*Giuseppe Vacca, ‘Por um novo reformismo”. Pág. 92. Fundação Astrojildo Pereira/Contraponto, 2009.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Giuseppe Vacca
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Protestos no Irã alimentam esperança
Por O Globo
Aiatolás voltam a reprimir oposição com
violência, mas padecem de fraquezas internas e externas
Não é a primeira vez que a teocracia iraniana é convulsionada por protestos populares. Em 2009, manifestações estudantis contestaram por meses o resultado de eleições, na mobilização conhecida como Movimento Verde. Em 2012, 2017, 2018 e 2019, crises resultantes de alta do câmbio, dos combustíveis e outros fatores econômicos levaram multidões às ruas de Teerã. Em 2021, regiões do interior foram sacudidas em razão da falta de água. Em 2022, a morte da jovem Mahsa Amini pela “polícia da moralidade” desencadeou uma rebelião em defesa do direito de mulheres e minorias. Há duas semanas, novas manifestações eclodiram a partir da revolta de pequenos comerciantes com o naufrágio do rial, a moeda iraniana. Todos esses protestos despertaram a mesma reação do regime dos aiatolás: repressão violenta, centenas de mortos, milhares de detidos e torturados nas masmorras. E a teocracia se manteve no poder, praticamente intacta.
Projeto da burrice é antigo. Por Larissa Leão de Castro
O Globo
Hélio Pellegrino descreveu em livro há mais
de 30 anos não apenas o Brasil da ditadura, mas o país em que ainda vivemos
Há pensamentos que o tempo não consome porque
são escritos no nervo exposto de um país. O de Hélio Pellegrino é um deles.
Resgatar hoje sua obra “A burrice do demônio”, mais de três décadas depois, é
perceber como ele descreveu não apenas o Brasil da ditadura, mas o país em que
ainda vivemos, atravessado por desigualdades brutais, violências de Estado e
uma tentativa insistente de organizar a burrice como projeto político.
Psicanalista, marxista, homem de fé e de poesia, recusou compartimentos. Para ele, a psicanálise não era luxo de consultório, mas instrumento de justiça social. Ao falar de desejo, falava também de salário, de moradia, de racismo, de tortura, de manicômios. Foi um dos primeiros a formular ideias como “sintoma social”, “patologia social” e “perversão social”, mostrando que alguns sofrimentos não cabem apenas no código do diagnóstico, nascem de estruturas históricas perversas, de pactos silenciosos de exclusão.
Democracia como limite. Por Merval Pereira
O Globo
As milícias armadas pelo chavismo/madurismo
espalham terror pelas ruas na Venezuela, e a insegurança jurídica impede que se
faça um planejamento de longo prazo para o país.
A estratégia de Donald Trump de não invadir a Venezuela, mas transformar o governo chavista em marionete manipulada à distância, como se fosse um drone teleguiado, esbarra em detalhes fundamentais: a violência interna está aumentando, com repressão até mesmo aos que apoiam os Estados Unidos. As milícias armadas pelo chavismo/madurismo espalham terror pelas ruas, e a insegurança jurídica impede que se faça um planejamento de longo prazo para o país.
O escândalo Master pode ajudar o Brasil. Por Fernando Gabeira
O Globo
O lado sombrio do país tem se projetado com
efeito mais devastador do que a intensa luz do sol iluminando todo esse
processo
Algumas vozes defendem que o escândalo do Banco Master não seja totalmente revelado. Segundo elas, o impacto seria tão grande que o Brasil não aguentaria. É um grande equívoco. Apesar de sua fragilidade, a democracia brasileira não só aguentaria saber de tudo, como poderia usar a revelação de combustível para algumas reformas. O que envenena a convivência democrática é ver o enorme esforço que se faz para abafar o escândalo.
Bancos centrais enfrentam ataque. Por Míriam Leitão
O Globo
Parece uma temporada de ataques a bancos
centrais: o Fed na mira de Trump e o BC às voltas com o desenrolar do caso
Banco Master
O Fed sob um ataque tão direto e diante de uma tentativa de intimidação tão explícita não é apenas algo que nunca se viu. É que não se pensava que pudesse acontecer. A reação foi imediata, e quem deu o tom foi o próprio Jerome Powell. Normalmente comedido diante das grosserias de Donald Trump, o presidente da instituição não mediu palavras. Através de comunicados, ex-presidentes do banco central americano, de ex-secretários do Tesouro e de bancos centrais de vários países apoiaram Powell. Todo mundo sabe o custo para a sociedade de tirar a credibilidade do banco central. Todo mundo, menos Trump.
