sábado, 11 de julho de 2026

Prodígios congênitos do direito, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Kevin Marques é prodígio congênito do direito, alguém cujas vocação causídica de berço e atividade advocatícia bem-sucedida não podem ser duvidadas por lhe ser o pai membro do STF. O talento, associado ao trabalho, cedo ou tarde – cedíssimo, aqui – resulta. Resultou em que, com dois anos de carreira, o filho de Nunes Marques tivesse acumulado quase R$ 28 milhões. Cumpre jornada referencial também a banca do filho de Luiz Fux.

O filho de Gilmar Mendes, a partir do negócio da família, o IDP, associou-se ao braço da CBF que vende cursos, parceria desde a qual, na prática, administraria a entidade. Esforço de profissionalização que logo impedirá que o samir-da-vez custeie viagens de moças com dinheiros da confederação.

Uma nuvem que pesa toneladas, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

A IA está mudando a economia mundial, mas, para fazê-lo, usa uma quantidade gigantesca de capital

Se alguém dissesse, poucos anos atrás, que a infraestrutura e os computadores usados para desenvolver a inteligência artificial (IA) consumiriam mais eletricidade do que todo o Japão, provavelmente pareceria exagero. Mas não é.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers dedicados à IA deverão consumir cerca de 945 TWh em 2030 – mais do que todo o consumo anual de eletricidade da terceira maior economia do mundo. Durante anos fomos levados a acreditar que a economia digital era leve. O termo usado era “nuvem” e imaginávamos algo virtual, quase sem peso.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Petro repete reação antidemocrática de Trump e Bolsonaro

Por O Globo

Ao contestar resultado das urnas, colombiano mostra que agressão à democracia não está restrita à direita

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, cancelou no início desta semana o processo de transição de poder conduzido com a equipe do presidente Gustavo Petro. Mesmo depois que a autoridade eleitoral oficializou a vitória por margem apertada do ultradireitista Espriella sobre o esquerdista Iván Cepeda, candidato do governo, Petro continuou a contestar o resultado (o próprio Cepeda reconheceu a derrota).

A semelhança com o que fizeram Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro no Brasil é evidente. É uma prova de que a veia antidemocrática não está restrita aos populistas de direita. Sem apresentar um única prova, Petro afirma que houve fraude, nega-se a passar a faixa presidencial no dia da posse em agosto e marcou uma manifestação de rua para o dia 20 de julho, que vem sendo descrita como um replay do 6 de Janeiro de Trump ou do 8 de Janeiro de Bolsonaro. Não surpreende que Espriella acuse Petro de tramar um golpe de Estado e peça às Forças Armadas que protejam a Constituição e a democracia.

O Ceará na crise bolsonarista, por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

Enquanto Flávio Bolsonaro tenta arrefecer os ânimos, lançando o nome de Alcides Fernandes ao Senado, Michelle faz o oposto, anunciando a criação de um movimento próprio, intitulado "Imparáveis", o que só confirma o diagnóstico de que ela tem projeto pessoal de consolidação de sua liderança no campo da direita

A intensificação da crise em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro tem desestabilizado os cenários estaduais, como é o caso do Ceará. A vinda do filho de Bolsonaro à Fortaleza para apaziguar os ânimos é uma prova do esforço que a sigla tem mantido para garantir alguma coesão na disputa cearense.

Embora tenha vindo justamente para fortalecer o palanque local, a presença de Flávio produz um efeito político ambíguo, especialmente após a veiculação da notícia de que o PSDB não lançará chapa própria para disputa da presidência. Isso se dá porque, em terras cearenses, Ciro precisa administrar o incômodo de se aliar ao bolsonarismo sem ser, na origem, um bolsonarista convicto. Sua aliança eleitoral com o PL criou uma contradição que desagrada a gregos e troianos, porque, do lado do bolsonarismo, a desconfiança com seu nome é real e, no campo progressista, ficou um gosto agridoce de um pragmatismo radical difícil para uma parte dos ciristas históricos digerir.

