domingo, 23 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tentativa de polir credenciais fiscais de Lula é frustrante

Por O Globo

Na Faria Lima, Durigan insiste que, se reeleito, governo promoverá ajuste. Mas não convence

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi destacado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como interlocutor econômico da campanha pela reeleição. Durigan não tem perdido tempo em circular pela Faria Lima para convencer o mercado financeiro das novas credenciais de Lula no campo fiscal, caso seja reeleito. Tem tentado acalmar bancos e gestoras de fundos e se mostrado aberto às críticas. A julgar, porém, pela ansiedade na flutuação de indicadores como dólar, ações e, principalmente, títulos do governo, o fracasso da iniciativa é patente.

Considerações sobre o ‘interregno’, por Luiz Sérgio Henriques*

O Estado de S. Paulo

A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva

Como tudo na vida, palavras envelhecem, e talvez seja essa a sensação que nos assalta ao depararmos com o uso reiterado de “interregno” para indicar o atual estado das coisas. Na conhecida formulação de Gramsci, a velha ordem está morta e não mais regula corações e mentes, enquanto a nova ainda não consegue se afirmar. No intervalo entre ambas, o mundo se enche de sintomas mórbidos. Provocadora, a imagem parece explicar o caos ao redor, mas há quem nela observe a persistência de uma certeza anacrônica sobre a nova ordem que viria a se impor por meio da revolução.

Admitida a observação, pode-se ainda teimar em que a metáfora ao menos chama a atenção para os riscos próprios de épocas de transição como a nossa. Não por acaso, circulam por aí ideias-zumbis e figuras extravagantes, que recusam comportamentos baseados em regras, ainda que imperfeitas, e proclamam a lei do mais forte. Os sintomas precisam ser pesquisados, assim como buscados os remédios, todos eles políticos, naturalmente. Essa procura incessante, sem prescindir de analogias, não pode se limitar a elas – os adversários da sociedade aberta não são os mesmos de 1930 nem liquidá-los como “fascistas” nos deixa necessariamente em posição mais segura.

Mesmo ausentes, Lula e Flávio são os protagonistas do debate na tevê, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente o principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan

O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, marcado para hoje, às 20h, na Band, terá dois protagonistas invisíveis: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), representante do PL. Os líderes das pesquisas decidiram não comparecer, deixando o palco para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A ausência expressa o cálculo político de ambos: evitar desgastes, reduzir o risco de surpresas e manter a disputa confinada à polarização que interessa aos dois.

A barbárie que une García Lorca, Victor Jara e Honestino, por Dorrit Harazim

O Globo

É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente

Três gerações depois do sombrio 18 de agosto de 1936, ainda é proibido esquecer. Passaram 90 anos desde o fuzilamento do poeta Federico García Lorca por falangistas de Granada. Seu corpo nunca foi encontrado. Segunda-feira passada, dia 17, a homenagem mais vibrante e desempoeirada ocorreu nas ruas de Madri, quando uma ruidosa centena de jovens artistas emergiu do Palácio de Velázquez carregando (com autorização do Ministério da Igualdade) uma pequena estátua de Lorca sorridente. Num misto de “procissão laica” com flashmob a que foram se juntando cidadãos comuns, o cortejo seguiu até a Plaza de Santa Ana, no Barrio de las Letras. Ali, cantaram, declamaram e dançaram aos pés da estátua oficial, em bronze e tamanho natural, do cultuado dramaturgo de “La Casa de Bernarda Alba”.

Contradições do STF, por Merval Pereira

O Globo

A essa altura, não é mais possível levantar qualquer tipo de dúvida de que Lulinha estava fazendo negócios em nome de sua posição familiar.

A mais recente pesquisa de opinião do DataFolha, divulgada neste fim de semana, indica que a disputa presidencial está virtualmente empatada, com um detalhe realçado pela própria empresa: ela não pegou a reação dos eleitores sobre as suspeitas que atingem o filho do presidente Lula. A essa altura, não é mais possível levantar qualquer tipo de dúvida de que Lulinha estava fazendo negócios em nome de sua posição familiar, e que a lobista Robert Luchsinger era sua representante – ela mesmo disse “eu sou o Lulinha” em uma conversa que a PF obteve. Também surgiram nos últimos dias diálogos sobre pagamentos para Lulinha. Portanto, não há mais dúvida de que havia negócios através do chefe de gabinete do presidente, o Marcola, que até teve que sair do governo, e de pessoas instaladas no Ministério da Saúde.

André Mendonça será o novo Sergio Moro? Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Relator dos casos Master e Lulinha, ministro do STF promete imparcialidade, mas vazamentos já influem na eleição

Em abril de 2020, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça atirando. Acusou o então presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para blindar o filho Flávio, investigado no escândalo da rachadinha. Para o lugar de Moro, o capitão escalou um auxiliar mais discreto, que chefiava a Advocacia-Geral da União. Era André Mendonça, que se notabilizaria por usar o cargo para abrir inquéritos contra críticos e opositores do chefe.

