de envolvimento crescente do bolsonarismo no Master, tem efeito
retroalimentador.
O que já estava difícil de sustentar, pela
desmoralização trazida pelo envolvimento crescente de Flávio com Vorcaro, leva
as lideranças a acreditar que não valha mesmo a pena fazê-lo, visto que o
pré-candidato perde competitividade. Por isso, a tendência é que o Centrão —
PP, União e Republicanos — rume para outubro sem integrar chapa presidencial.
Não era esta a perspectiva do PL no início
desta corrida eleitoral. O partido estava se organizando para montar palanques
fortes para Flávio Bolsonaro, podendo chegar ao dobro daqueles amealhados em
2022, quando o pai era presidente e tinha a máquina pública.
Além da acomodação do Centrão a uma
conjuntura em que os candidatos regionais, principalmente no Norte e Nordeste,
são mais governistas, o bolsonarismo enfrenta a fissura aberta pelas alianças
entre o PL e o Novo a partir do bombardeio do ex-governador Romeu Zema contra o
primogênito do ex-presidente.
Se o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, havia
criticado Zema por precipitação em suas críticas a Flávio quando foi divulgado
o áudio com Vorcaro, a postura hoje caiu no vazio. Ao escolher a ala mais
“Centrão” de sua família para encabeçar a chapa presidencial capaz de manter o
sobrenome no páreo, Jair Bolsonaro acabou afugentando a original.
A fuga dos aliados acontece num momento em que o bolsonarismo não está mais coeso. Do ex-ministro Ricardo Salles, que se afastou de Eduardo Bolsonaro na definição da chapa ao Senado em São Paulo, à ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel, o movimento é de soltar a mão do pré-candidato do PL.

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