quinta-feira, 14 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Orelha reflete valor da imprensa profissional

Por O Globo

MP concluiu que cão achado morto não foi vítima de agressão, como insistia ‘tribunal das redes sociais’.

Após longa análise, o Ministério Público (MP) de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha, achado morto no início do ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressão humana, como sugeria a investigação policial. Pelas evidências disponíveis, o cão morreu em decorrência de uma infecção óssea. Os erros cometidos ao longo da investigação foram graves e incentivaram a condenação pública de adolescentes injustamente acusados. Causaram prejuízos à rotina e à saúde mental deles. Por isso o arquivamento do caso não deveria encerrar o assunto. É preciso responsabilizar as autoridades que, por oportunismo, incentivaram o prejulgamento. Sobretudo, é essencial que o episódio sirva para a população entender o perigo de pensar e agir com base nos “tribunais das redes sociais” e reconhecer o papel do jornalismo profissional na busca pela verdade.

Reviravolta na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

A revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pode representar um plot twist num processo eleitoral que promete ser de muita emoção

A notícia do financiamento de Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro é uma bomba com poder de implodir sua pré-campanha. E tem essa força pelo volume de dinheiro para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, pelos abundantes diálogos em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro, pela exibição de intimidade com o banqueiro das falcatruas, pelas mensagens de visualização única e pela incapacidade do senador de reagir quando tudo foi revelado. Ele deu resposta fraca. Na verdade não seria um filme sobre um personagem qualquer, mas sim uma peça da campanha eleitoral.

Sangria de Flávio é dúvida até eleição, por Julia Duailibi

O Globo

Senador passou por rachadinhas e relações com a milícia, e aí está, competitivo nas pesquisas

O que realmente interessa no filmegate envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é o tamanho do impacto que o escândalo terá nas intenções de voto no pré-candidato à Presidência pelo PL. A conversa entre Flávio e Vorcaro já causou estrago na largada. Fez preço ontem, com o Ibovespa fechando em queda de 1,8%, e o dólar subindo 2,3%. Site de bets fora do país mostrou diminuição das apostas numa vitória do senador, e a curva de juros futuros estressou. O dia foi chamado de “segundo Flávio Day”, em referência ao “Flávio Day” original, em dezembro, quando o lançamento de sua candidatura causou estrago por desbancar Tarcísio de Freitas, o preferido do mercado.

O Master e a carnificina eleitoral, por Malu Gaspar

O Globo

A revelação de que Daniel Vorcaro negociou com Flávio Bolsonaro (PL) pagamentos de R$ 62 milhões para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro usando uma empresa laranja deixou toda a direita desnorteada. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP), recebeu a Polícia Federal em casa em virtude da apuração que liga sua “emenda Master” a contrapartidas generosas e milionárias.

Os dois episódios machucam a candidatura bolsonarista, reforçam o rótulo “BolsoMaster” que o PT bolou para martelar durante a campanha e dão um respiro aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingidos pelo escândalo. Mas não garantem que Lula terá sossego daqui para frente.

Desmanche de Flávio abre avenida (esburacada) para Michelle, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Candidato bolsonarista tropeça na suspeita de corrupção, quesito mais valorizado pela direita

Que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era de papel já se sabia. O que não se imaginava era que incinerasse tão cedo. A quase cinco meses do primeiro turno, ainda há tempo de seu partido emplacar outro nome. Michelle? É o estepe natural, até porque sempre pareceu menos vulnerável como candidata - e menos previsível como presidente - que o enteado.

Para pôr em pé uma candidatura, a ex-primeira-dama enfrentaria a dificuldade de encabeçar o mesmo combo de interesses reunidos em torno do senador - do marido ao Centrão, passando por investidores cuja frustração com a reportagem do “The Intercept”, na tarde desta quarta, fizeram balançar bolsa e câmbio.

Gravação de conversa com Vorcaro abala candidatura de Flávio Bolsonaro, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O sinal de que os demais candidatos sentiram cheiro de animal ferido na floresta veio do ex-governador mineiro Romeu Zema, o candidato do Novo

A divulgação do áudio da conversa entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro pode representar o início de um processo de desconstrução da imagem do principal candidato da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. Independente da natureza jurídico do caso, que ainda não é investigado formalmente pela Polícia Federal, o episódio abre uma guerra de narrativas entre lulistas e bolsonaristas com capacidade de alterar o empate técnico entre ambos registrado por sucessivas pesquisas de opinião.

O trecho da conversa divulgado pelo portal Intercept Brasil é devastador porque mostra afetividade entre o candidato oposicionista e o personagem central do escândalo Master. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, afirmou Flávio a Vorcaro. Protagonista de um escândalo de grandes proporções, envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro, lobby político e prejuízos bilionários ao BRB, o banqueiro se tornou uma companhia muito tóxica.

