sexta-feira, 27 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF tem de examinar situação política insólita do Rio

Por O Globo

Sucessão estadual desperta questionamentos que exigem ação urgente da Corte superior

O Rio de Janeiro vive uma situação insólita que cria enorme insegurança jurídica na escolha do novo governador para concluir o mandato deixado vago por Cláudio Castro (PL). Castro renunciou na última segunda-feira, numa tentativa fracassada de evitar sua inelegibilidade (ele quer concorrer ao Senado). Não adiantou, pois mesmo assim o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível no dia seguinte. A sucessão de manobras e questionamentos que se seguiram a sua renúncia exige agora que o Supremo Tribunal Federal (STF) se debruce com urgência sobre a turbulência política que tomou conta do estado. Nada do que tem acontecido faz bem ao Rio, muito menos ao Brasil.

O que seria um bolsonarismo moderado? Por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

A veracidade da metamorfose de Flávio Bolsonaro poderá ser comprovada pelo projeto de governo e de nação que ele construir e defender ao longo da campanha

Um dos grandes temas da eleição de 2026 tem a ver com um possível processo de metamorfose política. Ungido por seu pai e ex-presidente, Flávio Bolsonaro apresenta-se à sociedade brasileira como o bolsonarismo moderado. Desse modo, ganharia de duas maneiras: manteria o voto mais raiz dos bolsonaristas e ainda teria chances de angariar apoio de eleitores mais ao centro e independentes. Como marketing político, a ideia é muito boa. O problema é saber se isso pode ser verdade ou é uma mentira que esconde o verdadeiro perfil do candidato e do movimento político que o apoia.

‘O Brasil não está dividido, está cansado’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita - e ele está certo - que a prova de que um assunto caiu na boca do povo é se virou conversa de bar. Foi o que ele afirmou em evento de lançamento do programa “Acredita”, de oferta de crédito para micro e pequenos empreendedores. “Nós precisamos transformar o ‘Acredita’ em assunto de mesa de bar, é preciso que as pessoas saibam que ele existe”, defendeu, em discurso de 18 de outubro de 2024.

Dois anos antes, a tese soou exagerada. Em março de 2022, em um evento da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lula disse que os brasileiros resolveriam a guerra da Rússia com a Ucrânia numa mesa de bar. “[Essa guerra] seria resolvida aqui no Brasil numa mesa tomando cerveja, se não na primeira, na segunda. Ia até acabar as garrafas para um acordo de paz.”

Inteligências, por José Eli da Veiga*

Valor Econômico

Decisões que antes pertenciam ao espaço da política e da deliberação pública são substituídas por mecanismos opacos de modulação algorítmica

Sistemas algorítmicos exercem cada vez mais influência em decisões judiciais, políticas públicas, campanhas eleitorais, rotinas administrativas e no próprio funcionamento da esfera pública em geral. Mas não parecem alterar o contraste entre os pavores e os entusiasmos relativos à inteligência artificial (IA).

Segundo alguns conceituados analistas, sistemas de IA tendem a destruir instituições cívicas capitais. Corroer a expertise, prejudicar decisões e isolar as pessoas umas das outras. Contra os desejáveis níveis de transparência, cooperação e responsabilidade, há quem garanta que a IA é um “câncer”.

Estado rumo à mexicanização, por Vera Magalhães

O Globo

Degradação escancarada pelo 'apagão' na linha sucessória, mostra risco de não conter infiltração do crime nas instituições públicas

O Brasil assiste com estupefação a um dos capítulos mais lamentáveis da profunda degradação da política fluminense. O Rio de Janeiro tem sido, há décadas, um laboratório macabro da captura de governos (estadual e municipais), legislativos, partidos e polícias pelo crime.

O apagão na linha sucessória do Estado acontece em decorrência de alguns dos muitos escândalos da história recente do Rio.

O último crime, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-governador será lembrado por secretários presos, apologia da matança e golpe da renúncia

Cláudio Castro desviou dinheiro público para comprar a reeleição. O veredito é do Tribunal Superior Eleitoral, que condenou o agora ex-governador por abuso de poder político e econômico.

O caso se arrastava desde a campanha de 2022, quando o UOL revelou a farra dos cargos secretos. O escândalo escancarou o uso ilegal da máquina, mas Castro conseguiu se reeleger no primeiro turno.

A inflação moral progressista, por Pablo Ortellado

O Globo

Os setores populares que seguem sem entender inteiramente as novas regras morais vão acumulando o ressentimento cotidiano

O progressismo está no caminho errado. Convencido de que seus valores são tão evidentes que discuti-los seria rebaixar-se, trocou o convencimento pela interdição — censura nas mídias sociais, Direito Penal para os infratores. Enquanto se ocupa de purificar o mundo por meio de atos de força, as pessoas comuns seguem seu caminho influenciadas por quem ainda se dispõe a conversar com elas.

Supremo revoga decisão de Mendonça e anula prorrogação da CPMI do INSS, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Gilmar Mendes liderou a reação dos colegas. E fez reprimenda pública aos deputados que acompanham no plenário da Corte o julgamento sobre a prorrogação

Por 8 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu contra a prorrogação da CPMI do INSS, derrubando a liminar do ministro André Mendonça que havia determinado prazo de 60 dias para que o Congresso viabilizasse a continuidade dos trabalhos. A conclusão do julgamento pelo plenário ampliou ainda mais a derrota do ministro André Mendonça e consolidou, de forma inequívoca, o isolamento do relator do caso Master entre os colegas. Somente o ministro Luiz Fux votou com Mendonça.

