quarta-feira, 20 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão do STF agravou crise dos ‘penduricalhos’

Por O Globo

Categorias aproveitam brechas para criar novas regalias — a última delas é o quinquênio em dose dupla

Têm sido impressionantes as artimanhas usadas na tentativa de driblar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disciplinar o pagamento de verbas que ultrapassam o teto constitucional do serviço público, conhecidas como “penduricalhos”. Depois que o Supremo ressuscitou com sua decisão os aumentos automáticos a cada cinco anos para juízes e procuradores (até o limite de 35% do teto), os profissionais das duas categorias que mantinham direito a outra regalia semelhante extinta há duas décadas — o reajuste automático de 5% a cada cinco anos, conhecido como quinquênio — querem acumular as duas. Isso mesmo: querem dois aumentos automáticos a cada cinco anos, sem nenhuma relação com mérito ou desempenho, apenas por antiguidade.

Sob pressão, Flávio admite visita a Vorcaro após prisão


Por Luísa Marzullo, Letícia Pille e Lauriberto Pompeu / O Globo

Desconfiados das versões apresentadas pelo senador e com medo de novos fatos, ala do partido já defende a busca por opções ao Planalto

Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ontem mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.

Até onde a elite vai com os Bolsonaro? Por Vera Magalhães

O Globo

Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair

A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Daniel Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político.

A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências.

Um Neymar de capa preta, por Bernardo Mello Franco

O Globo

"Nada ficou provado contra mim", diz João Caldas, barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2022; ex-deputado compara novo pré-candidato a Neymar

Morreu por falta de votos a candidatura de Aldo Rebelo ao Planalto. Sem alcançar 1% nas pesquisas, o ex-comunista foi rifado pelo Democracia Cristã. O presidente da sigla, João Caldas, recorre ao futebol para explicar a decisão: “Seu time está perdendo e tem um perna de pau em campo. Você deixa ele lá ou chama o Neymar, que está no banco?”.

O Neymar do DC é Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo. A exemplo do atacante do Santos, seu maior trunfo é o passado. O auge da popularidade foi em 2012, no julgamento do mensalão.

Flávio Bolsonaro não para de mentir, PL finge que acredita e centrão faz cara de paisagem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Direita diz que vai esperar um mês de pesquisas antes de pensar em alianças

Gente do PL diz que candidatura está no lucro, pois cresceu cedo e tem gordura

A candidatura de Flávio Bolsonaro está no "lucro", diz gente do PL, partido do senador fluminense. O que quer dizer? Que o pré-candidato teve um desempenho melhor do que o esperado no início da pré-campanha, que empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas "muito precocemente" e, por isso, "está muito bem-posicionado".

Perdeu sete pontos no cenário em que vai para o segundo turno contra Lula e caiu para segundo lugar, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça, mas isso seria efeito passageiro de "espuma de narrativa" e "volatilidade normal de campanha". Os partidos que seriam aliados de Flávio Bolsonaro compartilham da opinião do PL? "Muita água vai passar por baixo da ponte" diz um chefe do PL.

Insistência de Lula em Messias é ensaio com balão furado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É improvável que senadores aceitassem mudar uma regra para dar vitória ao governo que acabaram de derrotar

O presidente se expõe a um enfrentamento que não tem capital político nem amparo jurídico para bancar

Chama-se balão de ensaio a ideia plantada no noticiário político de que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) cogita reapresentar ao Senado o nome de Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

No caso, um balão com muitos furos. O maior deles esbarra na impossibilidade de os senadores examinarem duas vezes uma indicação na mesma legislatura. Ato normativo da Mesa da Casa, em tese poderia ser revogado mediante negociação entre as presidências da República e do Congresso.

Os salários e a eleição nos EUA, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Os americanos estão irritados com a alta dos preços, e isso afetou a popularidade de Donald Trump

A insatisfação dos americanos com a guerra no Irã e, em particular, com a alta no custo de vida levou a taxa de aprovação do presidente Donald Trump para o menor nível nos seus dois mandatos à frente da Casa Branca, deixando o Partido Republicano em sério risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro. E é muito provável que Trump acabe aprendendo a amarga lição de que, talvez, não tenha mais tempo até o pleito para reverter a perda no poder de compra dos eleitores.

Próteses, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Meu velho professor de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o dr. Roberval Flores, admitiu sua surdez quando, numa aula sobre malandragem e desfaçatez no Brasil, ouviu “titica”, mas a aluna dizia “política”. Depois de um teste no qual os sons se ocultavam para o mestre do oculto, o professor comprou uma caríssima prótese de ouvido. Agora, os sons antes ocultos brotam com a mesma nudez da corrupção sem polarização na elite política nacional.

Antigamente, o roubo era uma prótese de meliantes, devidamente ocultada. Hoje, foi-se o segredo dos conchavos entre compadres (hoje irmãos) seguros de que as dádivas trocadas entre eles jamais seriam gravadas e televisionadas. Hoje, porém, é possível ser generoso misturando a casa com a rua para receber as devoluções implícitas na velha lei da troca, desvendada por Marcel Mauss. Pois a regra do dar, receber e retribuir tem óbvios limites, sem os quais não há igualdade democrática. O problema é a força do favor que anula as exigências de imparcialidade. Aí está o centro da crise.