Um pacto pela dívida pública, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Solucionar o problema fiscal passará por um pacto pela dívida pública que vai exigir do governo um amplo esforço de reconstruir sua credibilidade nesse tema, mas também uma maior boa vontade do mercado que adquire essa dívida

No artigo de abril, propus uma reflexão sobre um tema que dificilmente ocupará o debate eleitoral de 2026, mas certamente ocupará a agenda do próximo governo: trata-se da dívida pública e a sua contínua expansão. O último dado da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ultrapassa a casa dos 80% do PIB. Há aproximadamente um mês, quando escrevi o texto anterior, ele se encontrava em 79,4%. Em suma, a DBGG deve continuar se expandindo no horizonte próximo.

Duas perguntas devem ser levantadas sobre essa questão: primeiramente, quais as causas de uma trajetória de endividamento público tão insustentável? Em segundo lugar, como corrigir essa trajetória. Este artigo focará na primeira pergunta.

Quando a farda estapeia a beca, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A situação que se escancara diante dos nossos olhos é de outra natureza: uma agressão despropositada contra nossa autonomia, nossa tradição e nosso modo de vida

Em licença-prêmio, eu estava fora do Brasil. Recebi relatos de docentes e estudantes da minha universidade. Foi aflitivo acompanhar, de longe, tamanho ultraje contra a Universidade de São Paulo (USP).

Vou aos fatos. Na madrugada de domingo, por volta de quatro da manhã, policiais militares fantasiados de Swat arrancaram de dentro da reitoria, à força, alunas e alunos que tinham ocupado o prédio dois dias antes. Segundo depoimentos de todas as testemunhas, houve agressões gratuitas e descabidas. A desocupação se deu a tapas e pontapés. Em vídeos e fotografias que os manifestantes conseguiram fazer, vemos, num corredor polonês, cassetetes espancando jovens desarmados. Foi um ritual de aviltamento, sujeição e sadismo, com bombas de efeito moral, ou imoral. “Dezenas de estudantes foram feridos”, declarou à rádio CBN o aluno Gabriel Borges, do Diretório Central dos Estudantes. Segundo ele, “alguns tiveram de ser hospitalizados com fratura no braço, fratura no nariz”. Houve quatro prisões, ainda que por poucas horas.

Setor de fertilizantes e o desenvolvimento, por José Serra

O Estado de S. Paulo

Não podemos controlar conflitos internacionais, mas devemos reduzir seus impactos por meio de políticas de Estado, consistentes e duradouras

De cada dez habitantes da Terra, um consome alimentos produzidos no Brasil. Poucos, porém, têm consciência do complexo processo envolvido desde a produção até a comida chegar às suas mesas. Nesse ciclo, há um fator crítico: o fertilizante, cujo abastecimento global sofre forte impacto causado pela prolongada crise geopolítica enfrentada pela humanidade. Para o Brasil, que importa quase todo o adubo que consome, o cenário é muito desafiador.

Fertilizantes são o alimento da planta e, portanto, um elo essencial da cadeia do agronegócio, que tem sido a âncora do crescimento do nosso país. Lideramos as exportações globais de soja, açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, celulose e fumo. Este ano, também assumimos a liderança no comércio do algodão e mantivemos a segunda posição com o milho e o etanol.

O que as pesquisas não dizem, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Existe um ‘humor sombrio’ no eleitorado do País que afeta também a oposição

Profissionais frios e calculistas que lidam com pesquisas de intenção de voto dizem que as eleições trarão um resultado de 52 a 48 “para alguém”. Quem? Ainda não sabem. O que eles aprenderam de recentes episódios da História é que eleições não têm automaticamente o dom de alterar “grandes correntes” que formam comportamentos. O exemplo em questão foi a vitória de Dilma em 2014 – que pouco freou o fenômeno de indignação social logo depois simbolizada pela Lava Jato (sem a qual é difícil explicar o impeachment dela).

Pistas sobre a atuação de Nunes Marques, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Relações políticas do ministro dão à direita esperança nas eleições e resignação no STF

Celebridades da música, ministros de Cortes superiores, advogados que circulam por tribunais de Brasília, políticos de diferentes matizes. Esse era o público que lotou a festa da posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Mas nem todo mundo estava lá.

Dos outros nove ministros do Supremo Tribunal Federal, apenas dois compareceram: André Mendonça, que tomou posse como vice-presidente da Corte Eleitoral, e Gilmar Mendes. É pouco e destoa de posses anteriores de integrantes do STF.

Da lista de convidados, é possível constatar que o ministro tem perfil mais político que jurídico. As amizades mais fiéis, aquelas que prestigiaram o evento, dão uma pista sobre o que esperar dele à frente do TSE e no Supremo.

Donald Trump contra os Estados Unidos, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Estudo mostra a rápida erosão do soft power da grande potência

Entre 68 países, EUA estão em 64°, à frente apenas de Irã, Afeganistão, Coreia do Norte e Israel

Em pouco mais de um ano, Donald Trump abalroou o conjunto de instituições que deram feição própria à ordem internacional liberal, criada no segundo pós-Guerra e da qual os EUA foram avalista e principal beneficiário.

