domingo, 23 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tentativa de polir credenciais fiscais de Lula é frustrante

Por O Globo

Na Faria Lima, Durigan insiste que, se reeleito, governo promoverá ajuste. Mas não convence

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi destacado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como interlocutor econômico da campanha pela reeleição. Durigan não tem perdido tempo em circular pela Faria Lima para convencer o mercado financeiro das novas credenciais de Lula no campo fiscal, caso seja reeleito. Tem tentado acalmar bancos e gestoras de fundos e se mostrado aberto às críticas. A julgar, porém, pela ansiedade na flutuação de indicadores como dólar, ações e, principalmente, títulos do governo, o fracasso da iniciativa é patente.

Bolsonarinho, Lulinha e o efeito do prestígio de Lula na eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Cenário eleitoral está quase parado desde março; campanha quente mal começou

Caso de filho de Lula comove mais elites do poder que caso de filho de Bolsonaro

Datafolha frustrou quem esperava aperto da diferença de votação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na sexta passada, centrais de boatos e "análises" de gentes dos mercados animavam-se com essa hipótese, baseada em rumores de pesquisas de partidos ("trackings"), de confiabilidade inverificável.

Em eleição apertada, escândalos ou manipulações podem mudar o jogo. A julgar pelas pesquisas, uns 3% do eleitorado tem se movido por causa disso, até agora. Mas há números maiores sendo esquecidos.

Desde maio a votação de Lula e Flávio no segundo turno quase não se moveu; desde março, o movimento foi mínimo. No segundo turno, um antilula continua a ter uns 40% dos votos. Em votos válidos de segundo turno, Lula tem 52%, Flávio 48%.

Os filhos picaretas dos presidentes, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Tanto o primogênito do Bolsonaro quanto o do Lula têm contra si acusações sérias

Os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos diferentes, e um deles não é candidato a presidente

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Credencial de lobista era o nome de Lulinha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Defesa alega que Fábio Luís é perseguido por carregar o sobrenome do presidente da República

Mas é a condição de filho de Lula que dá a ele trânsito livre e acesso a negócios governamentais

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso preventivamente sob suspeita de comandar fraudes de bilhões em aposentadorias e pensões na Previdência Social. É também investigado por presumido tráfico de influência na busca de contratos comerciais para venda de produtos e serviços na máquina estatal.

Interesses, ao que diz a Polícia Federal, ampliados para além do setor que lhe conferiu o apelido de Careca do INSS. Para auxiliá-lo, contratou consultoria de Roberta Luchsinger, amiga e autodeclarada sócia de Fábio Luís da Silva, filho do presidente da República, em nome de quem se apresentava.

Um pacto nacional contra o crime, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Emergência brutal do crime organizado assume proporções de mudança social disruptiva

Falta ao pensamento progressista atual capacidade de perceber tamanho da ameaça ao equilíbrio social

Transparece no noticiário um crescimento da violência urbana em estados governados pelo PT. Mas inferências generalizantes por números de ocorrências ainda fornecem uma imagem desfocada da criminalidade vivida em todo o país. É sem dúvida insuportável a proliferação dos assaltos armados, balas perdidas, até drones explosivos nas metrópoles brasileiras. Entretanto, apenas estatísticas de mortes violentas não caracterizam insegurança maior numa região. Organizado, o crime altera o paradigma de abordagem do fenômeno.

O que não tem resposta, nem nunca terá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A IA em breve nos permitirá fazer as perguntas mais indiscretas às nossas heroínas da literatura

'Diadorim, você fazia xixi em pé com os jagunços?' ou 'Capitu, o que você viu no Escobar?'

A IA (ou dona Iaiá, como a batizou o poeta e acadêmico Antonio Carlos Secchin) nos oferece uma nova oportunidade de nos metermos onde não fomos chamados. Segundo li, em breve poderemos "conversar" por meio dela com personagens da literatura e ouvir deles respostas a questões que seus autores deixaram em suspenso ao criá-los. Eis algumas possibilidades.

Os EUA e as eleições brasileiras, por Roberto Amaral*

“Os EUA anunciam que são potência imperial com domínio incontestável sobre a região, cobiçada pela China. Com isso, tratam a América Latina não como parceira, mas como vassala.” (O Estado de SP, 17/08/2026)
 
O jornalão da oligarquia paulista, diário oficial do segmento mais atrasado da classe dominante brasileira, levou nada menos de 151 anos para descobrir que o imperialismo é uma realidade objetiva e ousou nomeá-lo como presente na América Latina. O escorregão ideológico ajuda a explicar — se ainda é necessário —, a natureza desse império que vem, de longa data, marcadamente a partir da proclamação da Doutrina Monroe (1823), que reduzia nosso Continente a mera extensão de sua soberania. Na sequência sobreveio (1904) o Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe  (“fale suavemente e carregue um grande porrete” ) e agora nos chega o Corolário Trump, uma atualização imperial do big stick :“Os Estados Unidos reafirmarão e imporão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental".