quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

CPI pode ajudar a esclarecer dúvidas sobre caso Master

Por O Globo

Mesmo em ano eleitoral, não se pode esmorecer na investigação de escândalo tão relevante para o país

Tem crescido no Congresso o movimento pela instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar fraudes no Banco Master. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou requerimento de CPI na Câmara e cobrou agilidade na instalação. O PT decidiu apoiá-lo. Sem aval do governo, uma proposta de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), recebeu mais de 280 assinaturas. Correndo por fora, há outra proposta de CPMI das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (PSOL-RJ).

A fartura que vicia a elite dos servidores e azeda o voto. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Servidores do Legislativo extrapolam o teto na cola daqueles dos demais Poderes e dos parlamentares aos quais servem

Já se passava meia hora do início da discussão, na tarde de terça, do projeto de lei que criou um penduricalho para os servidores do Casa quando a deputada Julia Zanatta (PL-SC) pediu a palavra para fazer uma pergunta ao presidente da Câmara. “Passariam a ganhar mais do que um deputado, extrapolando o teto?”. Sem rodeios, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) respondeu: “Sim”.

A possibilidade de uma ‘OMC do B’. Por Assis Moreira

Valor Econômico

Unilateralismo, fragmentação e acordos preferenciais transformaram as regras multilaterais em uma peneira

A ordem comercial multilateral baseada em regras está se desfazendo, em meio a choques geopolíticos, uso do comércio como arma, tarifas de importação empregadas como instrumentos de poder, dificuldades econômicas, mudanças nas cadeias de abastecimento e avanços digitais, por exemplo.

Sem surpresa, a Organização Mundial do Comércio (OMC) vive a pior crise de sua história. Uma crise que não começa com Donald Trump. Ela é mais antiga e estrutural. O que muda com Trump é a forma como uma tensão latente passa a ser explicitada de maneira brutal.

Reunião com Lula e deputados tem clima de eleição e samba-enredo em homenagem ao petista

Por Beatriz Roscoe e Renan Truffi / Valor Econômico

Em busca de melhorar a relação com o Legislativo em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma agenda informal e de aproximação, na noite desta quarta-feira, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base aliada do governo na Casa. O encontro durou cerca de três horas e aconteceu na Granja do Torto, como é conhecida a casa de campo da Presidência da República.

Valor apurou que, apesar de o evento ter sido convocado num momento de retomada dos trabalhos no Parlamento, o clima na Granja foi muito mais de "confraternização" do que de reunião de trabalho. Para abrir a conversa, por exemplo, Lula pediu que fosse tocada a música "Disparada", de Geraldo Vandré, que ficou famosa na voz de Jair Rodrigues.

Com essa trilha sonora, Lula parafraseou o primeiro verso da canção e pediu que os deputados "abrissem o coração" para ouvi-lo. A partir daí, passou a contar histórias que viveu, por exemplo, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. "Ele ficou contando histórias, muito despreocupado com política, com a pauta [da Câmara], estava mais contando histórias da vida mesmo", relatou um parlamentar.

Não é fácil a vida de ex-presidente da Câmara para Arthur Lira. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O deputado mandou e desmandou na engenharia das emendas, organizou, arbitrou conflitos e fez da Presidência da Câmara um contrapoder que rivalizou com Planalto

O deputado Arthur Lira (PP-AL), considerado ainda o parlamentar mais poderoso da Câmara, atrás apenas de Hugo Motta, o atual presidente da Casa, que ungiu ao cargo, começa a viver uma espécie de “inferno astral” semelhante à de outros antecessores. Para quem já mandou e desmandou na distribuição de emendas parlamentares, é no mínimo constrangedor ser acareado pela Polícia Federal (PF) com o deputado José Rocha (União Brasil-BA), que o acusa de manipular emendas de comissão em benefício próprio.

Dois discursos, o mesmo tom. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Canadá e Brasil mostram papel dos países de poder médio na crise da ordem internacional

Lula anuncia suave mudança na estratégia de privilegiar coalizões Sul-Sul

Dois importantes pronunciamentos passaram batido pelo noticiário da imprensa nacional, submersa nos infindáveis desdobramentos do Banco Master e na descrição de cada movimento do xadrez da eleição presidencial. Em 20 de janeiro, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discursou em Davos, no Fórum Econômico Mundial. Oito dias depois, foi a vez de Lula falar na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, no Panamá. Ambos trataram dos desafios implicados na desordem mundial produzida pela desenfreada prepotência de Donald Trump.

O futuro de Haddad e a dança das cadeiras no BC. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Negociação do ministro da Fazenda com vistas às eleições passa por acertos finais com Lula

Galípolo pode mudar posições na diretoria do Banco Central para reduzir o impacto da escolha de Guilherme Mello

Prestes a deixar o cargo, Fernando Haddad vem se manifestando resistente à pressão para assumir uma candidatura em São Paulo nas próximas eleições. O ministro diz que prefere assumir uma posição na campanha de Lula e conta que está conversando com o presidente para ver "quem convence quem".

A relutância em correr o risco de uma nova derrota eleitoral para ajudar a puxar voto em São Paulo lhe confere poder de negociação com Lula sobre o seu futuro no PT e em decisões que terão de ser tomadas em breve.

Pelu fim das iscolas sívicos-militáris. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Erro de grafia no quadro escolar foi protagonizado por monitor do modelo cívico-militar

Ensino cívico-militar apenas ensina alunos a respeitar autoridade sem questioná-la

Nesta semana, alunos de uma escola estadual de Caçapava, no interior de São Paulo, aprenderam, além de comandos militares, a escrever errado as palavras "descansar" e "continência" —na lousa, viam "descançar" e "continêcia".

O erro de grafia no quadro escolar, capturado em vídeo, foi protagonizado por um dos monitores do modelo cívico-militar, no primeiro dia de implementação do programa. Nem os comandos militares, nem os erros de grafia caem no Enem, há de ser registrado.

Mudança e esperança. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

O Centrão, e o que ele significa, já garantiu vitória na eleição presidencial deste ano

O Brasil está dedicado a um curioso experimento político para provar que tudo funciona mesmo sem qualquer sentido de urgência e de vergonha. Os rituais da política não parecem levar em conta que o tempo vai agravando questões fundamentais como a das contas públicas. Ou da falta de crescimento.

O senso de pudor permanece no comportamento de alguns agentes nos três Poderes, mas em número insuficiente para compensar o corporativismo que é a marca mais evidente de um sistema político e de governo visto pelo grande público como dedicado a si mesmo. É zero a probabilidade de que isso se altere de dentro para fora.

Para alemão ver. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Corte Constitucional da Alemanha tem regras contrárias aos hábitos de ministros do STF

Do que se sabe até agora sobre o código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF), dois pontos se destacam. O primeiro: não é para agora. O mais provável é que seja aprovado, com alguma sorte, no fim do ano, depois das eleições. O segundo: as regras com potencial de conquistar maioria de votos devem ser mais genéricas do que anseia a opinião pública.

Edson Fachin tem como parâmetro o código de conduta da Corte Constitucional da Alemanha, mas são poucos os tópicos com chance de serem replicados no Supremo. Nos bastidores, a aposta dos ministros é que a versão brasileira contenha itens sobre transparência, imparcialidade e neutralidade. Afinal, quem seria contrário a esses princípios em uma República?

Reportagens incompreendidas. Por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A crítica à imprensa é sempre bem-vinda: ajuda a aguçar a sensibilidade cívica do público e qualifica a informação. Coisa distinta são os ataques autoritários contra jornalistas

Um rumorejo arrevesado espreita as melhores redações deste país. A cobertura da ruína do Banco Master, um escândalo com carradas de cifrões, talvez o maior da história bancária dos nossos pobres trópicos, deflagrou azedumes sortidos que põem em dúvida a função insubstituível dos repórteres: apurar o que está acontecendo nas órbitas do poder. O caso adquire relevância porque parte dos queixumes vem de setores que guardam compromissos reais com a causa democrática, normalmente mais propensos a valorizar e defender a vigilância exercida pelos bons jornais.

O mal-estar, disperso e descosido, alastra-se em modulações ora estridentes, ora balbuciantes, sem unidade aparente. Os argumentos, no entanto, parecem ser os mesmos, ainda que com roupagens repaginadas conforme a ocasião. Aponto aqui os três mais chamativos.

