terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Homenagem a Lula na Sapucaí teve ar de campanha antecipada

Por O Globo

Cabe ao TSE avaliar as punições que julgar adequadas para o desfile da Acadêmicos de Niterói

No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende disputar a reeleição, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, escolheu apresentar na Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Foi impossível disfarçar o tom de propaganda eleitoral antecipada, como pôde perceber qualquer um que tenha assistido ao desfile no domingo à noite.

O favoritismo de Lula em 2026, por Míriam Leitão

O Globo

Com bons números na economia, Lula chega como favorito na campanha. E Flávio tenta herdar o espólio bolsonarista

O ambiente econômico de 2026 é favorável ao presidente Lula. Inflação sob controle, juros em queda, dólar fraco, crescimento maior do que no governo anterior, desemprego baixo e melhoria da renda. E a disputa sempre favorece o incumbente. Nas quatro eleições em que o presidente, ou a presidente, concorreu no cargo, só Jair Bolsonaro perdeu. Apesar de a pesquisa ter mostrado que Flávio Bolsonaro herda parte importante do espólio do pai, ele não tem a mesma capacidade de mobilização nem conseguiu galvanizar a direita. O favoritismo nesta eleição é do presidente Lula.

Campo minado, por Merval Pereira

O Globo

Se esse enredo não é exemplo de propaganda eleitoral fora do prazo, muito difícil definir o que seja

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o carnaval do Rio no último domingo, foi uma afronta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à sociedade brasileira, exibição de poder político do incumbente, que já tem vantagens sobre seus concorrentes, a menor delas a possibilidade de concorrer à reeleição para presidente da República permanecendo no cargo. Esse certamente é um dos pontos corrigir na legislação eleitoral, impedindo que os candidatos a reeleição em cargos majoritários (presidente, governador, prefeito) possam permanecer neles durante a campanha.

Amanhã é um novo começo, por Fernando Gabeira

O Globo

Tudo se concentra na eleição presidencial. Mas é preciso advertir que o Congresso, no Brasil, tornou-se muito poderoso

Escrever numa terça-feira de carnaval amplia a latitude de um artigo político. Ainda mais porque faço hoje 85 anos. Amanhã, começa para valer o ano eleitoral. Poderia escrever sobre o debate entre grandes projetos políticos para o Brasil. Toda eleição, faço isso. Mas a experiência me diz: não vão rolar.

Para que perder tempo? Esta é a última eleição presidencial da minha vida. Com alguma sorte, a penúltima. Não adiantam grandes elucubrações. D. H. Lawrence afirma que é uma pena, ao lermos livros como “O futuro da América” ou “A situação da Europa”, não poder imaginar a pessoa gorda ou magra que dita o texto a uma estenógrafa com bobs no cabelo ou escrevendo, com caneta-tinteiro, marcas no papel.

Minha vida mudou, por Pedro Doria

O Globo

OpenClaw, o agente autônomo que atua em seu nome resolvendo coisas internet afora, não é ferramenta para qualquer um

Nas últimas duas semanas, minha relação com a inteligência artificial mudou radicalmente. Nesse compasso, mudou também minha relação com computadores, celulares e todos os outros instrumentos que fazem parte de nossa vida digital. Essa transformação, que a princípio me parece mais positiva que negativa, se deu por duas razões. Ou se dá — afinal, está em curso. Primeiro, é uma lenta migração do ChatGPT para o Claude, da Anthropic, que vem se tornando a IA que uso com mais frequência. Segundo, e simultaneamente, instalei o OpenClaw num computador extra.

A ONU aos 80 anos e o desgaste silencioso do direito internacional

Nasser Zakr  / Correio Braziliense

Sem instituições robustas, o direito internacional perde força normativa, e suas normas tendem a operar mais como orientações políticas do que como obrigações vinculantes

O aniversário da Organização das Nações Unidas oferece uma oportunidade para refletir sobre a fragilidade crescente de um sistema jurídico que se apoia na previsibilidade e na cooperação multilateral. Este texto não trata de reformas políticas específicas, mas do desgaste progressivo da autoridade jurídica internacional que sustenta o multilateralismo.

A ONU completa 80 anos em um contexto de interdependência crescente e de cooperação internacional sob tensão. Mais do que um espaço de concertação política, a organização constitui o eixo normativo em torno do qual se estruturam regras e práticas que orientam a convivência entre Estados. O aniversário permite, assim, examinar a erosão gradual de uma ordem jurídica concebida como universal e orientada pela primazia do direito. Trata-se de um momento que convida menos à celebração formal e mais à reflexão sobre os limites do sistema.

Lula vai à Ásia nesta terça-feira para fortalecer parcerias

Por Victor Correia / Correio Braziliense

Presidente participará de debate sobre Inteligência Artificial e pretende fechar acordos comerciais com Índia e Coreia do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no início desta semana para mais uma viagem à Ásia, continente do qual se aproximou ainda mais em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos desde o ano passado. O petista visitará a Índia e a Coreia do Sul, com roteiro de sete dias, para tratar de temas como os impactos da inteligência artificial (IA), minerais críticos e a ampliação do comércio com os dois países, incluindo um acordo entre Mercosul e Índia e a abertura do mercado sul-coreano para a carne brasileira.