Linhagens do Estado de Direito, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Chineses têm participado de maneira cada vez mais ativa na formulação do direito internacional

O Brasil também deveria adotar urgentemente um plano de consolidação de seu Estado de Direito

O Fórum Mundial de Juristas levou a Pequim, neste mês, mais de 500 especialistas e profissionais do direito de diversos países, com o objetivo de promover o intercâmbio de experiências entre diferentes linhagens do Estado de Direito.

O momento não poderia ser mais apropriado. Apesar da crescente interdependência econômica e vertiginosa interconexão tecnológica, temos assistido a um forte declínio da capacidade das instituições baseadas no direito (rule based institutions) em responder aos múltiplos desafios globais, que vão dos conflitos armados à crise climática, passando pelo comércio e o respeito aos direitos humanos.

Essa crescente desordem internacional, agravada pela gestão Trump, está diretamente relacionada à onda de autocratização nos diversos continentes. A ascensão de líderes populistas, nacionalistas ou mesmo extremistas, tem contribuído para fragilizar a autoridade do direito, não apenas no âmbito doméstico, mas também internacional.

Obsessão por Trump vai derretendo candidatura do filho 01, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ao defender o tarifaço, Flávio Bolsonaro se afasta do meio empresarial e rompe com 'direita limpinha'

Para reduzir rejeição feminina, ele quer transformar a mulher, Fernanda, numa espécie de Michelle 2

Alguém pôs na cabeça de Flávio Bolsonaro –provavelmente o pai– que, sem a ajuda ou a interferência direta de Trump e a propaganda e as teorias da extrema direita internacional, ele não ganha a eleição. Até agora a sugestão teve um efeito contrário.

Na sua sexta viagem aos EUA neste ano, mais do que o número de idas a estados-chave durante a pré-campanha (cujo objetivo é o Palácio do Planalto, não a Casa Branca, é bom lembrar), o filho 01 esteve em uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio para defender o tarifaço 2.0 –desde que a chantagem político-econômica entre em vigor só depois das eleições. Pediu o prazo de 90 dias, alegando que a medida pode vir no "pior momento possível" e beneficiar Lula. Um cálculo de quem teme não chegar ao segundo turno.

STF deveria ler Maquiavel, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Corte deveria permitir que ministros envolvidos no caso Master sejam investigados

Medida, mesmo que não passe de simulação, ajudaria a recuperar imagem do Judiciário

A grande sacada de Nicolau Maquiavel foi ter separado a política da moral, o que lhe deu liberdade para analisar as relações de poder como elas são e não como gostaríamos que fossem. Não é uma coincidência que ele seja considerado o fundador da ciência política.

Está faltando ao STF ler um pouco de Maquiavel. Se os ministros da corte querem deixar para trás a crise de credibilidade em que se meteram, muito por causa do escândalo do Master, estão fazendo tudo errado.

IPCA mais baixo mostra que ruído contra BC foi exagerado, Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Pelos dados da inflação, o BC teria errado se tivesse parado o corte ou até subido a Selic

Que estrago adicional teria sido uma precipitação do Banco Central para uma economia que sofre com juros altos

dA desaceleração da inflação para 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, mostrou que foi exagerado o barulho criado pelo mercado financeiro após a decisão do Banco Central de cortar os juros na última reunião do Comitê de Política Monetária.

Há menos de um mês, o cenário instalado no mercado era de fim do mundo com a decisão do Copom de continuar afrouxando a taxa Selic em um momento em que os índices inflacionários seguiam subindo para além do teto da meta de inflação.

Será um admirável mundo novo? Por Marcus Pestana

Ninguém é totalmente revolucionário, nem absolutamente conservador. O cidadão médio comum não gosta de instabilidade, rupturas radicais, mudanças desestabilizadoras. O novo, às vezes, assusta. Mas a história da civilização humana é tudo, menos a repetição monótona de um equilíbrio estático. Crises ocorrem ciclicamente. Se as pessoas gostam da conservação de tradições e estabilidade, por outro lado, a inquietação humana sempre persegue transformar a realidade. Se não fosse isso, não teríamos chegado, vindos da Idade da Pedra, à atual configuração do mundo contemporâneo. O medo do que é novo e a compulsão pela inovação convivem dialeticamente no desenvolvimento civilizatório.