Memória e esquecimento: O Agente Secreto mostra a vida banal na ditadura. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Kleber Mendonça Filho recusou soluções fáceis
e o mito clássico do herói grego, o homem que faz coisas incomuns; Wagner Moura
deu conta do recado. Ganharam o Globo de Ouro
A universalidade de O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que acaba de ganhar o Globo de Ouro como melhor filme em língua não-inglesa, não está na reconstituição explícita da repressão do regime militar, mas na maneira como a ditadura se infiltrava na vida cotidiana, no aparentemente insignificante, ou seja, naquilo que Milton Santos, nosso grande geografo, chamou de “vida banal”. É justamente nesse território do dia a dia — feito de gestos mínimos, silêncios, ruídos e deslocamentos — que o filme constrói sua crítica política mais profunda.
A internet do Irã. Por Pedro Doria
O Globo
O que está acontecendo no Irã não é reedição do que ocorreu na Primavera Árabe. Há 15 anos, as redes sociais nascentes permitiram que grupos diferentes na Síria, no Egito e em tantos outros países se organizassem para protestar contra os regimes em que viviam. Os aiatolás entendem isso. Desde então, promoveram apagões de internet em todo o território nacional sempre que havia novas ondas de manifestações. Mas isso não quer dizer que a internet não seja usada. Os manifestantes também aprenderam a lidar com a estratégia do regime.
Fé, esforço e disciplina não bastam para empreender. Por Pedro Cafardo
Valor Econômico
É óbvia a existência do desejo de viver sem patrão, uma busca de autonomia natural do ser humano, mas a opinião favorável à carteira assinada é uma realidade que se impõe em razão da segurança e dos benefícios da CLT
É difícil tirar os olhos do cenário global
após a invasão da Venezuela pelos EUA. Mas vem aí a campanha eleitoral e não há
como deixar de olhar para questões internas. Quando acabou o segundo turno das
eleições municipais, em outubro de 2024, fervilharam análises para explicar as
derrotas da esquerda.
Entre as causas, teve destaque a opinião de
que a esquerda perdeu contato com as periferias. E a receita muito recomendada
para retomar o diálogo era o apoio ao empreendedorismo.
O assunto voltou à discussão um ano atrás com o caso do atrapalhado anúncio da fiscalização das transferências bancárias acima de R$ 5 mil. Ganhou credibilidade naquele momento a mensagem falsa de que, com a medida, o governo iria taxar o Pix.
O cinema e a alma nacional. Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Assim como o tetra de 1994 favoreceu FH, o
cinema pode melhorar o humor nacional, a favor de Lula
O cinema nacional está lavando a nossa alma, tão machucada pela tentativa de golpe e por escândalos, privilégios, insegurança e desigualdade social, e não se pode desconsiderar o efeito político, e particularmente eleitoral, que o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto pode ter no Brasil. O “País do Futebol” é também o país do cinema.
Em seu livro O Improvável Presidente do Brasil, de 2013, Fernando Henrique admitiu que nunca deu a menor bola para futebol, mas virou torcedor obsessivo na campanha presidencial de 1994 e colheu os gols, ou louros, do tetracampeonato brasileiro do mesmo ano. Segundo ele, a Copa trouxe otimismo ao País e ajudou a impulsionar o Plano Real e, depois, sua eleição à Presidência.
Flávio se empolga, mas falha na moderação. Por Roseann Kennedy
O Estado de S. Paulo
O que no começo era um movimento para frear o avanço político da exprimeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e, também, um balão de ensaio para testar viabilidade eleitoral e manter a família em evidência começou a ganhar musculatura. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empolgou-se com sua pré-candidatura presidencial e passou a dar passos mais arrojados para tentar garantir apoios e sustentação à sua pretensão palaciana. Ele procurou empresários, agentes do mercado financeiro e foi até rezar numa igreja evangélica em Orlando. Agora, neste janeiro de 2026, já circula na Faria Lima que o filho zero um de Jair Bolsonaro conseguiu promessas de apoio para o cofre de sua campanha.
Procura-se um candidato. Por Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo
Não haverá saída e recuperação sem medidas estruturais de médio e longo prazo
O Brasil enfrenta uma situação interna de
extrema complexidade. A disfuncionalidade do sistema político afeta a
governança e o equilíbrio entre os Três Poderes. Não haverá saída e recuperação
sem medidas estruturais de médio e longo prazo. O programa mínimo que a
seriedade da crise atual exige é passar o Brasil a limpo e mudar o que tem de
ser mudado dentro dos princípios democráticos.
