sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Resultado do Ideb revela progresso desigual no ensino

Por O Globo

País deve aprender com desempenho dos estados mais bem colocados, como Ceará, Paraná e Goiás

Anunciado nesta semana, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, revela avanços na comparação com a última medição em 2023. Apesar de o dado geral ser positivo, porém, o progresso é desigual e insuficiente diante da urgência do país em área tão fundamental para a economia e o desenvolvimento.

Nos anos iniciais de ensino (1º ao 5º), a média nacional da rede pública subiu de 5,7 para 6,1; nos anos finais (6º ao 9º), foi de 4,7 para 5; no ensino médio, de 4,1 para 4,3. O índice tem dois componentes: taxa de aprovação e resultados em testes de língua portuguesa e matemática (conhecidos pela sigla Saeb). Analisando somente o desempenho nas duas áreas do conhecimento, também houve evolução.

Poderes precisam de novo pacto, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

Precisamos sair do varejo ininterrupto que tomou conta da política nos últimos anos, com decisões que fortaleceram a oligarquização do poder em todos os seus fronts institucionais

O início da corrida presidencial está mais para um jogo de acusações do que uma disputa por projetos. É verdade que há necessidade de se debater e investigar todas as denúncias contra os candidatos e seus aliados, do mesmo modo que é provável que com o decorrer da eleição apareçam as ideias e as diferenciações entre os presidenciáveis. Porém, a realidade nua e crua do dia seguinte do voto não é a prioridade no discurso dos concorrentes. O problema é que o ano de 2027 vai exigir muitas medidas para evitar uma crise política e econômica. E isso só será possível com um novo pacto entre os Poderes.

Reclama-se muito, eleição após eleição, que os candidatos não apresentam um plano de governo baseado num conjunto estruturado e crível de políticas públicas. Sem dúvida isso é fundamental e precisa ser cobrado dos atuais presidenciáveis. Mas o cenário de 2027 exige algo mais: uma estratégia de governabilidade que reconstrua as relações entre os Poderes, que ao final do governo Lula III estão em frangalhos.

Não que o atual mandato tenha iniciado esse problema. Na verdade, ele é um ponto mais alto de um processo crescente iniciado no final do primeiro governo Dilma. Trata-se de um fenômeno de deterioração de muitas das bases do presidencialismo de coalizão que vigorou de forma mais estável entre o período FHC e o segundo período do presidente Lula, quando os conflitos, naturais num sistema de divisão de Poderes, não geravam grandes anomalias decisórias e de alocação de recursos públicos, nem o sentimento de revanche entre os Poderes.

A milonga eleitoral, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O presidente da Argentina, Javier Milei, não falou em nome próprio, mas como protagonista de empréstimo do ex-presidente e chefe do clã que está preso 

Uma visita insólita aos palcos da política brasileira ocorreu há poucos dias. Foi quando da convenção do PL que oficializou a candidatura de um filho de Jair Messias à confirmação da família na Presidência da República.

Família, na lei brasileira, republicana e não monárquica, não é sujeito de direito eleitoral. Tecnicamente, político não é nem tem família. Só na vida privada. No entanto, mesmo quem do “clã” está condenado e na prisão comporta-se aqui como se não estivesse. Manda por trás das grades.

A visita insólita foi a do presidente da Argentina, que tirou uma folga para uma visita não oficial, uma escapada para socorrer um colega brasileiro de ideologia política, em crise de sobrevivência eleitoral.

O evento da convenção mencionada foi feito para legalizar fora da lei o protagonismo eleitoral do que vem sendo identificado pela mídia como “clã Bolsonaro”. Uma prática de despistamento exposta pelo ministro do Meio Ambiente, na reunião do governo Bolsonaro de 22 de abril de 2020. Aproveitar a distração da mídia com a pandemia para fazer “passar a boiada” de mudanças nas leis de proteção ambiental com base nas regras e textos normativos infralegais. Um Brasil infralegalmente paralelo é o Brasil da direita, e é nele que vivemos.

A herdeira, o banqueiro e a PF no caminho da eleição, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Roberta Luchsinger retornou, recentemente, ao centro dos holofotes para dividir a cena, mais uma vez, com os mesmos personagens

Atribui-se a Friedrich Hegel a afirmação de que fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem duas vezes. A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

A história contemporânea brasileira se encaixa na máxima de Hegel, formulada no século 19. A personagem Roberta Luchsinger retornou, recentemente, ao centro dos holofotes para dividir a cena, mais uma vez, com a Polícia Federal (PF), banqueiros e políticos do alto escalão.

