sexta-feira, 26 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Infiltração do PCC na Câmara de SP serve de alerta

Por o Globo

Operação que prendeu vereador petista expõe elo preocupante da política com o crime organizado

Foi oportuna a operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo que prendeu nesta quinta-feira o vereador Senival Moura (PT), suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Senival, primeiro secretário da Câmara Municipal de São Paulo, atuava como figura central num esquema que usava uma empresa de ônibus para lavar dinheiro da facção. É apontado pelos investigadores como controlador indireto da transportadora e dono de parte da frota (ele alega inocência). A operação expõe mais uma vez elos preocupantes da política com o crime organizado.

A infiltração de facções criminosas na economia formal tem sido prática disseminada. Permite manter as atividades ilegais sem despertar a atenção das autoridades. Nesse campo, os bandidos têm sofrido reveses importantes. A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado, se tornou um marco ao expor um esquema gigantesco de sonegação e lavagem de dinheiro para o PCC, envolvendo o setor de combustíveis. As investigações mostraram que os tentáculos do crime se estendiam a fintechs e instituições financeiras da Avenida Faria Lima.

Qual a força eleitoral da seleção Canarinho? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Alegria com o penta não ajudou o sucessor de Fernando Henrique em 2002. José Serra perdeu para Lula naquela eleição

O que mais simboliza o patriotismo? O hino, a bandeira, a camisa verde-e-amarela? Torcer para a seleção Canarinho, na alegria e na tristeza? Para o atual governo, um dos símbolos é a ferramenta de transferência de valores do Banco Central: “O Pix é do Brasil”, diz a palavra de ordem da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.

Na ditadura de Getúlio Vargas, em meio à campanha “O petróleo é nosso”, e no ano de fundação da Petrobras, Guimarães Rosa descartou que a commodity pudesse representar nossa pátria. Para o escritor, com fama de bom de garfo, o orgulho de ser brasileiro envolvia olfato e paladar: “O derradeiro resumo do patriotismo é o gustativo, palatal, de mesa e sobremesa”, afirmou. “Nossos, bem nossos, são o doce-de-leite e o desfiado de carne seca”, sacramentou, em crônica publicada em 1953.

Que trem é esse? Por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O lucro mais fácil do transporte de minérios e de produtos agrícolas, aos olhos do empreendedorismo superficial, desvaloriza ideologicamente o lucro possível no transporte de passageiros

A atualização e expansão da rede ferroviária brasileira, voltada para o agronegócio e a mineração, levanta a questão social do que nela sobrará para o chamado passageiro, como seu usurário e beneficiário.

As ferrovias são fatores de criação de renda diferencial da terra na medida em que colocam os territórios que percorrem mais próximos dos mercados que se situam em seus respectivos destinos. A diminuição do tempo de um percurso opera na prática como diminuição da distância em relação ao mercado e ao mundo urbano.

Vídeo de Michelle confirma DNA bolsonarista, por Vera Magalhães

O Globo

Ao criticar enteado pré-candidato a presidente, ex-primeira-dama atesta maneira subalterna como clã enxerga as mulheres

O longo vídeo de Michelle Bolsonaro é um dos mais eloquentes testemunhos de alguém literalmente de dentro a respeito de algumas das principais características que estão no DNA do bolsonarismo: o mandonismo do “capitão”, a franquia familiar como objetivo político maior e o completo desprezo às mulheres como marca indelével.

Ela pode ter pretendido atingir Flávio Bolsonaro, mas, se levadas a sério, suas palavras expõem a maneira como seu “galego” instrumentalizou a ela própria para atingir o eleitorado feminino, que sempre foi um ponto fraco para a chegada e a permanência de Jair no poder.

Duelo entre Michelle e Flávio expõe disputa por herança política de Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-primeira-dama e senador travam batalha aberta pelos votos de Jair

A nova crise na campanha de Flávio Bolsonaro surgiu dentro de casa. A ex-primeira-dama Michelle disse que o enteado a “maltratou”, “desrespeitou” e “humilhou”. O candidato do PL já penava com o eleitorado feminino, determinante na derrota do pai em 2022.

O projeto dos Bolsonaro sempre foi familiar. O capitão lançou na política os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. Não contava com a rivalidade entre os herdeiros de sangue e a madrasta, que também mostra apetite pelo poder.

Michelle foi a última a ingressar no clã. Terceira mulher do ex-presidente, tem 44 anos, um a menos que Flávio. Quando se casou com Jair, o Zero Um, o Zero Dois e o Zero Três já eram adultos e esperavam na fila para sucedê-lo.

