Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Nota sobre relações de força, por Antonio Gramsci *
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Fundo eleitoral e emendas distorcem a competição política
Por Folha de S. Paulo
Partidos, que receberão R$ 4,9 bi em dinheiro
do contribuinte, deveriam buscar na sociedade seu sustento
Volta de doações de empresas seria um
primeiro passo; parlamentares decidem cada vez mais o destino dos impostos, mas
de forma degradada
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a
divisão de recursos do fundo eleitoral entre os partidos políticos. Como já era
sabido, vultosos
R$ 4,9 bilhões foram destinados no Orçamento para financiar
campanhas neste ano.
Agremiações com desempenho eleitoral melhor na disputa mais recente por vagas no Congresso Nacional levam as maiores fatias desse Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O PL, de Jair Bolsonaro, ficou com a maior parcela, R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT, de Luiz Inácio Lula da Silva, com R$ 615,3 milhões.
Entrevista: Lula vai ter mais de um palanque em vários estados para aproximar o centro, diz Wellington Dias
Por Victoria Azevedo – O Globo
Futuro integrante da coordenação da campanha,
ministro do Desenvolvimento Social diz que erro do primeiro mandato foi não
consolidar maioria no Congresso e prevê aproximação de partidos a partir de
alianças aos governos locais
— BRASÍLIA - O ministro Wellington Dias
(Desenvolvimento Social) afirma que a campanha à reeleição do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva deverá ser acompanhada por uma articulação voltada ao
centro político. Em entrevista ao GLOBO, o ministro avalia que o principal erro
do terceiro mandato foi não consolidar uma maioria simples na Câmara e no
Senado, diz que faltou cuidado e atenção na relação com os aliados, e defende a
construção de palanques estaduais capazes de assegurar governabilidade em um
eventual novo mandato.
Dias atuará na coordenação de campanha da reeleição ao petista, com foco na região Nordeste. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, o ministro afirma que é preciso retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defende a prerrogativa de Lula em reenviar o nome de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que a atuação de Flávio Bolsonaro (PL) junto ao governo Donald Trump que resultou na classificação do PCC e do CV como organizações terroristas é para “abafar o escândalo do Master”.
Os temas que vão decidir a eleição deste ano, por Bruno Carazza
Valor Econômico
Com situação fiscal comprometida, debate
entre Lula e Flávio Bolsonaro passa mais por questões regulatórias do que
políticas públicas tradicionais
Lula e Jair Bolsonaro mediram forças dois
anos após a deflagração da pandemia. E apesar de ter ceifado a vida de mais de
700 mil brasileiros, a covid não foi o tema principal da eleição mais disputada
da história.
Nos debates e na propaganda eleitoral de 2022, Lula se concentrou mais na defesa da democracia e na garantia de que manteria o Bolsa Família em R$ 600 e que retomaria os reajustes reais do salário-mínimo. Uma vez eleito, iniciou seu terceiro mandato com o slogan “União e Reconstrução”. Em agosto do ano passado, porém, sentindo a recuperação da popularidade após o tarifaço e a abertura de investigação contra o Brasil por Trump, os marqueteiros de Lula trocaram o mote para “Do lado do povo brasileiro”.
Qual é o tamanho do ativismo fiscal do governo em 2026? Por Sergio Lamucci
Valor Econômico
Impacto das medidas expansionistas neste ano deve ser de R$ 215 bilhões, enquanto as iniciativas que elevam a receita totalizam R$ 109 bilhões, estima Marcos Mendes
O governo intensificou o uso de medidas de expansionismo fiscal desde meados do ano passado, com impactos que superam R$ 200 bilhões neste ano. Há iniciativas de caráter financeiro, extraorçamentário e mesmo primário que não impactam o teto de gastos do arcabouço, mas todas afetam a dívida pública, já em trajetória de alta forte, superando 80% do PIB no caso do endividamento bruto. Ao mesmo tempo, há uma busca por aumento de receitas, em vários casos por meio de tributos regulatórios que prejudicam a produtividade da economia, aponta o economista Marcos Mendes, pesquisador do Insper, responsável por essas avaliações e estimativas, em nota para a XP Investimentos.
O Brasil da renda média, para menos, por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Parece que os problemas de fundo só aparecem
nos momentos de susto. E assim vamos levando, na mediocridade da renda média,
para menos
Não sei se prestaram atenção, mas o ambiente
econômico piorou nas últimas semanas. Há muitas causas para isso, mas a mais
importante é a percepção de que a inflação está
de novo em alta. E, se é assim, a taxa básica de juros não pode mais cair. Ou,
como dizem os economistas, reduziu-se o espaço para o Banco Central cortar a
Selic, atualmente no nível, elevado, de 14,5% ao ano.
A guerra no Oriente Médio é parte do problema. Petróleo mais caro, e bem mais caro, causa inflação no mundo todo, mas pegou a economia brasileira no contrapé. O ambiente parecia bem positivo: inflação em queda, crescimento do PIB, rendimentos do trabalho em alta, desemprego em baixa recorde, dólar comportado. Com o Banco Central cortando a taxa de juros, então, era um resultado dos sonhos. Desinflação com expansão econômica.
.A nobreza dos novos imaginários, por Preto Zezé
O Globo
Sem negar a história, a novela apresenta
também uma África ligada à cultura, aos afetos, à sofisticação, à política e à
construção dos próprios destinos
Nos conselhos empresariais, consultorias e ambientes de decisão, costumo defender uma ideia simples: toda transformação relevante começa por um diagnóstico honesto dos problemas e pela construção de soluções para não repetir os mesmos erros. Mas existe uma segunda etapa igualmente importante: reconhecer avanços, celebrar conquistas e tornar visíveis as mudanças alcançadas. Uma sociedade amadurece quando aprende com seus erros e transforma seus acertos em referência para o futuro.
