segunda-feira, 22 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congresso deve ao país respostas sobre o caso Master

Por Folha de S. Paulo

PF avança em investigações que mostram relações de Ciro Nogueira e Jaques Wagner com a rede de Vorcaro

Presidente da Câmara recebeu favores, enquanto o do Senado tem seu estado envolvido; regulação do lobby seria medida moralizadora básica

A semana que passou trouxe novas e chocantes evidências do envolvimento de parlamentares na rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem que as lideranças do Congresso Nacional tenham esboçado uma reação à altura do escândalo.

O caso em apuração mais avançada pela Polícia Federal é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujas relações com o ex-controlador do Master eram conhecidas desde antes da quebra do banco.

Entrevista | presidente do PT: ‘Todos envolvidos no escândalo Master terão que se explicar’

Por Andrea Jubé – Valor Econômico

Presidente do PT, Edinho Silva diz que decisão de deixar ou não a liderança do governo no Senado é decisão de Jaques Wagner

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse ao Valor que a operação da Polícia Federal (PF) que arrastou o líder do governo e quadro histórico do PT, senador Jaques Wagner (BA), para o escândalo do Banco Master não atingirá a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Segundo o dirigente, que é coordenador-geral da campanha, Lula sempre cobrou a investigação das denúncias contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e acrescentou que o Master é “criação” do governo de Jair Bolsonaro. Sobre o afastamento de Wagner da liderança, argumentou que a prioridade é a defesa do aliado, e que deixar, ou não, o cargo será uma decisão dele, que terá o seu apoio.

Na área econômica, Edinho relativizou declarações recentes do coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, que provocaram ruído com o mercado e com o setor produtivo. “Só tem um condutor da política econômica, se chama presidente Lula. E o seu porta-voz na economia, que é o ministro Dario Durigan”, afirmou.

Lembrando que o próprio Lula tem defendido a expansão dos gastos públicos, mesmo com a trajetória de alta da dívida, o dirigente ponderou que o presidente fala em meio a uma conjuntura de crise econômica mundial. Argumenta que o déficit é “controlado”, e que isso não significa acomodação, porque o governo vai buscar a responsabilidade fiscal e a eficiência dos gastos.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

A última linha de defesa da racionalidade se foi, por Bruno Carazza*

Valor Econômico

Novos argumentos contra a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central

Na semana passada expus minhas preocupações com a possível aprovação da PEC nº 65/2023, que dá autonomia financeira, orçamentária e administrativa ao Banco Central. A publicação do texto mobilizou servidores do Bacen, inclusive amigos, que me procuraram para apresentar as suas divergências aos riscos que apontei.

No artigo, embora tenha reconhecido as atuais limitações orçamentárias e de pessoal da autoridade monetária brasileira, destaquei os temores de que os superpoderes a serem concedidos pela PEC possam, no futuro, se converter em supersalários e irresponsabilidade fiscal.

Juro alto asfixia economia; resposta precisa ser no campo fiscal, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

Sem medidas de ajuste das contas públicas, as taxas continuarão a castigar empresas e famílias e a manter as despesas financeiras do setor público na casa do trilhão

Os juros viraram o ano nas alturas, caíram pouco no primeiro semestre e não devem recuar muito mais nos próximos meses - se é que haverá na segunda metade de 2026 mais uma queda da Selic, hoje em 14,25% ao ano. A economia brasileira, tudo indica, vai continuar a conviver com taxas reais (descontada a inflação) de curto prazo próximas a 10%, e acima de 7,5% nos casos dos títulos de longo prazo do Tesouro corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse nível de juros tem castigado empresas e famílias endividadas e aumentado fortemente o custo financeiro do setor público. Em 12 meses até abril, os gastos com juros atingiram R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB.

Juros altos, país caro, por Preto Zezé

O Globo

Quem acorda às 4 da manhã para garantir o pão dos filhos não pode colocar a vida em pausa até que os indicadores melhorem

O Brasil é um país curioso. Quando a economia vai mal, a conta chega rapidamente à mesa do trabalhador. Quando melhora, os efeitos demoram a aparecer no supermercado, no crediário e no bolso de quem acorda cedo para fazer a vida acontecer. Nos últimos meses, o Banco Central iniciou um movimento de redução da taxa básica de juros. A Selic caiu para 14,25%, mas continua entre as mais altas do mundo. As projeções apontam desaceleração da economia, com crescimento em torno de 1,9%. Os números recomendam cautela, mas a experiência cotidiana dos brasileiros revela outra coisa: a sensação de que o esforço tem custado cada vez mais caro.

Em Brasília, acha-se normal o que é totalmente anormal, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Se tem a diária, ninguém precisa pegar carona em jatinho nem ter um amigo para “botar no hotel”.

A cena se passa em Brasília, em meados de 2024, pouco antes do evento promovido em Lisboa pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes — o famoso Gilmarpalooza. Participam do diálogo o senador pelo Piauí Ciro Nogueira, presidente do PP, e o deputado pela Paraíba Hugo Motta, do Republicanos. Quem relata a conversa é Hugo Motta, numa entrevista ao Estadão:

— Ciro me chamou: “Vamos para o evento do Gilmar”. Eu disse: “Ciro, não comprei passagem e tal, e eu tenho que voltar”, porque era a época da festa junina lá nossa. Ele disse: “Não, pô, vamos com o Daniel de carona”. Conhecia o Daniel, fomos de carona. Chegou lá, o Daniel tinha reservado o hotel. Também não vejo problema nisso, é um evento corporativo. Se você falar com qualquer pessoa, é normal você convidar uma pessoa, botar no hotel.

