sábado, 22 de agosto de 2026

Petróleo no Amapá, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

A Amazônia brasileira surgiu de maneira inesperada para o Império e mais ainda para a República. O governo federal ignorou as populações do Norte ao longo de várias décadas

A Amazônia esconde mistérios. Em fevereiro de 1500, Vicente Yanes Pinzón, que havia comandado a caravela Nina na expedição de Cristovam Colombo, navegou pelo litoral do território que seria depois chamado de Brasil. Singrou as águas do rio gigante que batizou de MarDulce. Em agosto de 1542, Francisco Orellana, acompanhado de soldados e índios, iniciou a descida do Rio Napo, no atual Equador, após fundar a cidade de Guayaquil. Ele navegou toda a extensão do Rio Amazonas. O frei Gastar de Carvajal foi o escrivão da improvisada aventura.

Eleições e desenvolvimento, por Marcus Pestana

Faltam 43 dias para elegermos o novo presidente da República. Em tese, cada candidatura carrega princípios, valores e programas diferentes. Temos 6 semanas para entender o horizonte que cada uma oferece, suas ideias e propostas, e aí, fazer a escolha. Muitas vezes o programa de governo fica eclipsado pelo escândalo da vez, por uma gafe ou frase mal colocada, uma fake news bem fabricada. Pena. Porque são as diretrizes estratégicas governamentais que vão determinar o impacto do governo eleito nos próximos quatro anos, e quem sabe?  até mesmo sobre uma geração.

Nas sombras, por José Casado

Revista Veja

Operador da extrema direita preso na Bolívia foi acusado de conspirar no golpe de Bolsonaro

Três tiros a menos de dois metros de distância. Disfarçados com capacetes e parecendo entregadores de comida, atirador e cúmplice logo desapareceram. Um vídeo mostra a mulher jovem, em saia branca e blusa bege, cambaleando na entrada do hotel plantado à beira da reserva florestal de Santa Cruz de La Sierra, principal cidade boliviana. Não havia sangue visível, mas, diz a polícia, balas calibre 9 milímetros foram extraídas do pescoço, tórax e braço direito da vítima.

Nadia Beller é uma ativista do Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governou a Bolívia por duas décadas até o ano passado. Ela ainda estava no hospital quando seu namorado foi preso no aeroporto, em aparente fuga. O argentino Fernando Cerimedo, 45 anos, foi acusado de contratar a dupla de pistoleiros para matá-la. Seria mais um caso na epidemia de violência contra mulheres, não fossem os vínculos políticos do protagonista dessa história de crime sob encomenda.

A República dos vazamentos, por Murillo de Aragão

Revista Veja

O eleitor pode não distinguir denúncia legítima de operação política

O Brasil, país criativo, coleciona apelidos para si mesmo com a devoção com que outros povos colecionam vitórias. Já escrevi aqui sobre a “República da Atenção” — aquela em que capturar o olhar, com verdades ou mentiras, é o que importa. Acrescento uma expressão que faltava: a “República dos Vazamentos”.

Brasília não é uma caixa d’água com furos. É uma caixa d’água projetada com furos, cujos escoamentos podem ter destinatário e horário nobre. Pelas aberturas escorrem investigações sigilosas, disputas entre ministros, mensagens de aplicativos e boatos plantados com o esmero de quem cultiva orquídeas.

Efeito Selic, por Emilio Chernavsky*

CartaCapital

A relação entre política monetária e o crescimento da dívida pública no Brasil 

A dívida pública brasileira tem crescido nos últimos anos e, no caso da dívida bruta, passou de 71,7% do PIB no fim de 2022 para 81,9% em junho último. Esse porcentual se situa pouco acima da média registrada nas economias emergentes e em desenvolvimento (74% no fim de 2025), mas segue muito abaixo da média nas economias desenvolvidas (108%). Além disso, a dívida brasileira possui duas características especialmente benignas: mais de 96% de seu total é denominado em reais, emitidos pelo próprio governo, e menos de 10% é detido por investidores externos, o que tende a facilitar o seu financiamento. Isso não significa, todavia, que o crescimento acelerado deva ser ignorado. Ao contrário, medidas devem ser tomadas para contê-lo. Mas, para elaborá-las, é preciso partir de um diagnóstico correto da situação.