Megalomaníaco, desorganizou o sistema de comércio com o tarifaço e debilitou o FMI e o Banco Mundial; paralisou o Conselho de Segurança, cerne das Nações Unidas; abandonou o Acordo de Paris, dificultando ainda mais os já penosos esforços de mitigação da crise climática. Enfraqueceu a Otan, pilar do sistema de segurança europeu; destruiu o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), substituindo a proveitosa cooperação comercial com o Canadá e o México pela ameaça à soberania dos vizinhos. Invadiu a Venezuela e sequestrou seu ditador, retomando uma prática de intervenção armada na vizinhança que se imaginava confinada ao passado. Estrangula Cuba, ao extremar um cruel bloqueio econômico a fim de derrubar o regime castrista. Em parceria com Israel, a quem apoiou no massacre de Gaza, faz agora guerra ao Irã, com consequências imprevisíveis —mas certamente nefastas— para o Oriente Médio e a economia mundial.

Flávio Bolsonaro pedia dinheiro dos fundos sujos do 'irmão' Vorcaro, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ex-dono do Master sumiu com recursos de seus credores e faz país pagar essa conta

Candidato em longa história de escândalos, mas ainda assim tem cerca de 40% dos votos

Flávio Bolsonaro é muito família. De família de golpista e de simpatizantes do golpe. É muito amigo. Muito amigo do dinheiro vivo, da boca do caixa à compra de casa grande. Foi amigo de uma família de milícias e de um pistoleiro. Ainda assim, tem perto de 40% nas pesquisas sobre a disputa da Presidência da República.

Sabe-se agora que Flávio Bolsonaro é um dos tantos amigões de Daniel Vorcaro, chefe de máfia que era proprietária de banco, o Master. É "irmão", parceiro eterno de papo reto: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", escreveu para Vorcaro quando pedinchava dinheiro, informação revelada pelo site Intercept Brasil e confirmada em parte por este jornalista. Flávio Bolsonaro, que escondeu a amizade, diz que não havia rolo. O silêncio vale ouro.

Grande centrão: Veredas, por Conrado Hübner Mendes*

Folha de S. Paulo

Voa em jato de bet até paraíso fiscal e volta com mala cheia por fora do raio-X

Vende aposentados de seu Estado em troca de relações carnais com Banco Master

"O senhor sabe: centrão é onde manda quem é forte, com as astúcias."

O centrão se transmutou. Funcionava como bloco invertebrado da governabilidade num contrato de coalizão com o Poder Executivo, assumiu papel de controlador do orçamento e de pulverização do dinheiro público. Em 2026, só quer manter esse controle, pouco importa quem se eleja. Nem que para isso ameace impeachment de ministro do STF e de presidente da República.

"Centrão é onde homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada."

Davi AlcolumbreHugo MottaArthur Lira e Ciro Nogueira são seus operadores de maior expressão no momento. Envolvidos em escândalos de aportes suspeitos de dinheiro de aposentados no Banco Master, de mesadas do Banco Master em troca de uma "Emenda Master", de viagem em jato de bet a paraíso fiscal de onde voltam de mala cheia por fora do raio-X, sua grande obra foram as emendas parlamentares.

Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o filme mais caro do Brasil, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Conversa é o primeiro áudio conhecido de alguma autoridade cobrando dinheiro diretamente do dono do Master

O valor do negócio acertado chama atenção e exige explicações do Flávio sobre o real destino dos recursos

áudio divulgado pelo site Intercept Brasil com uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mostra uma relação indiscutivelmente próxima entre os dois.

É o primeiro áudio conhecido de alguma autoridade cobrando dinheiro diretamente de Vorcaro. O diálogo chegou como um tsunami à campanha do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, balançou a República e caiu como uma bomba no mercado financeiro.

O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro cobra dinheiro do dono do Master, o brasileiro mais tóxico do momento, de quem todos os políticos querem ficar a léguas de distância, para pagar um filme que conta a história do pai.

Próximo de bandidos demais, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro disse que não responde pelas pessoas com quem tem proximidade

Por coincidência, todas essas pessoas tiveram problemas com a lei envolvendo o seu nome

Um dos efeitos imediatos da Revolução dos Cravos, que, em 1974, derrubou a ditadura que sepultava Portugal há 48 anos, foi a extinção da Pide (Polícia Internacional de Defesa do Estado), sua odiosa polícia política infiltrada em todo o país. Eu trabalhava em Lisboa na época e, como jornalista estrangeiro, devia estar na mira dos pides, como eram chamados os agentes. Caído o regime, logo começou a caça a eles e a seus informantes.

O novo governo instituiu uma recompensa a quem ajudasse a pegá-los: 100 escudos por cabeça (o escudo era a moeda nacional, ainda não existia o euro). O resultado é que as denúncias pulularam, a ponto de a Justiça ter de adotar uma prática severa: "Se denuncias um pide, ganhas 100 escudos. Se denuncias dois pides, ganhas 200 escudos. Se denuncias três pides, vais preso por conheceres pides demais." Ou seja, as pessoas respondem, sim, por aqueles com quem têm proximidade.