Quando é preciso expor a virtude antirracista, por Pablo Ortellado

O Globo

Ser branco passa a ser percebido como moralmente problemático e, portanto, uma condição de que é preciso escapar

Pesquisas nos Estados Unidos têm mostrado um fato curioso. Nos últimos anos, brancos de esquerda passaram a avaliar negros e outros grupos minoritários de forma mais calorosa do que as próprias pessoas brancas, numa espécie de inversão da conhecida tendência psicossocial de favorecer o próprio grupo.

O dado surge de um instrumento usado em pesquisas de opinião conhecido como “termômetro de sentimento”. Quem responde à pesquisa é provocado a dizer quão “caloroso” ou “frio” se sente em relação a um grupo-alvo — a metáfora térmica captura a dimensão afetiva, mostrando quanto se gosta ou desgosta do grupo. O instrumento é tradicionalmente usado para medir favoritismo. O viés é calculado pela diferença entre a nota que se dá ao próprio grupo e a nota dada a outro grupo.

Foi ou não ‘mimimi’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Michelle só quer mais protagonismo ou quer a vaga de Flávio na chapa?

Bolsonaristas e petistas se unem numa pergunta que não quer calar: Michelle Bolsonaro está se insinuando na disputa presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha do enteado Flávio, tanto pelo Dark Horse quanto pelas novas ameaças de Trump? Ou seu vídeo contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o marido?

O governo comemora a guerra interna, mas os dois lados querem saber de que lado Jair Bolsonaro está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, política e eleitoral.

O conselho ignorado por Flávio sobre Michelle, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Interlocutores do PL já vinham avisando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da importância de trazer Michelle Bolsonaro para sua pré-campanha, mas ele ignorou.

Lideranças relatam que o pré-candidato foi aconselhado recentemente a fazer um gesto em direção à ex-primeira-dama, dizendo que ela seria ministra em seu futuro governo e também a convidá-la a ajudar a escolher a sua candidata a vice-presidente.

Um influente interlocutor disse à coluna que faltou “sensibilidade” a Flávio, que não a incluiu na campanha.

Cultura em alerta, por José Sarney*

Correio Braziliense

Como intelectual e escritor com mais de 120 títulos publicados, em 168 edições e 10 idiomas, alio-me à defesa dos direitos autorais e daqueles que os estão defendendo

Nunca na História tivemos um tempo de nuanças tão grande quanto neste tempo — não digo neste século, porque não sabemos quanto tempo vai durar.

É que, desde a grande explosão (o Big Bang), o Universo sofreu mudanças físicas que determinaram e continuam determinando a sua forma. Aqui na Terra, com a existência de vida, sempre tivemos, e vamos continuar tendo, transformações no corpo dos seres vivos, animais e plantas.

Pois bem, agora passamos por uma modificação profunda no modo de pensar, e a capacidade do cérebro humano é desafiada pela inteligência artificial (IA). As "minas", isto é, os bancos de dados gigantes, que consomem uma energia colossal, caminham para o armazenamento de todo o conhecimento humano e para uma imitação plena do pensamento lógico e do domínio da razão, sem que se possa prever o que farão no futuro. E já se está engatinhando por esse caminho. A humanidade ainda não consegue avaliar o risco de ser sufocada por esses imensos perigos.

Michelle demarca território, Flávio resiste; o pós-Bolsonaro já começou, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Pela primeira vez, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada pelo senador e pela ex-primeira-dama, foi travada em praça pública

O conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro extrapolou o terreno das relações familiares e se tornou um dos episódios mais reveladores das contradições no clã Bolsonaro nesta pré-campanha presidencial. Pela primeira vez, desde que Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho como sucessor, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada por ambos, foi travada em praça pública.

À primeira vista, Michelle parecia ter produzido um enorme desgaste para a candidatura de Flávio. Principal liderança feminina da direita e responsável pela interlocução do PL com o eleitorado evangélico, acusou o enteado de tê-la “desrespeitado”, “maltratado” e “humilhado”. Gravou um vídeo muito bem produzido e de cabeça pensada, com objetivo claro de ser contundente: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”.

Em nome de que Michelle desafiou a autoridade de Bolsonaro? Por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

Vídeo foi planejado em detalhes, com cenário, roteiro e teleprompter

Ex-primeira-dama cita Valdemar Costa Neto e lideranças do PL Mulher como aliados

Michelle Bolsonaro publicou um vídeo explicando por que não apoiará Flávio. O que me interessa não é o que ela diz, mas o que ela faz a partir desse ato e as perguntas que isso levanta.

Michelle tomou essa atitude sem consultar ou pedir autorização ao marido? Porque ela não diz falar em nome de Jair e não faz sentido que ele ataque o filho. Seu primogênito é pré-candidato à Presidência da República escolhido por ele próprio. Não me lembro de outro gesto da ex-primeira-dama demonstrando essa autonomia contra o interesse familiar.

