Contas públicas atestam fracasso do arcabouço fiscal
Por O Globo
Nos últimos 12 meses, rombo alcançou 10% do
PIB, o pior resultado desde a pandemia
A irresponsabilidade fiscal do presidente
Luiz Inácio Lula da
Silva produziu uma tragédia cujo clímax se aproxima. A cada novo retrato da
saúde fiscal do Estado, acumulam-se as evidências de que o Brasil está perto de
uma crise severa, provavelmente com a temida confluência de inflação em alta e
estagnação econômica — situação que os economistas batizaram de “estagflação”.
É o que se depreende dos dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira.
Nos últimos 12 meses, as contas públicas fecharam com um rombo de R$ 1,3 trilhão, levando em conta o déficit primário (receitas menos despesas do governo) e o pagamento de juros da dívida pública. Tal número — tecnicamente chamado “déficit nominal” — equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem contar 2020, ano da pandemia, e o catastrófico ano de 2015, depois da reeleição de Dilma Rousseff, é o pior resultado registrado desde quando Lula subiu a rampa do Planalto pela primeira vez, em 2003. Com a sucessão de contas no vermelho, a dívida pública já alcança 82% do PIB, 8 pontos percentuais acima do início do atual mandato. Não há prova mais eloquente do fracasso do arcabouço fiscal implantado por Lula para controlá-la.

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