No Pantanal, iniciativa alia preservação e desenvolvimento econômico, por Demétrio Magnoli*

O Globo

O Revis da Bodoquena ao Delta do Salobra reduz antagonismos históricos entre conservação e produção rural. Não é 'de esquerda', nem 'de direita'

Num Pantanal que experimenta déficit hídrico desde 2019, o fogo vem aí, na esteira de uma nova seca excepcional impulsionada pelo El Niño. Lá, oeste de Mato Grosso do Sul, no corredor ecológico que conecta a Serra da Bodoquena ao Pantanal do Delta do Salobra, semeia-se uma resposta: um Refúgio de Vida Silvestre (Revis). A iniciativa alia preservação e desenvolvimento econômico.

A investigação se aproxima do poder, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de determinar o retorno de delegados da Polícia Federal (PF) cedidos a outros órgãos, inclusive gabinetes de magistrados, gerou controvérsia. O momento da medida coincide com o avanço das investigações do escândalo do Caso Master, que já alcançam figuras da oposição, mas também nomes do próprio governo Lula.

Seria uma tentativa de interferência política na PF? Mais importante do que especular sobre intenções é compreender os incentivos que surgem quando corrupção e eleições se encontram.

Entrevista | 'Chegou-se ao 8 de Janeiro por tolerarmos o que era intolerável', diz presidente do STM*, por Eliane Trindade

Folha de S. Paulo

Primeira mulher nomeada para o Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha preside a corte que julga a perda de patente de oficiais envolvidos na trama golpista

Casada com um general que teve irmão morto pela ditadura, ela critica o processo de anistia e resgata memória de julgamentos históricos em coletânea

Brasília - Uma boneca de pano vestida de toga enfeita a mesa da ministra Maria Elizabeth Rocha, 66, primeira mulher a integrar o Superior Tribunal Militar (STM) e a chegar à presidência da corte mais antiga do país.

O caminho até o amplo gabinete em um tribunal superior em Brasília foi trilhado com foco pela mineira de Belo Horizonte. "Não vou dizer que foi o destino, mas uma construção", diz ela, nomeada para o cargo pelo presidente Lula em 2007.

Naquele momento, estava bem posicionada como subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, de onde saíram vários indicados para os disputados cargos do topo da magistratura.

"Quando abriu uma vaga para o STM, Gilberto [Carvalho] dizia nos ouvidos do presidente Lula: ‘Coloque a Beth lá. Ela é uma constitucionalista feminista, progressista’", relata a ministra sobre a proatividade do amigo e então chefe de gabinete no Planalto.

Cena política nacional em alta definição, por Paulo Hartung*

Folha de S. Paulo

Novo livro de Jairo Nicolau nos convida a enxergar além da 'poeira' que a correria digitalizada espalha

Em "O País Divido", ele apresenta aspectos da cena política de 2002 a 2022, revelando um Brasil em profunda transformação

Vivemos, em grau maior ou menor, sob a lógica de uma temporalidade ultraveloz. As tecnologias da digitalidade promovem mudanças em escala jamais vista, nas mais variadas dimensões, dos processos produtivos às lógicas comportamentais.

Nesse contexto vertiginoso e de precária percepção de suas experiências, é fundamental observar o desenho que o movimento das sociabilidades vem riscando no chão da história.

Assim, o novo livro do professor Jairo Nicolau nos convida a enxergar além da "poeira" que a correria digitalizada espalha, muitas vezes ofuscando nosso olhar. Em "O País Divido", apresenta aspectos da cena política brasileira de 2002 a 2022, no marco de seis eleições presidenciais, revelando um Brasil em profunda transformação.

A Copa 2026 e a política das emoções, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Pesquisas medem efeitos de eventos que independem de governantes

Torneio mitiga impacto das sórdidas revelações do escândalo Vorcaro

Eventos fortuitos e alheios à ação dos governantes —como o desempenho da seleção na Copa— influenciam o comportamento dos agentes políticos? A democracia funciona quando os eleitores recompensam bons governantes e punem maus governantes. Mas se os cidadãos atribuem responsabilidade a governos por acontecimentos que não controlam, a racionalidade do processo democrático está em xeque. Autocratas mobilizam sucessos em eventos para alavancar popularidade, mas sua sobrevivência no cargo depende de força bruta e abuso de poder, não de eleições.

Lições de resistência ao racismo, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Ritmo de transformação do Brasil é tímido demais, mesmo com políticas públicas de ação afirmativa

Professor e ativista Helio Santos propõe equidade racial como política central para o país

"No dia 14 de maio, eu saí por aí/ Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir/ Levando a senzala na alma, subi a favela/ Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci."

As estrofes iniciais da canção "14 de Maio", de Lazzo Matumbi, descrevem o pós-abolição e ilustram a construção dos alicerces de um dos países mais desiguais do planeta —o nosso.

A humilhação diária, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Pessoas de 90 anos têm de usar um smartphone para pagar uma conta ou marcar uma consulta

Os idosos se tornaram analfabetos dentro de casa, dependendo de um filho ou neto, se houver

Minha amiga Ana Luiza recebeu e me mandou. Num cartum, um idoso de capa, cachecol e bengala está diante de um balcão de informações. A atendente lhe mostra o celular e o instrui: "O senhor baixa o aplicativo e entra em ‘gerar código de acesso’. Aqui tem o certificado digital. Faz o login e clica em ‘escolher o arquivo’. Ele vai pedir um código de liberação do acesso nas extensões JPG, PNG ou PDF... Entendeu?". O cartum é assinado por Tom Cotrim. Mostra uma realidade que está acontecendo neste momento no seu bairro, com macróbios quase centenários como eu ou talvez você.

Poesia | O Gondoleiro do Amor, de Castro Alves

 

Música | Nara Leão - Chorinho (Chico Buarque)