Em seis anos, Moro reatou com o bolsonarismo, virou senador e agora disputa o governo do Paraná pelo PL. Seu substituto na Justiça foi alçado a ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje é relator de dois casos com potencial para influir no resultado da eleição.

O fator Lulinha na reta final, por Elio Gaspari

O Globo

Lulinha vive na Espanha, depois de mais de um ano de trabalho na sua blindagem, a defesa do primogênito do presidente admitiu que ele venha ao Brasil para prestar os devidos esclarecimentos

Em janeiro de 2024, a J&F dos irmãos Batista contratou um parecer de Ricardo Lewandowski, magistrado aposentado do STF e futuro ministro da Justiça, para seu litígio em torno da Eldorado Celulose. Em fevereiro, o banqueiro Daniel Vorcaro contratou a banca de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes com remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por três anos. Já o ministro Dias Toffoli suspendeu no dia 2 os pagamentos das multas devidas pela empreiteira Odebrecht, decorrentes do acordo de leniência firmado com o juízo da Lava-Jato. Dias depois, o ministro mandou investigar a ONG Transparência Brasil. Tudo normal e legal.

Nesse cenário, a advogada Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, conceberam um negócio de fornecer ao governo federal, sem licitação, 1,2 milhão de frascos de 36 tipos diferentes de remédios com base em canabidiol. Seria um negócio de 626 milhões.

Era motivo de euforia para Luchsinger: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”.

Urgência ignorada, por Míriam Leitão

O Globo

O El Niño pode atingir o Brasil em plena campanha eleitoral, mas candidatos tratam a questão ambiental de forma superficial

A campanha eleitoral ignora o problema mais urgente da humanidade: a mudança do clima. A emergência climática atinge o mundo, ondas de calor rondam a Europa, o rio Danúbio seca, o Brasil é vulnerável em inúmeros pontos. E deve ser atingido nos próximos meses por eventos extremos do super El Niño. No entanto, tudo se passa como se esse fosse um tema lateral. O candidato Flávio Bolsonaro repete a mesma ideia fixa do pai e ameaça as entidades ambientalistas, alimentando a ideia da conspiração. O presidente Lula apresentou o plano mais robusto dos candidatos, mas fala vagamente sobre o mapa do caminho para a eliminação do combustível fóssil que defendeu na COP30. Também pudera.

Jogo de alto risco, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Governo federal faz jogo perigoso ao apostar em crescimento econômico sem sustentabilidade

Não há mágica nem milagre, mas o governo brasileiro continua apostando em crescimento econômico sem investimento produtivo, isto é, sem suficiente aplicação de capital em máquinas, equipamentos e infraestrutura. Não tem faltado investimento financeiro, mas dinheiro aplicado em papéis, especialmente em títulos de um governo gastador, é muito menos importante – e muitas vezes inútil – para dinamizar a economia.

Nos primeiros três meses deste ano, os setores público e privado aplicaram em meios físicos de produção apenas 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo números oficiais. Em nove dos últimos dez anos, o valor investido nesse trimestre ficou abaixo de 18%. A taxa mais alta, 18,4%, foi anotada em 2021. A mais baixa, 14,5%, em 2017, no final de uma crise econômica.

Com Lulinha, chance de Flávio é ‘zero’? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

PSD e Caiado têm moeda de troca no segundo turno, mas tudo depende dos escândalos

Numa eleição apertada, a ser disputada até o último minuto, qualquer pontinho faz diferença e é aí que entram Gilberto Kassab e o PSD, que têm Ronaldo Caiado, o terceiro mais votado no 1.º turno, com 5% dos votos, que são uma boa moeda de troca para o segundo. Mas tudo depende dos escândalos.

Kassab, vice de Caiado, já declarou que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” e que a “neutralidade” de PP, Republicanos e União Brasil favorece Lula. Como o PSD é, na prática, do Centrão, não seria estranho reforçar o apoio a Lula no 2.º turno.

Pelo Datafolha, Caiado tem 40% e Flávio, 43%, ante 47% de Lula no 2.º turno. Logo, Caiado já carrega os votos da direita e o que pesa para as negociações do PSD são os 5% do 1.º turno, que podem ir para Lula, Flávio ou nada.

A estratégia acertada de Lula com Trump, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O telefonema entre Lula e Donald Trump na sexta-feira confirma o que minhas fontes no governo americano sempre me dizem: não existe animosidade pessoal do presidente americano para com o brasileiro. E abre oportunidade no momento em que Trump precisa de boas notícias na política externa.

Um presidente americano não dedica 1h20 de seu tempo, perto de eleições cruciais para o Congresso, se não tiver interesse em cultivar o relacionamento com um governante estrangeiro. A iniciativa da conversa foi de Lula, e parece ter sido em ambiente de cordialidade.

Bolsonarinho, Lulinha e o efeito do prestígio de Lula na eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Cenário eleitoral está quase parado desde março; campanha quente mal começou

Caso de filho de Lula comove mais elites do poder que caso de filho de Bolsonaro

O Datafolha frustrou quem esperava aperto da diferença de votação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na sexta passada, centrais de boatos e "análises" de gentes dos mercados animavam-se com essa hipótese, baseada em rumores de pesquisas de partidos ("trackings"), de confiabilidade inverificável.

Em eleição apertada, escândalos ou manipulações podem mudar o jogo. A julgar pelas pesquisas, uns 3% do eleitorado tem se movido por causa disso, até agora. Mas há números maiores sendo esquecidos.

Desde maio a votação de Lula e Flávio no segundo turno quase não se moveu; desde março, o movimento foi mínimo. No segundo turno, um antilula continua a ter uns 40% dos votos. Em votos válidos de segundo turno, Lula tem 52%, Flávio 48%.

Os filhos picaretas dos presidentes, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Tanto o primogênito do Bolsonaro quanto o do Lula têm contra si acusações sérias

Os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos diferentes, e um deles não é candidato a presidente

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Credencial de lobista era o nome de Lulinha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Defesa alega que Fábio Luís é perseguido por carregar o sobrenome do presidente da República

Mas é a condição de filho de Lula que dá a ele trânsito livre e acesso a negócios governamentais

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso preventivamente sob suspeita de comandar fraudes de bilhões em aposentadorias e pensões na Previdência Social. É também investigado por presumido tráfico de influência na busca de contratos comerciais para venda de produtos e serviços na máquina estatal.

Interesses, ao que diz a Polícia Federal, ampliados para além do setor que lhe conferiu o apelido de Careca do INSS. Para auxiliá-lo, contratou consultoria de Roberta Luchsinger, amiga e autodeclarada sócia de Fábio Luís da Silva, filho do presidente da República, em nome de quem se apresentava.

Advogado de Lulinha

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Um pacto nacional contra o crime, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Emergência brutal do crime organizado assume proporções de mudança social disruptiva

Falta ao pensamento progressista atual capacidade de perceber tamanho da ameaça ao equilíbrio social

Transparece no noticiário um crescimento da violência urbana em estados governados pelo PT. Mas inferências generalizantes por números de ocorrências ainda fornecem uma imagem desfocada da criminalidade vivida em todo o país. É sem dúvida insuportável a proliferação dos assaltos armados, balas perdidas, até drones explosivos nas metrópoles brasileiras. Entretanto, apenas estatísticas de mortes violentas não caracterizam insegurança maior numa região. Organizado, o crime altera o paradigma de abordagem do fenômeno.

O que não tem resposta, nem nunca terá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A IA em breve nos permitirá fazer as perguntas mais indiscretas às nossas heroínas da literatura

'Diadorim, você fazia xixi em pé com os jagunços?' ou 'Capitu, o que você viu no Escobar?'

A IA (ou dona Iaiá, como a batizou o poeta e acadêmico Antonio Carlos Secchin) nos oferece uma nova oportunidade de nos metermos onde não fomos chamados. Segundo li, em breve poderemos "conversar" por meio dela com personagens da literatura e ouvir deles respostas a questões que seus autores deixaram em suspenso ao criá-los. Eis algumas possibilidades.

Os EUA e as eleições brasileiras, por Roberto Amaral*

“Os EUA anunciam que são potência imperial com domínio incontestável sobre a região, cobiçada pela China. Com isso, tratam a América Latina não como parceira, mas como vassala.” (O Estado de SP, 17/08/2026)
 
O jornalão da oligarquia paulista, diário oficial do segmento mais atrasado da classe dominante brasileira, levou nada menos de 151 anos para descobrir que o imperialismo é uma realidade objetiva e ousou nomeá-lo como presente na América Latina. O escorregão ideológico ajuda a explicar — se ainda é necessário —, a natureza desse império que vem, de longa data, marcadamente a partir da proclamação da Doutrina Monroe (1823), que reduzia nosso Continente a mera extensão de sua soberania. Na sequência sobreveio (1904) o Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe  (“fale suavemente e carregue um grande porrete” ) e agora nos chega o Corolário Trump, uma atualização imperial do big stick :“Os Estados Unidos reafirmarão e imporão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental".

Lula no Rio de Janeiro: o Brasil Pronto Pra Mais

 

Poesia | Para viver um grande amor, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Mariana Aydar e Jazz Sinfônica - Espumas ao Vento (Encontros Históricos)