Os riscos da Sapucaí, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O carnaval do presidente Lula da Silva vai virar espuma. E se fosse Jair Bolsonaro?

A ida do presidente Lula à Sapucaí e a homenagem que recebeu da Escola Acadêmicos de Niterói são daquelas coisas que levantam debate, muitas vozes de especialistas, defesa dos governistas e críticas e ações da oposição, mas... é tudo espuma, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. Só que a questão também é política.

É evidente que Lula tirou uma casquinha eleitoral do “maior espetáculo da Terra” e a escola ganhou visibilidade desproporcional na sua estreia no Grupo Especial. Mas fica nisso. Lula não deve sofrer punições nem deve ter conquistado um único voto e a escola corre o sério risco de ser rebaixada para a Série Ouro.

Lula antissistema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O caso Master veio para ficar. Pautará os humores eleitorais em 2026, ministrado como capítulos de novela. Lula compreendeu a projeção de risco e decidiu botar o bloco discursivo na rua. Tenta se antecipar. Sabe que a forma como a crise é percebida tende a colar no governo de turno. Sabe que a crise pode mobilizar-animar o sentimento anticorrupção. Mais precisamente, o sentimento antissistema – que já decidiu eleição entre nós. O presidente é favorito à reeleição e aquele que tem mais a perder, sob quem se abriria o prejuízo de um chão de imprevisibilidade.

Advogados e cidadãos afastados do Judiciário, por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira

O Estado de S. Paulo

Calar o advogado é calar o jurisdicionado e ferir de morte a liberdade individual e a democracia

Os constituintes de 1988 atuaram visando a instituir um extenso arcabouço constitucional voltado para a proteção do homem brasileiro. Essa intenção se materializou no artigo 5.º da Lei Maior, que outorga direitos e garantias de amplo espectro e abrangência. A proteção visa a blindá-lo contra o arbítrio estatal, garantir-lhe atributos ligados à sua personalidade, honra, dignidade e faculdades com origem no próprio direito natural.

Todos os direitos inscritos no artigo 5.º devem ser exercidos de forma direta, sem limitações ou barreiras. Efetivá-los é exercer a cidadania.

Casos Master e INSS fazem de André Mendonça coringa na eleição, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Modo como ministro conduzirá os temas influenciará a percepção sobre os evangélicos

Envolvimento de cristãos com corrupção tem prejudicado reputação das igrejas

Um dos momentos marcantes do governo de Jair Bolsonaro foi a indicação de um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF. Poucos anos depois, André Mendonça torna-se relator de dois casos que, segundo analistas, podem implodir a República.

O que esperar então de Mendonça? Tudo isso no ano em que Lula, aos 80 anos, deve enfrentar sua sétima campanha presidencial, possivelmente contra o filho do presidente que indicou um evangélico ao Supremo.

O contexto político, no entanto, traz sinais confusos. Duas figuras centrais do conservadorismo evangélico —Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia— foram decisivas para a aprovação de Mendonça e agora resistem à candidatura de Flávio.

Brasil está em modo eleitoral, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Governantes e candidatos passam a perseguir bandeiras que se transformem em votos

Risco é a adoção de políticas erradas ou menos eficazes do que poderiam ser se implementadas com calma

homenagem que uma escola de samba fluminense fez a Lula viola a legislação eleitoral? A escola, afinal, recebeu verbas federais (todas receberam) e o próprio presidente e ministros acorreram ao desfile, embora tenham exercido alguma discrição.

TSE, até aqui, agiu corretamente. Não proibiu o desfile, o que configuraria intervenção absurda na liberdade de criação artística, mas disse em alto e bom som que o petista correria riscos —daí a cautela do entorno presidencial. Veremos se isso vira um processo de abuso de poder político e econômico. Após as condenações eleitorais de Bolsonaro, o TSE está moralmente obrigado a ser rigoroso nessa matéria.

Egotrip faz Lula ultrapassar o limite da tolerância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Afago no ego não compensa o prejuízo que Lula terá ao despertar atenção para o uso do cargo na campanha

Até o desfile-exaltação na Sapucaí, o presidente contava com o benefício de um ambiente de cegueira deliberada

Mais do que nunca é válido o conselho de Chico Buarque para que o governo do PT criasse o ministério do vai dar errado —o nome exato da pasta vocês sabem qual é— a fim de não escorregar em cascas de banana visíveis.

Gênio da música e da poesia, eleitor de admirador de Luiz Inácio da Silva, Chico fez o alerta há mais de vinte anos. Às vésperas do Carnaval, João Santana, marqueteiro dos tempos de glória, deu de graça uma lição: folia e política não se bicam.

Castro ameaça trair Bolsonaro pela primeira vida na vida, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Eleição indireta de governador-tampão motiva a discórdia

Desentendimento entre centrão e extrema direita paralisa o Rio

Na cabeça de Cláudio Castro, parecia a tramoia perfeita. Em maio de 2025, o governador indicou o vice, Thiago Pampolha, de 38 anos, para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. "Thiago é novo, mas rodado", justificou.

O ardil permitiria que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assumisse a máquina do Palácio Guanabara para disputar a sucessão. Um presente de cupincha. Castro não se dava bem com Pampolha, que de lambuja passou a controlar a Cedae, empresa de saneamento com receita anual de R$ 3 bilhões, hoje investigada por aplicações no Banco Master.