CPIs tentam expor o STF, que dá o troco, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Comissões vêm fustigando a Corte, com vazamentos de informações e pedidos de quebra de sigilo

Prevaleceu o espírito de corpo.

Independentemente das teses jurídicas defendidas, o que se viu no plenário do Supremo Tribunal Federal ontem foi uma irritação dos ministros com parlamentares que comandam Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

Nas últimas semanas, as CPIs vêm fustigando o tribunal, com vazamentos de informações à imprensa e pedidos de quebra de sigilo. Os ministros viram no pedido de liminar para a prorrogação da CPI do INSS a oportunidade de dar o troco.

O psicanalista do Supremo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

STF chamou Lavareda para curar as feridas, mas não tem analista ou propaganda ou mandinga que dê jeito

Atingido em cheio pelo escândalo Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu consultar um psicanalista, ops!, o analista político e do humor popular Antônio Lavareda, que passou uma receita paliativa: os ministros precisam falar menos e a instituição tem de dialogar mais com a sociedade, especialmente com o centro, ou “os independentes”.

Segundo a coluna apurou, Lavareda defendeu que é perda de tempo tentar “dialogar” ou tentar convencer lulistas incondicionais, acuados, sem reação em casos assim desde mensalão e Lava Jato, e bolsonaristas, que são “antissistema” (logo, anti-Judiciário) e usam a crise, eleitoralmente, contra Lula e o governo.

Do mundo ao Master, a crise em ano eleitoral, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

É praticamente impossível falar em posições nacionais ou em algum tipo de consenso que nos faça sentir menos o impacto da crise internacional

As investigações sobre o Banco Master não devem acabar com a delação de Daniel Vorcaro. Elas continuarão sob o escrutínio de forças poderosas que querem anulá-la. Nessa lógica, causa apreensão o confronto entre o ministro André Mendonça e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em torno da prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Comissão ficou duas semanas sem ouvir ninguém, achou que poderia convocar a ex-noiva de Vorcaro, Martha Graeff, em Miami, um sonho impossível, e decidiu continuar seu trabalho além do prazo. Em princípio, com todas as assinaturas necessárias, o adiamento seria burocrático. Mas Davi Alcolumbre precisava concordar e se há algo que não quer ver pela frente, é a CPMI funcionando.

Violações juramentadas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Parlamentares aprovam norma que sabem ser inconstitucional

Por cálculo político, autoridades deixam o erro passar

Se a tolerância está se tornando artigo raro no debate público, ela abunda em meios políticos. E eu falo aqui da pior das tolerâncias, que é a tolerância com o erro.

No Brasil, todas as autoridades eleitas, para tomar posse, juram cumprir e defender a Constituição. Idêntico compromisso é exigido de certas autoridades não eleitas, incluindo ministros do STF. Há situações em que surgem dúvidas legítimas em relação ao que o constituinte quis estabelecer, mas também há casos em que o texto da Lei Maior é anormalmente cristalino. É o que ocorre com o artigo 15, que diz que os direitos políticos de presos só podem ser suspensos após condenação penal definitiva.

STF amenizou, mas não acabou com os privilégios, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Até que o Congresso resolva fazer valer a Constituição, ficam valendo os penduricalhos ditos aceitáveis

O problema é que os parlamentares têm zero disposição de mexer nas regalias da casta à qual pertencem

Daquilo que deu para entender do juridiquês castiço falado por ministros do Supremo Tribunal Federal na decisão sobre os penduricalhos salarias no serviço público, temos que as regalias continuam.

Amenizadas, mas estão lá na permissão a que sejam pagos adicionais até 70% do teto estabelecido por lei, divididos em dois blocos de 35%. Afora a linguagem, as contas também soam complicadas. Mas, para a compreensão de quem paga a conta, a coisa é clara: ficam legalizados pagamentos acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil, que agora passa dos R$ 78 mil.

A morte do livreiro, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quando morre um bom livreiro, são os livros os que perdem mais

Luiz Carlos encontrou para mim os livros mais impossíveis dos modernos de 1920

O melhor amigo de um leitor é um bom livreiro. Aquele que não só conhece o livro que você procura, mas, na falta deste, sabe indicar alternativas do mesmo autor ou de outro. Não que tenha lido esses livros, mas o convívio com tantos deles faz com que, pelos títulos, capas ou editoras, se torne um profissional à altura do produto com que trabalha. Entre esses profissionais, há um que admiro mais: o livreiro de sebo.

Nervoso com pesquisas, Lula 3 descobre só agora problemas velhos, alguns que ele mesmo criou, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Juros e inadimplência aumentam faz quase ano e meio, por causa de gestão econômica fraca

Está tarde, mas talvez governo ainda aprenda a conversar com parte do eleitorado que esnobou

Quando a pimenta das pesquisas entra no olho, governos saem por um instante do estado de embevecimento consigo mesmo. É aquele encantamento com a própria esperteza, a convicção de que seus planos são infalíveis e populares e até de que a realidade se dobra a mágicas e milagres. Lula 3 é até mais encantado consigo mesmo do que Lula 1 e 2.

Aconteceu de novo. O governo descobriu, entre outras coisas, que juros altos causam problemas —ah, vá. Começou então o barata-voa. Há reuniões frenéticas. Vazam para jornais ideias de providências inócuas, tolas ou malucas até se considerado o próprio interesse do governo. No pico recente da inflação de alimentos, faz um ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que caçaria quem encarecia o ovo (não achou) e baixou o imposto de importação da lata de sardinha. Hum.