Qual é o objetivo, além de prejudicar as chances de Flávio na corrida presidencial, ao apresentá-lo e aos irmãos como pessoas que atacam uma mulher —a esposa do pai— tratando-a como ingênua nas palavras dela, para apoiar um inimigo político em nome do pragmatismo?

Um país que só existe hoje e até a esquina, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O analfabetismo caiu, mas pergunte a alguém quando se proclamou a República, em 1822 ou 1889

Pelo menos, há um livro que está vendendo aos milhões: o álbum de figurinhas da Copa

Faça um teste com qualquer pessoa das que lhe prestam serviços, em sua casa, no seu prédio ou na rua. Pergunte-lhe se sabe o que aconteceu no Brasil em 1964. Ou sobre qual veio primeiro, se a Segunda Guerra ou a Guerra do Paraguai. Ou em que ano foi proclamada a República, 1822 ou 1889. Não quero antecipar nada, mas temo que as respostas não sejam muito animadoras. Converso com muita gente, de todas as classes e categorias, e sinto nelas um distanciamento crescente entre as premências da vida real e um conhecimento básico do país. É como se, para elas, o Brasil só existisse hoje e até a esquina.

Na Copa da batata 100% mais cara, previsão é de inflação menor só na Olimpíada de 2028, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Banco Central tenta desfazer confusão e estima inflação na meta daqui a dois anos

Certos alimentos ficaram mais caros por choque climático, mas carestia extra não é geral

Batata, cenoura e tomate dobraram de preço desde o início do ano. A cebola ficou 64% mais cara. O feijão-carioca, 51%. A comida que se leva para casa aumentou em média 5,9% até junho, na medida do IPCA-15, do IBGE.

Em 12 meses, a inflação da comida está em 3,4%. Entre novembro de 2024 e maio de 2025, ficara perto de 8% ao ano, o que ajudou a derrubar a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva.

O aumento, pois, não é disseminado, embora seja carestia horrível de produtos de uso corriqueiro. Em abril de 2013, o tomate caríssimo virou meme, mas era símbolo de inflação de alimentos alta, de quase 16% ao ano, um tempero das tantas insatisfações com Dilma Rousseff.

Na prática a teoria colapsa, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ida de Gilmar Mendes ao Roda Viva mostra que lei não basta para produzir comportamento virtuoso

Prestígio do STF está se esvaindo e, se nada for feito, é questão de tempo até que venha um impeachment

A ala do STF contrária à criação de um código de ética para a corte tem razão ao afirmar que, em princípio, tal diploma não seria necessário, uma vez que regras de conduta para juízes já estão fixadas na Lei Orgânica da Magistratura, a Loman. A Loman, vale lembrar, é uma lei complementar, hierarquicamente superior a qualquer forma legal que um código de ética poderia assumir. Se a tese desse grupo de ministros é robusta na teoria, não é necessário mais do que rápida visita ao mundo real para constatar que, na prática, ela colapsa.

Talvez vitória de Lula seja, no final, boa para todos, por Marcos Augusto Gonçalves*

Folha de S. Paulo

Direita enfrenta dificuldades com candidatura catastrófica de Flávio Bolsonaro e demais opções

Petista tem problemas, mas é previsível e só tem mais uma disputa, depois cenário vai se reabrir

Os resultados da mais recente pesquisa Datafolha consolidaram o tombo que o candidato Flávio Bolsonaro levou de seu pangaré obscuro ao ser apanhado em flagrante a pedir dinheiro grosso ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai.

Por mais que se tente encarar as coisas com benevolência pelo lado do senador, sua situação piorou depois da conversa vazada com o dono do Master. A realidade é que Lula está dez pontos percentuais à frente na pesquisa estimulada. Na espontânea, em que os nomes dos presidenciáveis não são apresentados, Lula é citado por 30% e Flávio Bolsonaro, por 17%.

Tempos de Arraes - a revolução sem violência, por Antônio Fausto Nascimento*

O governo de Miguel Arraes de Alencar (1963/1964), em Pernambuco, ao lado de Seixas Dória, de Sergipe, foram os únicos a serem imediatamente depostos pelo golpe civil-militar de 1964. Governou o Estado por um ano, mesmo tempo em que ficou encarcerado na Ilha de Fernando de Noronha.

Ameaçado de nova prisão pela ditadura, teve de se exilar na Argélia, onde permaneceu por 14 anos, regressando ao Brasil com a Lei de Anistia de 1979. A partir das eleições gerais de 1982, foi eleito Deputado Federal por várias legislaturas e novamente governador por dois mandatos. O povo pernambucano lhe fez justiça, em seu retorno ás atividades políticas.