sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Manipulando o sistema, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ideb do ensino médio registrou avanço, mas não necessariamente porque alunos aprenderam mais

Toda tentativa de mensuração já traz os elementos que levarão à sua própria perversão

Nós só conhecemos aquilo que conseguimos medir e toda medida carrega as sementes de sua própria perversão. Os recém-divulgados dados do Ideb, o sistema nacional de avaliação da educação básica, ilustram bem esse dilema.

Numa primeira leitura, o Brasil avançou. A nota do ensino médio público passou de 4,1 em 2023 para 4,3 em 2025 —melhor marca desde que o indicador foi criado. Mas é cedo para soltar rojões. Numa leitura mais atenta, percebe-se que foi puxada pela elevação da taxa de aprovação, não porque os alunos aprenderam mais, como um observador ingênuo poderia esperar.

Mercado de influências bate à porta do Palácio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Alguém que tenha a chave da agenda e do acesso ao presidente não pode fazer transações duvidosas

Muito menos possui autorização para explicar seus atos como de natureza 'estritamente privada'

Uma pessoa que tem a chave da agenda e do acesso ao gabinete do presidente da República não pode ter transações financeiras que requeiram explicação. Em circunstância alguma estaria autorizada a explicar seus atos como de natureza "estritamente privada".

Tal recurso fica com jeito de tentativa de blindagem a fim de evitar os indispensáveis detalhamentos.

'Bellini, levanta a taça!' Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem gritou isso para o capitão do Brasil na Suécia em 1958 e, daí, nasceu um gesto universal?

Foi Luiz Carlos Barreto, do Cruzeiro, ou Jader Neves, da Manchete? Ou ambos e os outros?

Trilado o apito final de Brasil 5 x 2 Suécia, decisão da Copa do Mundo de 1958, Brasil campeão pela primeira vez, Bellini, capitão do time, subiu a um palanque para receber o caneco. Gustavo Adolfo, rei da Suécia, entregou-lhe o troféu e afastou-se educadamente para que Bellini o mostrasse ao mundo. Bellini levou a taça à altura do peito e sorriu para as dezenas de fotógrafos lá embaixo. De repente, ouviu-se o grito: "Bellini, levanta a taça! Não dá pra ver!". Vinha dos fotógrafos brasileiros, os únicos que podiam ser entendidos pelo capitão. Bellini levantou a taça acima da cabeça. As câmeras dispararam e, até hoje, todas as taças de todos os esportes são levantadas acima da cabeça.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Resultado do Ideb revela progresso desigual no ensino

Por O Globo

País deve aprender com desempenho dos estados mais bem colocados, como Ceará, Paraná e Goiás

Anunciado nesta semana, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, revela avanços na comparação com a última medição em 2023. Apesar de o dado geral ser positivo, porém, o progresso é desigual e insuficiente diante da urgência do país em área tão fundamental para a economia e o desenvolvimento.

Nos anos iniciais de ensino (1º ao 5º), a média nacional da rede pública subiu de 5,7 para 6,1; nos anos finais (6º ao 9º), foi de 4,7 para 5; no ensino médio, de 4,1 para 4,3. O índice tem dois componentes: taxa de aprovação e resultados em testes de língua portuguesa e matemática (conhecidos pela sigla Saeb). Analisando somente o desempenho nas duas áreas do conhecimento, também houve evolução.