Sobe o risco Brasil, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Fatores ligados à política, economia e geopolítica criam viés de alta

A normalização dos eventos extravagantes de nossa conjuntura institucional é um grave risco. Pior do que qualquer crise isolada é ignorar o empilhamento dos pontos polêmicos que se apresentam no presente e se anunciam no futuro. Nos anos 1930, Winston Churchill era ridicularizado por alertar para o perigo nazista — e por pouco a Inglaterra não sucumbiu. O acordo do então premiê Neville Chamberlain com Hitler em 1938 parecia trazer paz à Europa; Churchill não acreditou e preparou-se para o pior.

No Brasil, guardadas as proporções de comparação com uma guerra mundial, a situação é mais ou menos parecida. Aos riscos de sempre (rombo fiscal, conflito entre os Poderes, sanha tributária e decisões contraditórias do Judiciário) soma-se a deterioração externa. A química entre Trump e Lula está em baixa: afagos e elogios deram lugar à ameaça de tarifaço e, pasmem, ao temor oficial do Itamaraty de que os EUA possam ensaiar alguma operação militar em território brasileiro.

O inferno astral dos Bolsonaro, por Cláudio Couto

CartaCapital

A autofagia familiar e a subserviência ao governo Trump corroem o capital político do clã

A família Bolsonaro vive um inferno astral há semanas. Primeiro, a revelação das nada republicanas conversas de seu candidato, Flávio, com Daniel Vorcaro, pedindo ao pivô do escândalo do Banco Master mais de 134 milhões de reais para, supostamente, financiar o filme sobre a ascensão política do patriarca. Depois vieram novas revelações sobre contatos mantidos entre o senador e o banqueiro, consolidando o desgaste da candidatura e o declínio de suas intenções de voto.

Em clima de mata-mata, por Maurício Thuswohl

CartaCapital

Enquanto se defende das pautas-bombas, o governo corre para destravar a PEC do fim da escala 6×1

Em meio à frustração da sexta eliminação consecutiva do Brasil em uma Copa do Mundo, o governo redobrou seus esforços para também não sair derrotado em mais um confronto com o Congresso Nacional. Ao longo da semana, líderes governistas na Câmara e no Senado buscaram avançar em dua­s frentes consideradas fundamentais: a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6×1 e a reversão de nove projetos identificados pelo Executivo como “pautas-bombas”, que podem resultar em um impacto anual de 111 bilhões de reais nos cofres públicos. O presidente Lula deseja ver os dois nós desatados até 17 de julho, último dia antes do recesso legislativo, mas para conquistar essa vitória o time do Executivo terá que furar a retranca de Hugo Motta e Davi Alcolumbre.

A bola e a vida, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Em sua universalidade, o jogo desencanta brasileiros, franceses, alemães…

A Seleção Brasileira foi machucada e eliminada por dois golaços de Haaland. Assim como todos os brasileiros, padeci as dores da derrota. Esporte universal e carismático, o futebol encanta e desencanta a vida de brasileiros, noruegueses, franceses, alemães e tutti quanti. Em sua universalidade, o jogo da bola imita a vida. Desencanta as almas nas derrotas e, logo depois, empolga os espíritos apaixonados dos torcedores com reviravoltas vitoriosas.

Nos anos 30 do século passado, os campeonatos mundiais de futebol e as Olimpíadas serviram de palco para a competição entre sistemas políticos rivais. Correm rumores de que Benito Mussolini teria enviado uma mensagem à seleção italiana. A ordem do Duce clamava aos jogadores: “Ganhar ou morrer”.

Seleção sem alma, por Aldo Fornazieri

Carta Capital

O fiasco brasileiro na Copa também é resultado de uma crise de liderança

A Seleção Brasileira não tem alma. Perdeu-a na Copa de 2014, disputada em casa, na fatídica derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Uma seleção sem alma não tem ânimo, ímpeto, empenho, entrega, ousadia, brio nem determinação. A bronca não é porque o Brasil não vence um Mundial desde 2002. É natural que outras seleções conquistem o título, sobretudo em uma era de futebol globalizado. O problema está na forma como joga e reage – ou deixa de reagir – diante de uma situação adversa.