Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 22 de agosto de 2026
Eleições e desenvolvimento, por Marcus Pestana
Nas sombras, por José Casado
Revista Veja
Operador da extrema direita preso na Bolívia foi acusado de conspirar no golpe de Bolsonaro
Três tiros a menos de dois metros de
distância. Disfarçados com capacetes e parecendo entregadores de comida,
atirador e cúmplice logo desapareceram. Um vídeo mostra a mulher jovem, em saia
branca e blusa bege, cambaleando na entrada do hotel plantado à beira da
reserva florestal de Santa Cruz de La Sierra, principal cidade boliviana. Não
havia sangue visível, mas, diz a polícia, balas calibre 9 milímetros foram
extraídas do pescoço, tórax e braço direito da vítima.
Nadia Beller é uma ativista do Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governou a Bolívia por duas décadas até o ano passado. Ela ainda estava no hospital quando seu namorado foi preso no aeroporto, em aparente fuga. O argentino Fernando Cerimedo, 45 anos, foi acusado de contratar a dupla de pistoleiros para matá-la. Seria mais um caso na epidemia de violência contra mulheres, não fossem os vínculos políticos do protagonista dessa história de crime sob encomenda.
A República dos vazamentos, por Murillo de Aragão
Revista Veja
O eleitor pode não distinguir denúncia
legítima de operação política
O Brasil, país criativo, coleciona apelidos
para si mesmo com a devoção com que outros povos colecionam vitórias. Já
escrevi aqui sobre a “República da Atenção” — aquela em que capturar o olhar,
com verdades ou mentiras, é o que importa. Acrescento uma expressão que
faltava: a “República dos Vazamentos”.
Brasília não é uma caixa d’água com furos. É uma caixa d’água projetada com furos, cujos escoamentos podem ter destinatário e horário nobre. Pelas aberturas escorrem investigações sigilosas, disputas entre ministros, mensagens de aplicativos e boatos plantados com o esmero de quem cultiva orquídeas.
Efeito Selic, por Emilio Chernavsky*
CartaCapital
A relação entre política monetária e o
crescimento da dívida pública no Brasil
A dívida pública brasileira tem crescido nos últimos anos e, no caso da dívida bruta, passou de 71,7% do PIB no fim de 2022 para 81,9% em junho último. Esse porcentual se situa pouco acima da média registrada nas economias emergentes e em desenvolvimento (74% no fim de 2025), mas segue muito abaixo da média nas economias desenvolvidas (108%). Além disso, a dívida brasileira possui duas características especialmente benignas: mais de 96% de seu total é denominado em reais, emitidos pelo próprio governo, e menos de 10% é detido por investidores externos, o que tende a facilitar o seu financiamento. Isso não significa, todavia, que o crescimento acelerado deva ser ignorado. Ao contrário, medidas devem ser tomadas para contê-lo. Mas, para elaborá-las, é preciso partir de um diagnóstico correto da situação.
Onde as direitas se encontram, por Maria Inês Nassif
CartaCapital
Desde a Constituinte, elas servem ao
liberalismo, por ideologia ou fisiologia
O Centrão se inventou como força política em 1987, assim que a Constituinte iniciou seus trabalhos. Nesse período ocorreu o primeiro movimento de reacomodação de parlamentares antes filiados ao PDS, o partido da ditadura, que criaram uma dissidência capaz de dar a vitória ao candidato do PMDB, Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral, formada por aqueles que aderiram ao peemedebista quando ele emergiu como o candidato indiscutivelmente favorito nas eleições indiretas e pelo grupo que estreava na política como nomes defensores dos interesses de associações de classe empresariais. Serviram, todos eles, à ditadura e a abandonaram nos seus estertores para continuar no poder.
A grande lacuna da eleição, Paulo Artaxo
CartaCapital
A política ambiental precisa deixar de ser
tratada como um capítulo isolado dos programas de governo
As mudanças climáticas estão atingindo em cheio vários países. O Brasil, em particular, está enfrentando crises climáticas frequentes, com impactos significativos na produção agropecuária, na geração de hidroeletricidade e em perdas econômicas. A degradação ambiental torna a vida em nossas cidades cada vez mais difícil, com ondas de calor, tornados, enchentes e outros impactos que acarretam grandes prejuízos à população e à economia. Não há dúvida de que a crise climática se tornou um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Os desafios de Lula, por Aldo Fornazieri
CartaCapital
Corrupção e segurança estão no topo das
preocupações do eleitorado. Qual será a postura do presidente nestes
assuntos?
Lula não começa mal a largada da campanha, mas também não começa bem. A pesquisa Quaest, de 14 de agosto, mostra que a distância em relação a Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno caiu para apenas 3 pontos, recolocando uma situação de empate técnico. Em abril e maio, esse empate era ainda mais evidente. Mas em junho/julho, Lula chegou a abrir 8 pontos de vantagem no levantamento da Quaest, e os agregadores de pesquisas mostraram uma vantagem média de 5 pontos. O presidente caiu de 33% para 29% no eleitorado independente e Flávio subiu de 30% para 33%, justamente na fatia que vai decidir as eleições.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Nossas escolhas
Por CartaCapita
CartaCapital aponta suas preferências
eleitorais
Desde 1994, quando a edição número 1 chegou
às bancas, esta publicação tem por hábito indicar os candidatos que considera
mais habilitados a conduzir os rumos do País. CartaCapital fia-se,
em primeiro lugar, na tradição das mais prestigiosas publicações do mundo. Há
174 anos, em todo ciclo eleitoral, The New
York Times informa aos leitores as razões de seu “voto”. A
partir dos anos 1960, o principal jornal dos Estados Unidos passou a apoiar de
forma sistemática os presidenciáveis do Partido Democrata. O costume havia se
solidificado na mídia norte-americana ao longo do século XX, mas sofreu um
revés na última eleição, quando alguns novos magnatas dos meios de comunicação,
oriundos do Vale do Silício, decidiram trocar a opinião dos editoriais pela
fila do gargarejo na posse de Donald Trump. Qualquer semelhança com repúblicas
de banana não é mera coincidência.
Na Europa, o britânico The Guardian nasceu alinhado aos trabalhistas, enquanto The Daily Telegraph integra as fileiras dos conservadores. Os liberais da revista The Economist ultrapassam fronteiras: escolhem seus preferidos não só no Reino Unido, dão pitacos nas disputas em países considerados fundamentais para o triunfo dos valores capitalistas defendidos pela redação.







