quinta-feira, 16 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Justiça Eleitoral patrocina desinformação sobre pesquisas

Por Folha de S. Paulo

Selo de 'acurácia' proposto por Nunes Marques difunde falsa premissa de que estudos podem prever o futuro

Juízes não têm poder constitucional de tutela sobre a liberdade de informar nem competência técnica para arbitrar qualidade das pesquisa

De 2019 a 2022, as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral no Brasil foram alvo de uma abjeta campanha de desinformação liderada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). O método consistia em difundir cogitações falsas mas sedutoras ao público não especializado, como a de que os dispositivos de votação e apuração eram vulneráveis a invasões e manipulações.

Quatro anos depois de encerrada a aventura autoritária, o próprio Tribunal Superior Eleitoral torna-se fonte de uma torrente de falsificação de informações técnicas. Desta vez as pesquisas eleitorais encontram-se na mira do ataque que, como aquele outro, propaga equívocos que poderiam causar apelo em pessoas pouco versadas na ciência estatística.

Em decadência, por Merval Pereira

O Globo

Pesquisa abre necessariamente um momento de reflexão sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem abre necessariamente um momento de reflexão no bolsonarismo e no próprio PL sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A pesquisa, amplamente favorável ao presidente Lula, tem sinais claros de queda acentuada nas preferências por Flávio, mesmo entre os evangélicos. O que facilita a permanência da candidatura do filho do ex-presidente é que nenhum candidato da direita se beneficiou da queda, restando ainda a esperança de que o aumento dos indecisos possa ser revertido ao longo da campanha. Lula abriu vantagem fora da margem de erro, e a queda da inflação, junto com o crescimento da economia — pequeno, mas persistente — leva uma situação de estabilidade à sua campanha.

Pesquisa Quaest deve fazer Lula voltar a sonhar com vitória no primeiro turno, por César Felício

Valor Econômico

Presidente tem 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma dos outros adversários

A possibilidade de um desfecho da eleição presidencial no primeiro turno volta a entrar no cenário das possibilidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do resultado da rodada Quaest que foi divulgada na manhã desta quarta-feira. O presidente consegue 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL) e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Há dúvidas sobre a solidez do resultado, contudo, já que a porcentagem de indecisos oscilou de 10% para 11%.

Pauta-bomba, populismo e irresponsabilidade, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

A responsabilidade fiscal é um princípio basilar da Constituição federal de 1988. Não se trata de ser a favor de Estado mínimo, de cortes de gastos unilaterais ou coisa que o valha. Na verdade, a ideia da responsabilidade é simples: não se pode gastar sem apresentar a fonte de financiamento. O equilíbrio intertemporal das contas públicas é condição inescapável para a prosperidade e o desenvolvimento integrado da nação. Hoje, o Congresso trabalha contra esse princípio e, portanto, contra o País.

As lideranças do Legislativo têm se arvorado na missão de prejudicar a vida do Poder Executivo, diuturnamente, apreciando e aprovando pautas com efeito fiscal relevante e permanente. A mais recente pautabomba aprovada foi o regime diferenciado de aposentadoria para agentes de saúde.

Eleições e o conluio, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não se sabe se será alterado o equilíbrio do fio da navalha entre os Poderes

A participação do STF na política virou hoje o único fator abrangente empurrando a oposição, que padece claramente de liderança e direção. Até Lula, que não governa sem o Supremo, reconhece que o STF lhe traz problemas de popularidade.

A recente proibição a Flávio Bolsonaro de visitar o pai, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, apenas reforça essa percepção por parte de uma enorme parcela do público: a de que o STF é parte da luta político-partidária e, portanto, tem lado. Se a proibição determinada pelo ministro se justifica por critérios técnicos (violação das medidas cautelares por parte de Bolsonaro), isso em nada altera esse quadro.

Lula não entregará o que Trump deseja, o fim do Pix, apesar do tarifaço, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A ofensiva contra o Brasil não deve ser examinada apenas como uma disputa sobre alíquotas, etanol, plataformas digitais ou acesso a mercados. Trata-se de um choque institucional

Representantes do governo dos Estados Unidos informaram ao Itamaraty que a decisão sobre a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros já foi tomada. Somente após a divulgação da decisão, porém, o governo brasileiro analisará o teor do anúncio, para definir qual será a sua reação. Mais ou menos como naquele refrão do samba Malandragem Dá Um Tempo ( "Vou apertar, mas não vou acender agora"), de autoria de Adelzonilton, Moacyr Bombeiro e Popular PA, imortalizado pelo sambista Bezerra da Silva e músico letrado, que tocava violão clássico em orquestras e era notável percussionista.

Brasil vive hoje um quadro de feudalismo fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Termo foi cunhado há seis anos pela procuradora Élida Graziane e virou realidade

Emendas funcionam como vassalagem, em troca de lealdade e proteção entre agentes políticos

O Brasil já vive um quadro de feudalismo fiscal. O termo foi cunhado há seis anos por Élida Graziane, especialista em contas públicas e procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo.

Na época, a previsão era um alerta para os riscos no futuro. Mas o que era um prognóstico se transformou em realidade rapidamente.

Nos últimos tempos, assistimos sem reação à adoção de medidas populistas, aprovação de pautas-bomba, negociatas com emendas, aumento de penduricalhos para servidores, de benefícios fiscais e tantos outros mecanismos de captura de recursos públicos.

Os caminhos da extrema direita, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A direita aclimatada ao jogo democrático perde primazia para populistas

Populismo de direita torna imponderável o futuro do sistema representativo

"Bolsonaro tem os votos", constatou o presidente do PLValdemar Costa Neto, ao avaliar a importância da carta na qual o ex-presidente, em prisão domiciliar, reiterou seu apoio à candidatura do primogênito. A declaração vale para o momento, mas também retrata a dependência das forças da direita tradicional da musculatura eleitoral de sua expressão política mais extremada.

A mudança do centro de gravidade do campo direitista nesse rumo não é peculiaridade brasileira. A extrema direita avança no Ocidente, observa Sérgio Fausto, diretor-geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso, em lúcido artigo publicado em O Estado de S. Paulo, na segunda-feira (13).