Onde as direitas se encontram, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

Desde a Constituinte, elas servem ao liberalismo, por ideologia ou fisiologia

O Centrão se inventou como força política em 1987, assim que a Constituinte iniciou seus trabalhos. Nesse período ocorreu o primeiro movimento de reacomodação de parlamentares antes filiados ao PDS, o partido da ditadura, que criaram uma dissidência capaz de dar a vitória ao candidato do PMDB, Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, formada por aqueles que aderiram ao peemedebista quando ele emergiu como o candidato indiscutivelmente favorito nas eleições indiretas e pelo grupo que estreava na política como nomes defensores dos interesses de associações de classe empresariais. Serviram, todos eles, à ditadura e a abandonaram nos seus estertores para continuar no poder.

A grande lacuna da eleição, Paulo Artaxo

CartaCapital

A política ambiental precisa deixar de ser tratada como um capítulo isolado dos programas de governo

As mudanças climáticas estão atingindo em cheio vários países. O Brasil, em particular, está enfrentando crises climáticas frequentes, com impactos significativos na produção agropecuária, na geração de hidroeletricidade e em perdas econômicas. A degradação ambiental torna a vida em nossas cidades cada vez mais difícil, com ondas de calor, tornados, enchentes e outros impactos que acarretam grandes prejuízos à população e à economia. Não há dúvida de que a crise climática se tornou um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Os desafios de Lula, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Corrupção e segurança estão no topo das preocupações do eleitorado. Qual será a postura do presidente nestes assuntos? 

Lula não começa mal a largada da campanha, mas também não começa bem. A pesquisa Quaest, de 14 de agosto, mostra que a distância em relação a Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno caiu para apenas 3 pontos, recolocando uma situação de empate técnico. Em abril e maio, esse empate era ainda mais evidente. Mas em junho/julho, Lula chegou a abrir 8 pontos de vantagem no levantamento da ­Quaest­, e os agregadores de pesquisas mostraram uma vantagem média de 5 pontos. O presidente caiu de 33% para 29% no eleitorado independente e Flávio subiu de 30% para 33%, justamente na fatia que vai decidir as eleições.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nossas escolhas

Por CartaCapita

CartaCapital aponta suas preferências eleitorais

Desde 1994, quando a edição número 1 chegou às bancas, esta publicação tem por hábito indicar os candidatos que considera mais habilitados a conduzir os rumos do País. CartaCapital fia-se, em primeiro lugar, na tradição das mais prestigiosas publicações do mundo. Há 174 anos, em todo ciclo eleitoral, The New York Times informa aos leitores as razões de seu “voto”. A partir dos anos 1960, o principal jornal dos Estados Unidos passou a apoiar de forma sistemática os presidenciáveis do Partido Democrata. O costume havia se solidificado na mídia norte-americana ao longo do século XX, mas sofreu um revés na última eleição, quando alguns novos magnatas dos meios de comunicação, oriundos do Vale do Silício, decidiram trocar a opinião dos editoriais pela fila do gargarejo na posse de Donald Trump. Qualquer semelhança com repúblicas de banana não é mera coincidência.

Na Europa, o britânico The Guardian nasceu alinhado aos trabalhistas, enquanto The Daily Telegraph integra as fileiras dos conservadores. Os liberais da revista The Economist ultrapassam fronteiras: escolhem seus preferidos não só no Reino Unido, dão pitacos nas disputas em países considerados fundamentais para o triunfo dos valores capitalistas defendidos pela redação.