Coalizões da impunidade nem sempre vencem, por Carlos Pereira
O Estado de S. Paulo
O desejo de retaliar a Justiça pode estar presente. A capacidade de fazê-lo, não
O que acontece quando líderes políticos
poderosos são condenados? A resposta mais intuitiva é que a condenação
fortalece a democracia. Afinal, ela sugere que ninguém está acima da lei e
aumenta os custos de futuros desvios.
Mas em um artigo ainda preliminar e provocativo, os cientistas políticos Luciano Da Ros e Manoel Gehrke chamam atenção para a reação dos próprios políticos. Os autores mostram de forma comparada que condenações de ex-chefes de governo (entre 1946 e 2025) frequentemente são seguidas por reformas que reduzem a independência e os poderes do Judiciário. A lógica é simples. Quando um líder poderoso é condenado, a mensagem enviada aos demais políticos é que eles podem ser os próximos. Em vez de aceitarem passivamente esse novo risco, passam a apoiar mudanças institucionais capazes de limitar o Sistema de Justiça.
Corrupção, segurança e eleições, por Marcus André Melo
Folha de S. Paulo
Temas negativos na agenda pública alimentam
sentimento de mudança e penalizam incumbentes
Embora corrupção não seja critério definidor
para maioria do eleitorado, ela faz parte do processo da psicologia do voto
A corrupção voltou a ocupar lugar de destaque na agenda pública, e não poderia ser diferente. Dois megaescândalos vieram à tona recentemente: INSS e Master. Seus desdobramentos ainda estão em curso, mas irão marcar intensamente as eleições. Além disso, os sucessivos escândalos associados a emendas orçamentárias reverberam a questão. Haverá intensa disputa de narrativas sobre o envolvimento em corrupção, que afetará poucos setores muito polarizados, mas incidirá nos demais. Mais importante: ela alimenta o sentimento público quanto à necessidade de mudança de rumo.
Tecido esgarçado, por Ana Cristina Rosa
Folha de S. Paulo
Ainda há setores que resistem à ideia de
reparação aos descendentes dos escravizados
Racismo opera para impedir ou dificultar a
ascensão de pessoas pretas e pardas
Comparo as relações étnico-raciais no Brasil
a um tecido esgarçado, surrado pelo atrito e prestes a se romper pelo desgaste
contínuo causado pela violação ou negação sistemática de direitos à população
negra.
Sei bem que este é um país racista (machista, misógino e homofóbico também). Essa consciência me impede de nutrir a pretensão de contar com a concordância "de geral" em relação ao que penso e escrevo.
Nasce um otário por segundo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
No Brasil, um influencer que se preze tem de
1 milhão a 100 milhões de seguidores
Quem serão esses milhões que seguem Camila
Pudim, Pamela Fuego e Leuriscleia?
Perguntaram-me quantos "seguidores" eu calculava que tivesse. Embatuquei: "Sei lá, nunca pensei nisso. Acho que nenhum". O outro insistiu: "Não é possível. Você está na imprensa há milhões de anos, escreve livros, dá entrevistas. É um dos principais influencers do país". Reagi com "Deus me livre, imagine a responsabilidade de influenciar alguém, de ser responsável por algo que uma pessoa faça ou deixe de fazer!". É verdade. Mal consigo dar conta de mim mesmo e meus gatos Bing, Dixie e Bizu acham ridículas minhas tentativas de ensiná-los a miar em francês. Além disso, em que um "influencer" influencia seus "seguidores"?
Um Homem de Muitos Séculos[1] por Elimar Nascimento *
Revista Será? Nº 712, 05/06/2026
Edgar est mort: foi assim que nos chegou a notícia do falecimento do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, às vésperas de completar 105 anos, por sua filha Véronique. Era uma tarde de sexta-feira (29). Estávamos em um carro na Asa Norte (Brasília) retornando para casa, e um silêncio pesado se abateu sobre nós. Há algumas semanas ele lutava contra uma septicemia em Paris. Marianne Cohen, sua sobrinha, que estava conosco, o tinha visitado na terça-feira (26), antes de viajar ao Brasil. Sabíamos, portanto, dos riscos que sofria, mas tínhamos a esperança de que aquele que venceu o nazismo, o estalinismo e a perseguição por seu pensamento fora da curva resistiria ainda e mais uma vez.
O fracasso do socialismo autoritário, por Antonio Fausto do Nascimento*
Avultam pesquisas históricas e acadêmicas.
Orlando Figes, da Universidade inglesa de Cambridge, foi um dos melhores pesquisadores
com A TRAGEDIA DE UM POVO, livro que levou mais de seis anos para ser escrito
(1).
Durante os últimos decênios do czarismo, milhões
de camponeses foram afastados das áreas rurais. A população urbana
quadruplicou. Não havia legislação trabalhista e previdenciária. As conquistas
dos trabalhadores britânicos e alemães permaneciam fora do alcance do
operariado russo, na virada do século XIX. As fabricas estavam lotadas de maquinas
obsoletas e perigosas, os acidentes do trabalho eram frequentes.
A partir de 1905, acentuado aumento das greves e protestos e primeira greve geral. Entre 1906/1909, mais de cinco mil presos políticos foram executados e outros milhares, condenados a prisão e trabalhos forçados.