Ela ressurgiu em novo papel, porém, em trama com ar de reprise envolvendo policiais, políticos e banqueiros encurralados. Com a empresária em papel principal ou lateral, transitamos entre a Satiagraha e a Compliance Zero, o Opportunity e o Master, entre os dois “Daniel” - Dantas e Vorcaro -, o ex-prefeito de São Paulo, e o filho e o assessor do presidente da República.

Autossuficiência dos 'superpartidos' deturpa relação entre Poderes, por Vera Magalhães

O Globo

Verbas de emendas e de fundos turbinam legendas, que não precisam mais de alianças para prosperar, e evitam se comprometer com candidatos a presidente

A autossuficiência da maioria dos partidos — demonstrada até pelo indisfarçado desinteresse de siglas robustas e tradicionais na campanha presidencial — é a prova até aqui mais eloquente de que o mecanismo irrigado por emendas a rodo e fundos partidário e eleitoral bilionários empoderou as legendas de forma inédita na História do Brasil, com consequências que já começam a aparecer, mas que podem ter extensão muito maior.

Os partidos, que já têm dado de ombros ao Executivo pelo menos desde o governo Jair Bolsonaro, agora também esnobam os principais candidatos a presidente. Dizem na cara dos favoritos saber que mandarão e estarão no governo quem quer que vença, que as emendas praticamente asseguram previsibilidade sobre o tamanho que terão no Parlamento depois de outubro e que, portanto, é mais jogo cuidarem da própria vida, e os candidatos que lutem na lama da polarização encarniçada para ver quem leva a melhor.

Renan Santos, o candidato tigrinho, é a versão 2026 de Pablo Marçal, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Sem TV, presidenciável aposta em insultos e propostas mirabolantes para viralizar nas redes

A eleição presidencial deu palco a um novo aspirante a outsider. É Renan Santos, chefe da tropa do MBL. Sem tempo de TV, o candidato do Missão aposta em vídeos provocativos e propostas mirabolantes para chamar a atenção nas redes. É a versão 2026 do coach Pablo Marçal.

Renan defende uma típica plataforma de extrema direita. Prega a extinção de benefícios sociais, o fim de políticas para minorias e o sinal verde para a matança policial.

Cientistas deveriam ter feito esforço de persuasão na pandemia, por Pablo Ortellado

O Globo

A descrença populista não será vencida exigindo confiança cega — precisaremos conquistá-la com respeito democrático

Na semana passada, o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos Anthony Fauci foi chamado ao Senado americano para depor sobre as políticas que implementou durante a pandemia de Covid-19. Senadores de direita o acusaram de ter escondido do público informações sobre a doença, de ter financiado o laboratório onde afirmam que o vírus foi criado e de ter imposto, sem necessidade, lockdowns e fechamento de escolas. Por orientação de seus advogados, Fauci invocou a Quinta Emenda e, repetindo sempre a mesma frase, recusou-se a responder a mais de cem perguntas.

E ainda é agosto..., por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio recuperou fôlego e Lula não é imbatível, mas muita água (suja) ainda vai rolar

Quando o governo Trump anunciou a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, um sagaz diplomata ironizou, ou efetivamente previu: “E ainda estamos em agosto...” Sim, as várias tensões só vão piorar até outubro, e não só na política externa, mas, principalmente, nas campanhas e nas eleições.

A conclusão da pesquisa Quaest desta semana é clara: Flávio Bolsonaro recuperou fôlego e Lula não é imbatível. Apesar do favoritismo do presidente, as margens são apertadas, se movem de acordo com fatos, novidades e versões. Logo, muita água (suja) vai rolar.

EUA ameaçam escalar crise com o Brasil, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Governo americano quer que Brasil conceda anuência para receber Daniel Perez

Empresários brasileiros acreditam que a crise entre Brasil e Estados Unidos ainda não chegou ao ápice e estão preocupados. Fontes do setor privado contaram à coluna que receberam um alerta de funcionários do Departamento de Estado do governo americano. Em conversas reservadas, diplomatas americanos confidenciaram aos empresários que a ordem é escalar se o Brasil não conceder em breve a anuência para receber Daniel Perez, que foi indicado por Donald Trump para ocupar a embaixada em Brasília.

