domingo, 20 de setembro de 2026

Apertemos os cintos; as lideranças sumiram, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Não se vê um gesto nem se ouve uma voz capaz de inspirar e dar segurança ao país sobre o rumo a seguir

Enquanto uns se omitem e outros atuam em causa própria, locupletam-se todos e o Brasil que se vire

O cenário de total desacerto que assola a República encontrou o Brasil na orfandade em matéria de lideranças capazes de iluminar um caminho para a saída da crise.

O chefe do Executivo só tem olhos para o umbigo da reeleição; tira o corpo fora e transfere responsabilidade ao presidente do Supremo Tribunal Federal, que é desacatado por seus pares, enquanto o comando do Congresso entrega-se ao exercício da omissão e os governadores se calam. Não é com eles.

Nunca, na nova era democrática, houve algo parecido. Para qualquer lado que se olhe, sob qualquer aspecto que se examine o quadro, não se enxerga um gesto nem se ouve uma voz que inspire confiança e dê segurança à população sobre o rumo a seguir.

O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) faz um "te dou um dinheiro aí" no bolso dos pobres; Flávio Bolsonaro (PL) promete dominar o STF com a indicação de cinco novos ministros. Os demais concorrentes produzem uma barulheira dispersiva desconectada do sentido da urgência de reorganização nacional.

Sobre os juízes supremos nada há a acrescentar que já não tenha sido dito na troca de selvagens vulgaridades num ambiente de descomposturas onde poucos se salvam na preservação das respectivas lisuras pessoais e profissionais.

Seria de se esperar, nesse quadro, que o Parlamento se posicionasse à altura do papel de Casa da representação popular. A sociedade está perplexa, desencantada, agoniada, nauseada, mas ainda na expectativa de solução.

Alheios à angústia dos representados, deputados e senadores ocupam-se das próprias sobrevivências, com manifestações pontuais para surfar na onda. Os presidentes da Câmara e do Senado nem a esse trabalho se dão.

Hugo Motta (Republicanos) cuida de eleger a si e ao pai na Paraíba. Não deu um pio. Davi Alcolumbre (União Brasil), com suas digitais amapaenses no caso Master, se faz de morto. Só falou para distribuir ameaças veladas e dizer que não tinha de "achar nada" sobre a crise.

Locupletam-se, e o país que se vire

 

4 comentários:

  1. E esse estado em estão as coisas ainda vai perdurar , o brasileiro acordou para o fato de que não há quem o represente na condução de um futuro menos inospito do que este que estamos presenciando. Realmente, o Brasil não tem líderes a altura de suas necessidades. O que estamos assistindo é uma comprovação da falência política em que se encontra o pais. É como se o Brasil fosse um avião a deriva sem piloto. E salve-se quem puder.

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  2. E esse estado em estão as coisas ainda vai perdurar , o brasileiro acordou para o fato de que não há quem o represente na condução de um futuro menos inospito do que este que estamos presenciando. Realmente, o Brasil não tem líderes a altura de suas necessidades. O que estamos assistindo é uma comprovação da falência política em que se encontra o pais. É como se o Brasil fosse um avião a deriva sem piloto. E salve-se quem puder.

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  3. Estamos cansados desses políticos velhos, chega de Lula X Bolsonaro.

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