A origem do dinheiro do Zero Um, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Flávio justifica tudo como um negócio entre particulares, mas ele é senador e o eleitor não é ingênuo

Quando a Lava Jato descobriu um mar de dinheiro irrigando contas de partidos políticos, a saída da maioria dos que foram apanhados nas planilhas das empreiteiras foi dizer que tudo não passava de doações não contabilizadas para suas campanhas, o chamado caixa 2. Muitos assumiam o que pensavam ser um pecado menor, sem se dar conta de que a explicação para os pagamentos ilícitos não respondia à pergunta que qualquer eleitor honesto faria: afinal, qual a origem daquele dinheiro e por que um empresário se disporia a entregar tanto em troca de nada?

Flávio admite que foi à casa de Vorcaro após prisão; pesquisa aponta desgaste

Pedro Augusto Figueiredo, Gabriel de Sousa, Guilherme Caetano e Naomi Matsui / O Estado de S. Paulo

Senador disse que procurou dono do Master para pôr ‘ponto final’ em negociação; segundo a Atlas, intenções de voto caíram

Pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) admitiu ter ido à casa de Daniel Vorcaro no final de 2025, após a primeira prisão do dono do Banco Master. Depois que a informação foi divulgada, Flávio fez pronunciamento à imprensa. Ele alegou que foi à casa do banqueiro, em SP, para “pôr ponto final nessa história”, em referência à negociação para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador não respondeu a perguntas dos jornalistas. As revelações contradizem declarações anteriores de Flávio de que não conhecia e de que sua família não tinha “contato pessoal” com Vorcaro. O novo fato surgiu no dia em que pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que a vinculação do senador com o caso Master após a divulgação de mensagens de texto e áudio com pedido de dinheiro a Vorcaro teve reflexo em suas intenções de voto. Num eventual segundo turno, a perda seria de 6 pontos porcentuais.

Joaquim Barbosa pré-candidato ontem e hoje, por Fernando Exman

Valor Econômico

Dado o histórico, o anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo partido Democracia Cristã demanda cautela. Cautela do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do eleitor e, também, do próprio DC.

Há uma sensação de “déjà vu”. Não é a primeira vez que o nome dele emerge a esta altura de um ano eleitoral. Tampouco é a primeira vez que Aldo Rebelo pode ficar pelo caminho em razão da movimentação política do ex-magistrado. Mais do que isso, pode-se identificar hoje novamente algumas das condições que levaram Barbosa a se aventurar na política, no PSB, em 2018.

Exibição do trailer de 'Dark Horse' mostra bolsonarismo descolado da realidade, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Divulgação de diálogos de Flávio com Vorcaro tem efeito tóxico para pré-campanha e deve afastar partidos do Centrão

A exibição do trailer do filme financiado por Daniel Vorcaro na reunião do PL que discutiu a crise da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) mostrou o descolamento da realidade em que a família do ex-presidente vive. “Dark Horse” hoje é um tema tóxico. Só o bolsonarismo não viu.

A divulgação da AtlasIntel com a boca do jacaré abrindo favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva potencializou o efeito da revelação de um encontro de Flávio com um Vorcaro já portador de uma tornozeleira eletrônica.

Pesquisa quebra favoritismo de Flávio e mostra azarões na corrida presidencial, por César Felício

Valor Econômico

Não é mais certo que em um segundo turno o senador do PL agregue todos os votos do antipetismo

A pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, a primeira a medir o impacto do caso “Dark Horse” na campanha presidencial, mostrou que há um, talvez dois, candidatos a azarões na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na esteira da queda de 5,3 pontos percentuais de intenção de voto de Flávio Bolsonaro (PL), que caiu de 39,7% para 34,3%, cresceram Renan Santos (Missão), de 5,3% para 6,9%; e Romeu Zema (Novo) de 3,1% para 5,2%.

Cuba libre hasta siempre, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

O destino da ilha socialista não pode estar ligado a planos espúrios e gananciosos de um gigante à espreita, faminto para abocanhar tudo o que acha lhe ser de direito.

Mais de 10 milhões de cubanos são castigados todos os dias pela sanha imperialista dos Estados Unidos, pela tentativa de impor o capitalismo e a força bruta(l) do lucro para obter vantagens. É quase uma relação parasitária. Não bastasse o embargo às exportações de Havana e às transações financeiras, iniciado por Washington há 66 anos, agora Cuba amarga um bloqueio energético que mergulha a ilha caribenha nas trevas até 20 horas por dia e ameaça pulverizar a frágil economia.

Desprovido de qualquer senso de humanidade, o presidente Donald Trump parece não se importar em tornar a vida ainda mais penosa para a população cubana. Tudo para forçar um regime. Animado com a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente republicano acredita que possa fazer algo parecido na ilha caribenha.