sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pauta eleitoreira dispersará esforço dos parlamentares

Por O Globo

Em vez de 6x1 e ‘blusinhas’, Congresso deve se concentrar em data centers, minerais críticos e PEC da Segurança

Depois de almoçarem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), eram só sorrisos. Motta já havia declarado voto em Lula. O encontro serviu para selar também a paz entre Lula e Alcolumbre, depois de meses de estranhamento, cujo ápice foi a rejeição no Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo. O acerto entre os três tem indisfarçável motivação eleitoral. Com a campanha em curso, o Congresso promoverá na semana que vem o tradicional “esforço concentrado”. Propostas que não forem examinadas até lá ficarão para depois de outubro. A conversa serviu para definir o que deverá ir a votação.

Terapia de guichê, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos

Nossa sociedade gosta de filas e de esperas, provavelmente mais do que muitas outras. Um jeito de puxar conversa com o vizinho de fila e ocupar o tempo da espera para ser atendido com queixas e reclamações justamente contra filas e esperas. O típico assunto para matar tempo e falar sobre tema de falta de assunto.

Quase sempre, para pôr a culpa no funcionário do banco, da repartição pública ou do hospital pela lentidão no atendimento.

O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos. Quase sempre, nessas pequenas questões populares, o somos pelo avesso do que usualmente são os nativos de países desenvolvidos. A começar pelo fato de que sentimos compulsão de preencher o tempo vazio que é o de uma prática entre momentos de obrigação do trabalho.

Percalços de Lula e Flávio pelos votos do Nordeste, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho

Num momento decisivo para as campanhas, diante do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho. Enquanto o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, fez a primeira incursão ao Nordeste, feudo lulista, em agenda em Alagoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigado a mudar o roteiro do fim de semana. Ele faria uma ofensiva na região Sul, reduto do adversário.

Preocupado com o crescimento de Flávio no Rio Grande do Sul, Lula teve de cancelar o compromisso em Porto Alegre nesta sexta-feira (28) por causa das fortes chuvas, com previsão de inundações e vendavais. A agenda foi substituída por uma caminhada com aliados e militantes em Salvador, na Bahia.

Sexto maior colégio eleitoral, com 5,3 milhões de eleitores, o Rio Grande do Sul é a aposta do PT para ampliar a votação na região, que se tornou um reduto bolsonarista, impulsionado pelo agronegócio. Levantamento recente da Quaest mostrou Flávio com 34% das intenções de voto no Estado, e o petista com 28%.

Lula dobra aposta na economia do afeto e na aliança com Alcolumbre e Motta, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

É essa a lógica que conecta iniciativas aparentemente distintas, como o fim da escala 6 x 1 e a renegociação de dívidas com cartões de crédito, que voltam à pauta do Congresso

A “economia do afeto”, conceito formulado pelo historiador Alberto Aggio para explicar uma das características centrais da cultura política do lulismo, talvez seja a melhor chave para compreender os movimentos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca da reeleição. Trata-se de uma relação de reciprocidade entre ele e os setores populares, construída pelo reconhecimento simbólico, pela identificação pessoal e por políticas que produzam benefícios concretos no cotidiano.

É essa lógica que conecta iniciativas aparentemente distintas, como o fim da escala 6 x 1; a redução da chamada “taxa das blusinhas”; a renegociação de dívidas com cartões de crédito e outras medidas voltadas para renda, consumo e qualidade de vida. Lula procura reconstruir a percepção de que seu governo melhora a vida dos “de baixo”. Ao mesmo tempo, isso depende da aliança pragmática com o Centrão, materializada na aproximação com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Lula 3 não entendeu que Lula 4 depende de muito mais do que emprego e renda melhores, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mês e pouco antes da eleição, dados do IBGE ainda mostram melhora surpreendente

Mau humor indica que povo pensa de outra maneira o que seja bem-estar material

Mês e pouco antes da eleição somos informados outra vez pelos dados do IBGE de que a situação do trabalho é a melhor em quase meio século. Mas, como se sabe, a avaliação de Lula 3 está no vermelho desde o início de 2025. Parte dessa incongruência parece ter explicações razoáveis. Mas o mistério ainda é grande.