Nesta semana, o governo americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Ela não foi expulsa, mas perdeu o direito de entrar e sair do país. A justificativa americana é que o Brasil estaria segurando o “agrément” (termo em francês para o aval para a entrada de um embaixador) de Perez.

STJ mostra que é capaz de purgar seus males e punir os próprios pares, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Dos ministros presentes ao julgamento, 24 votaram pela disponibilidade e pela perda do cargo de Buzzi. Somente quatro defenderam a aposentadoria compulsória

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de aplicar ao ministro Marco Buzzi a pena de disponibilidade, com encaminhamento para a perda definitiva do cargo, representa uma mudança de paradigma no combate ao corporativismo no Poder Judiciário. Ao punir um de seus próprios integrantes, por unanimidade quanto à existência de infrações disciplinares e por ampla maioria quanto à sanção, a Corte demonstrou disposição de purgar seus próprios males. As garantias da magistratura não podem ser confundidas com imunidade ética ou licença para abusos.

A conversa fiada que candidatos contam à elite privilegiada por informação exclusiva, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Emissários dos presidenciáveis falam mais com ricos do que com o eleitorado, e falam mal

PT e PL apresentam ideias vagas ou tortas, mas Lula 4 tem pouco crédito de reformista

Os candidatos principais à Presidência da República mandam seus economistas contarem seus "planos para a economia" a gente da elite econômica, em especial da finança. Faz semanas é assim, vai ser assim nas próximas, antes e depois da eleição.

Ainda assim, a elite agraciada com o privilégio nada republicano dessas visitas de esclarecimento não se diz esclarecida nem sobre os assuntos mais rudimentares dos "planos para a economia", que são o tamanho do gasto federal, dívida pública e taxas de juros.

"Planos para a economia" vai entre aspas porque nessas conversas se trata mal e vagamente de problemas fiscais, apenas parte dos nossos problemas econômicos extensos e variados (ciência, pesquisa, infraestrutura, crédito subsidiado, agências reguladoras, plano para energia, eficiência administrativa do Estado, modos de incentivar fronteira produtiva nova etc.).

Manipulando o sistema, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ideb do ensino médio registrou avanço, mas não necessariamente porque alunos aprenderam mais

Toda tentativa de mensuração já traz os elementos que levarão à sua própria perversão

Nós só conhecemos aquilo que conseguimos medir e toda medida carrega as sementes de sua própria perversão. Os recém-divulgados dados do Ideb, o sistema nacional de avaliação da educação básica, ilustram bem esse dilema.

Numa primeira leitura, o Brasil avançou. A nota do ensino médio público passou de 4,1 em 2023 para 4,3 em 2025 —melhor marca desde que o indicador foi criado. Mas é cedo para soltar rojões. Numa leitura mais atenta, percebe-se que foi puxada pela elevação da taxa de aprovação, não porque os alunos aprenderam mais, como um observador ingênuo poderia esperar.

Mercado de influências bate à porta do Palácio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Alguém que tenha a chave da agenda e do acesso ao presidente não pode fazer transações duvidosas

Muito menos possui autorização para explicar seus atos como de natureza 'estritamente privada'

Uma pessoa que tem a chave da agenda e do acesso ao gabinete do presidente da República não pode ter transações financeiras que requeiram explicação. Em circunstância alguma estaria autorizada a explicar seus atos como de natureza "estritamente privada".

Tal recurso fica com jeito de tentativa de blindagem a fim de evitar os indispensáveis detalhamentos.

'Bellini, levanta a taça!' Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem gritou isso para o capitão do Brasil na Suécia em 1958 e, daí, nasceu um gesto universal?

Foi Luiz Carlos Barreto, do Cruzeiro, ou Jader Neves, da Manchete? Ou ambos e os outros?

Trilado o apito final de Brasil 5 x 2 Suécia, decisão da Copa do Mundo de 1958, Brasil campeão pela primeira vez, Bellini, capitão do time, subiu a um palanque para receber o caneco. Gustavo Adolfo, rei da Suécia, entregou-lhe o troféu e afastou-se educadamente para que Bellini o mostrasse ao mundo. Bellini levou a taça à altura do peito e sorriu para as dezenas de fotógrafos lá embaixo. De repente, ouviu-se o grito: "Bellini, levanta a taça! Não dá pra ver!". Vinha dos fotógrafos brasileiros, os únicos que podiam ser entendidos pelo capitão. Bellini levantou a taça acima da cabeça. As câmeras dispararam e, até hoje, todas as taças de todos os esportes são levantadas acima da cabeça.