Não se pode ignorar que tudo o que ocorre hoje é resultado de 20 anos de governos de esquerda e de direita que, pelas suas prioridades ideológicas, não levaram em conta as mudanças internas e as transformações globais e seus impactos sobre o País. A ausência de liderança no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, no meio empresarial e no meio dos trabalhadores agrava o quadro nacional e exige de todos os que se preocupam com o futuro do Brasil um esforço para promover um debate sobre as mudanças que a sociedade brasileira terá de enfrentar para restaurar o crescimento em nível mais elevado, aumentar o emprego de forma sustentável, combater a corrupção sistêmica e a violência do crime organizado.
Trump contra o mundo. Por Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
Trump reforça o isolamento dos Estados Unidos. O país está fora da mesa em que o mundo discute seus grandes dramas
Trump não conseguirá destruir o mundo para cumprir sua promessa de fazer os Estados Unidos grandes novamente – Make America Great Again (Maga), seu lema de campanha –, que encantou certos políticos daqui). É o que esperam bilhões de pessoas que habitam o planeta. Mas Trump está destruindo as instituições que o mundo conseguiu erigir nas últimas décadas para estabelecer um complexo de relações e compromissos por meio do qual os países conseguem debater problemas comuns, encontrar soluções e preservar relações de convivência entre si, cada um cedendo ou ganhando para ficar em paz com os demais. Há esperanças de que, em algum tempo, suas decisões sejam revistas por pessoas mais sensatas que venham a sucedê-lo no cargo. No momento, o mundo perde.
Para os homens do século 21, é muito melhor ser uma vítima do que ser um herói. Por João Pereira Coutinho
Folha de S. Paulo
Os que sofrem merecem empatia, mas não são
heróis
A dor nem sempre atesta a superioridade moral
do sujeito
Aconteceu em 2015. Pela primeira vez na
história da França, um presidente, François Hollande, considerou conceder a
Legião de Honra —a mais alta condecoração da República, destinada a celebrar
feitos valorosos de militares ou civis— às vítimas do atentado
terrorista no teatro Bataclan, em Paris.
À primeira vista, a decisão poderia passar
sem grande repercussão. Se existe fenômeno que define o nosso tempo é a
elevação da vítima a
um lugar cimeiro na imaginação moral dos contemporâneos.
Ainda assim, a repercussão veio —e Hollande recuou, optando por criar uma Medalha Nacional de Reconhecimento das Vítimas do Terrorismo. Fim da história?
O ópio do povo. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Embora Marx tenha feito crítica forte à
religião, esquerda nunca foi muito consistente em condenar regimes teocráticos
Antiamericanismo é parte da explicação, mas
também existe um vínculo metafísico que passa pela crença em utopias
Não sei se dá para dizer que a esquerda apoia a teocracia iraniana, mas me parece seguro afirmar que ela é, de um modo geral, econômica na crítica aos aiatolás. Uma boa medida disso é Lula. Ele é um esquerdista ultralight, mas que não perde oportunidades de alinhar-se a Teerã.
Brasil se encolhe na liderança da América Latina. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
O presidente condena ação de Trump na
Venezuela, mas não assume a defesa pela restauração da democracia
Ambiguidade faz Lula perder a chance de
marcar mandato com papel relevante no cenário internacional
O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) tem falado ao telefone com mandatários das Américas e, ao que informa o serviço de comunicação do Palácio do Planalto, os assuntos são a Venezuela e o acordo Mercosul-União Europeia. Até aí, temos o óbvio, dada a atualidade dos temas.
Enrolado com o Master, Cláudio Castro foge do Palácio Guanabara. Por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Governador teme que desastre fiscal atrapalhe
eleição ao Senado
Sua candidatura, porém, ainda depende de
absolvição no TSE
Cláudio Castro fez três pedidos ao gênio da lâmpada. A urgência é escapar da condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação no TSE teve início em novembro, dias depois da chacina nos complexos do Alemão e da Penha. A relatora Isabel Gallotti votou pela cassação e inelegibilidade. O ministro Antônio Carlos Ferreira pediu vista, e a expectativa é que o processo seja retomado em fevereiro.
Bondi Beach e o massacre. Por Marcus Cremonese*
Uma semana depois, em 21 de dezembro, a mesma praia e os gramados adjacentes foram o cenário de uma manifestação vibrante de unidade, de reflexão e de respeito mútuo. Nesse dia, cerca de 16.000 pessoas ali se reuniram numa celebração de luto, o “National Day of Reflexion”. Dela participaram o primeiro-ministro, senadores, deputados federais e estaduais e diversas autoridades entre elas rabinos, imãs, padres, pastores e líderes muçulmanos.














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