Primeiro. Desde a ascensão da extrema direita, parte importante das opiniões sobre "economia" é determinada pelo que se pensa da política, não o contrário. Acontece nos EUA também. Até os tradicionais índices de confiança de consumidor estão entortados por isso que se chama de "polarização".

Flávio Bolsonaro quer entregar Brasil a Cristo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Candidato ameaça editar decreto que violaria princípio constitucional da laicidade do Estado

Com uma única declaração, ele revela várias facetas de sua inadequação para a Presidência

Num desafio à lógica, às instituições e à própria higidez das religiões, Flávio Bolsonaro ameaçou: "Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo".

O primeiro problema com o período flaviano é que ele carrega um imenso "non sequitur". Se você convida alguém para um debate, o pressuposto é o de que pretende persuadi-lo pela força dos seus argumentos, o que entra em contradição com o recurso à canetada, que impõe o dogma sem se importar em obter o consentimento dos que estariam sujeitos à medida.

Três Poderes se unem num pacto de conveniências mútuas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Conciliações são bem-vindas e necessárias, desde que construídas para atender ao interesse público

Não foi o que se viu no acordo firmado entre autoridades motivadas pela defesa de causas próprias

Nada como a conjugação de interesses para promover tréguas de ocasião. É o que se viu no acerto entre os presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado para levar adiante, no Legislativo, pautas populistas às vésperas das eleições.

Junte-se a eles o quarto elemento na figura do sujeito mais ou menos oculto do Supremo Tribunal Federal, cujo vice-presidente achou pelo bem da República fazer as vezes de mediador político do armistício de conveniência.

Dark Horse', estrangeiro onde? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O verdadeiro produtor de um filme é aquele que o financiou e cujo nome nem sempre aparece

Se o filme sobre Bolsonaro for nacional, ele nos deve, sim, satisfações sobre seus custos

Flávio Bolsonaro está se jactando de que as especulações sobre "Dark Horse" , filme sobre seu pai, são "página virada". A Ancine (Agência Nacional do Cinema) deu ao filme o registro de "obra estrangeira", o que o põe a salvo de investigações sobre a origem, a trajetória e o destino do dinheiro usado na produção. Com isso, por ser uma produção "americana", ninguém tem nada a ver com o fato de que esse dinheiro, gerado no Brasil, foi dar um passeio pelos EUA e voltou para pagar as contas aqui. Mas será ele, tecnicamente, uma "obra estrangeira"?

Novos ‘fronts’ de luta, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Será delicado extrair terras raras em MG, assim como será delicado explorar petróleo na Amazônia. Novos ‘fronts’ numa luta já tão vasta

Oceano e terras raras, o progresso nos empurra para novas dimensões do debate ambiental no Brasil. Do fundo do mar, nas camadas do pré-sal, o País explora a riqueza do petróleo; do fundo do mar, quando o pré-sal se esgotar, o País vai tirá-lo na Margem Equatorial, próxima à foz do Rio Amazonas.

A nova frente de exploração do petróleo é delicada. O Brasil hospedou a COP-30 em Belém com o objetivo de mostrar a importância e a vulnerabilidade da Amazônia. O País se comporta como um líder na transição energética e um interlocutor indispensável nos esforços para combater e mitigar as mudanças climáticas. É uma contradição, portanto, explorar novas fontes de petróleo na Amazônia. Ocorre que a correlação de forças internas aponta irresistivelmente para a realização desse projeto. A única saída é considerar a contradição como não antagônica e levá-la adiante sem que um dos polos seja eliminado. A equação será explorar o petróleo com rigorosos cuidados ambientais. Se depender de políticos do tipo Alcolumbre, os cuidados vão para o espaço. Se depender da opinião internacional, o ideal seria deixar a Amazônia em paz.

