segunda-feira, 22 de junho de 2026

A investigação se aproxima do poder, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de determinar o retorno de delegados da Polícia Federal (PF) cedidos a outros órgãos, inclusive gabinetes de magistrados, gerou controvérsia. O momento da medida coincide com o avanço das investigações do escândalo do Caso Master, que já alcançam figuras da oposição, mas também nomes do próprio governo Lula.

Seria uma tentativa de interferência política na PF? Mais importante do que especular sobre intenções é compreender os incentivos que surgem quando corrupção e eleições se encontram.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congresso deve ao país respostas sobre o caso Master

Por Folha de S. Paulo

PF avança em investigações que mostram relações de Ciro Nogueira e Jaques Wagner com a rede de Vorcaro

Presidente da Câmara recebeu favores, enquanto o do Senado tem seu estado envolvido; regulação do lobby seria medida moralizadora básica

A semana que passou trouxe novas e chocantes evidências do envolvimento de parlamentares na rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem que as lideranças do Congresso Nacional tenham esboçado uma reação à altura do escândalo.

O caso em apuração mais avançada pela Polícia Federal é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujas relações com o ex-controlador do Master eram conhecidas desde antes da quebra do banco.

Entrevista | 'Chegou-se ao 8 de Janeiro por tolerarmos o que era intolerável', diz presidente do STM*, por Eliane Trindade

Folha de S. Paulo

Primeira mulher nomeada para o Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha preside a corte que julga a perda de patente de oficiais envolvidos na trama golpista

Casada com um general que teve irmão morto pela ditadura, ela critica o processo de anistia e resgata memória de julgamentos históricos em coletânea

Brasília - Uma boneca de pano vestida de toga enfeita a mesa da ministra Maria Elizabeth Rocha, 66, primeira mulher a integrar o Superior Tribunal Militar (STM) e a chegar à presidência da corte mais antiga do país.

O caminho até o amplo gabinete em um tribunal superior em Brasília foi trilhado com foco pela mineira de Belo Horizonte. "Não vou dizer que foi o destino, mas uma construção", diz ela, nomeada para o cargo pelo presidente Lula em 2007.

Naquele momento, estava bem posicionada como subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, de onde saíram vários indicados para os disputados cargos do topo da magistratura.

"Quando abriu uma vaga para o STM, Gilberto [Carvalho] dizia nos ouvidos do presidente Lula: ‘Coloque a Beth lá. Ela é uma constitucionalista feminista, progressista’", relata a ministra sobre a proatividade do amigo e então chefe de gabinete no Planalto.

Cena política nacional em alta definição, por Paulo Hartung*

Folha de S. Paulo

Novo livro de Jairo Nicolau nos convida a enxergar além da 'poeira' que a correria digitalizada espalha

Em "O País Divido", ele apresenta aspectos da cena política de 2002 a 2022, revelando um Brasil em profunda transformação

Vivemos, em grau maior ou menor, sob a lógica de uma temporalidade ultraveloz. As tecnologias da digitalidade promovem mudanças em escala jamais vista, nas mais variadas dimensões, dos processos produtivos às lógicas comportamentais.

Nesse contexto vertiginoso e de precária percepção de suas experiências, é fundamental observar o desenho que o movimento das sociabilidades vem riscando no chão da história.

Assim, o novo livro do professor Jairo Nicolau nos convida a enxergar além da "poeira" que a correria digitalizada espalha, muitas vezes ofuscando nosso olhar. Em "O País Divido", apresenta aspectos da cena política brasileira de 2002 a 2022, no marco de seis eleições presidenciais, revelando um Brasil em profunda transformação.

A Copa 2026 e a política das emoções, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Pesquisas medem efeitos de eventos que independem de governantes

Torneio mitiga impacto das sórdidas revelações do escândalo Vorcaro

Eventos fortuitos e alheios à ação dos governantes —como o desempenho da seleção na Copa— influenciam o comportamento dos agentes políticos? A democracia funciona quando os eleitores recompensam bons governantes e punem maus governantes. Mas se os cidadãos atribuem responsabilidade a governos por acontecimentos que não controlam, a racionalidade do processo democrático está em xeque. Autocratas mobilizam sucessos em eventos para alavancar popularidade, mas sua sobrevivência no cargo depende de força bruta e abuso de poder, não de eleições.

Lições de resistência ao racismo, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Ritmo de transformação do Brasil é tímido demais, mesmo com políticas públicas de ação afirmativa

Professor e ativista Helio Santos propõe equidade racial como política central para o país

"No dia 14 de maio, eu saí por aí/ Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir/ Levando a senzala na alma, subi a favela/ Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci."

As estrofes iniciais da canção "14 de Maio", de Lazzo Matumbi, descrevem o pós-abolição e ilustram a construção dos alicerces de um dos países mais desiguais do planeta —o nosso.

A humilhação diária, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Pessoas de 90 anos têm de usar um smartphone para pagar uma conta ou marcar uma consulta

Os idosos se tornaram analfabetos dentro de casa, dependendo de um filho ou neto, se houver

Minha amiga Ana Luiza recebeu e me mandou. Num cartum, um idoso de capa, cachecol e bengala está diante de um balcão de informações. A atendente lhe mostra o celular e o instrui: "O senhor baixa o aplicativo e entra em ‘gerar código de acesso’. Aqui tem o certificado digital. Faz o login e clica em ‘escolher o arquivo’. Ele vai pedir um código de liberação do acesso nas extensões JPG, PNG ou PDF... Entendeu?". O cartum é assinado por Tom Cotrim. Mostra uma realidade que está acontecendo neste momento no seu bairro, com macróbios quase centenários como eu ou talvez você.