O Senado vai revogar cláusula pétrea? Por Modesto Carvalhosa, Miguel Silva e Paulo Rabello de Castro

O Estado de S. Paulo

O direito de petição constitui cláusula pétrea da Constituição e não pode ser suprimido nem pelo Congresso

De uns tempos para cá, os donos do poder em nosso maltratado país têm se dedicado a destruir os fundamentos constitucionais e institucionais da soberania do povo, regra fundadora da democracia a partir do Bill of Rights inglês de 1689.

Naquele momento histórico, ficou estabelecido o direito de qualquer cidadão se opor aos abusos e desvios de poder dos agentes do Estado: “Os súditos têm direito de apresentar petições ao rei, sendo ilegais as prisões e exações de qualquer espécie que sofram por esta causa”. Essa garantia tornou-se cláusula pétrea na fundação da moderna democracia, constando da Primeira Emenda da Constituição americana de 1791: “O Congresso não poderá fazer nenhuma lei que proíba o direito do povo de peticionar ao governo para a reparação de queixas.”

Errar por último. Por Merval Pereira

O Globo

Os ministros do STF dão valor à posição a que chegaram de maneira equivocada, não parecem ter a visão holística da importância de seus cargos para o futuro do país.

Dá tristeza ouvir da boca de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tentativas de justificar as próprias atuações no campo privado, quando lhes convém ser cidadãos comuns. São humanos, naturalmente, e podem errar. Mas se consideram acima dessas medidas, tamanho o poder que acumulam. O paradoxo está em que acreditam na frase de Rui Barbosa, segundo a qual têm o direito de errar por último, não como uma advertência, mas como uma prerrogativa.

Os imperadores romanos tinham um funcionário que os alertava sobre os perigos da vaidade excessiva quando venciam batalhas e eram ovacionados pelo povo. Da mesma maneira, os “capinhas”, aqueles funcionários do Supremo que puxam as cadeiras de Suas Excelências, poderiam ter o encargo adicional de adverti-los de que são humanos, para que não se deslumbrem com a própria imagem.

Brasília entre dois medos. Por Míriam Leitão

O Globo

Caso Banco Master: temor de acordão para abafar investigações e da escalada de conflito entre os poderes

Em Brasília, se teme um “acordão” que abafe de alguma forma as investigações do Banco Master. Em Brasília, se teme o aumento de conflito entre poderes por causa do Master. Ontem, o senador Renan Calheiros fez uma ameaça explícita a Gabriel Galípolo, afirmando que um ex-presidente do Banco Central saiu do Senado preso. “É evidente que não queremos que isso aconteça de novo”, mas “Galípolo precisa ajudar a comissão”. Dito isso, o parlamentar foi para o Banco Central se reunir com ele. Ouviu que, do ponto de vista bancário, deveria ser uma liquidação simples e que a causa de tanta atenção ao tema sugere que é um problema criminal. Renan saiu dizendo que vai querer todas as informações, inclusive as sigilosas.

Sem mocinhos no caso Master. Por Julia Duailibi

O Globo

Era muita gente pedindo pelo banco. Vorcaro criou uma rede de contatos considerável

O salvador da pátria é figura valorizada no imaginário brasileiro, mas, no caso envolvendo o Master, está difícil encontrar alguém que se encaixe no papel. O avanço das investigações aponta para, na melhor das hipóteses, um misto de omissão e incompetência, em meio a uma estrutura normativa falha. Na pior, a atuação em defesa de interesses privados, os de Vorcaro. Como o mundo é complexo, e não existem heróis na política (engana-se quem acha que este é um caso só técnico), o final da novela deverá apontar para uma combinação das duas hipóteses.

O carnaval de Vorcaro. Por Malu Gaspar

O Globo

A volta das férias do Legislativo nesta semana foi assombrada pela fraude do Banco Master. Nos corredores e gabinetes, a maior parte das conversas era sobre como abafar o caso e impedir a instalação de comissões de inquérito. São quatro os pedidos só na Câmara dos Deputados. Mas, da esquerda à extrema direita, quase todo mundo tem motivo para querer evitar uma investigação sobre os esquemas de Daniel Vorcaro. Nos tempos áureos, dizia-se que a bancada do Master era maior que a de muitos partidos, sem contar que vários de seus integrantes ainda tinham poder para arrastar os votos de outros, como Ciro Nogueira, do PP, ou Antonio Rueda, do União Brasil.