Lula põe PF e STF na campanha, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Propaganda eleitoral começa com pedras e paus, ao som da corrupção

O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começa hoje e esquenta amanhã, com a entrada em cena dos candidatos a presidente. Lula e Flávio Bolsonaro estarão à vontade para falar maravilhas de si e atacar o outro, sem constrangimento nem questionamentos.

Os programas de estreia devem ser alegres e coloridos, uma apresentação edulcorada de cada candidato. Mas não se iludam, isso é só o início, porque candidatos, líderes de campanha e marqueteiros já estão de pedras e paus nas mãos contra os adversários. Motivos não faltam.

Candidatos escondem ‘maldades’ econômicas, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Com algumas exceções, os planos econômicos que vêm sendo apresentados pelos principais candidatos à Presidência são exagerados, vagos, com muitas promessas, contas que não fecham e pouca viabilidade política.

Mas não chega a assustar que os presidenciáveis escondam as “maldades” econômicas que vão precisar fazer em 2027. Ninguém se elege dizendo que vai retirar aumento real de aposentado. É assim em toda eleição. E é bom o eleitor estar ciente.

O diagnóstico do ajuste fiscal brasileiro é conhecido. Os economistas responsáveis são unânimes em afirmar que seria importante cortar subsídios, cobrar mais impostos dos mais ricos (retomar a discussão dos lucros e dividendos), mexer na regra de reajuste do salário mínimo, que impacta a Previdência, ajustar os limites constitucionais de saúde e educação.

Renan: antissistema, ‘pero no mucho’, por Vera Magalhães

O Globo

Com retórica que se adequa ao palco, candidato do Missão se diferencia de outros políticos do gênero ao investir em eleger bancada de seu novo partido

Renan Santos não tem chance de ser presidente da República. Mas seria um erro tomar sua candidatura apenas como excentricidade de uma eleição novamente polarizada, desta vez entre Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão apareceu de verdade ao país nesta semana, na entrevista à TV Globo, e se mostrou com figurino mais sóbrio do que o usado no debate da Band. O tom mudou, mas o programa não.

Na Globo e na sabatina da CBN, do GLOBO e do Valor, Renan trocou parte da agressividade performática por explicações mais longas e um tom de quem pretende demonstrar preparo. Continuou, no entanto, a defender que a polícia “atire para matar”, a elogiar o regime de exceção de Nayib Bukele em El Salvador, a propor a sério ( !?) uma bomba atômica brasileira e a dizer que descumpriria decisões do Supremo que considerasse ilegais.

Bomba atômica, banho de sangue e regime de exceção: as ideias de Renan Santos, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Candidato, que já exaltava Bukele, surpreendeu ao revelar admiração por Kim Jong-un

Na semana das entrevistas à TV Globo, Renan Santos se destacou entre os candidatos que disputam o terceiro lugar na corrida ao Planalto. O candidato do Missão pôs no bolso os rivais Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A constatação diz mais sobre o mau desempenho dos ex-governadores do que sobre o pensamento vivo do líder do MBL.

Zema insistiu no papel de linha auxiliar do bolsonarismo. Defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e presídios inspirados na ditadura de El Salvador. Tentou se vender como self-made man, mas omitiu o fato de ser herdeiro de um conglomerado familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas Gerais, prometeu “uma série de programas contra as mulheres”. O ato falho foi o momento mais memorável da entrevista.

O mundo de ponta-cabeça, por Pablo Ortellado

O Globo

Professores e estudantes passam a endossar e a celebrar a justiça popular

Na última terça-feira, um estudante foi espancado por colegas na UFRJ. Os agressores lincharam um rapaz que usava camiseta com simbologia associada ao nazismo. O vídeo da agressão, reproduzido pela imprensa, mostra o estudante caído no chão, chutado por dez colegas. O rapaz consegue então se levantar e escapar do prédio, mas é alcançado pela turba e agredido novamente na calçada. Por que esse linchamento violento e covarde num campus universitário não é amplamente condenado? Por que, ao contrário, é endossado e aplaudido?