sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Moraes exige discussão aberta transmitida ao vivo

Por O Globo

País está estarrecido com revelações sobre ministro. É inaceitável decisão a portas fechadas ou sessão secreta

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para a próxima terça-feira traz à Corte a oportunidade de recobrar um mínimo de normalidade institucional. O país está estarrecido com as revelações sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e artífice da maior fraude financeira da História brasileira — e exige que a questão seja passada a limpo diante do público. Não há espaço para conchavos de bastidor, acordos a portas fechadas ou sessões secretas.

Crise do Supremo virou foco da disputa eleitoral e desgasta o governo Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A mudança de cenário teve impacto estratégia de reeleição de Lula, abalada pelas novas contingências. A campanha governista ainda está sem rumo

A crise do Supremo Tribunal Federal, que está longe de acabar, tornou-se o centro do debate eleitoral. A divisão entre os ministros é apontada pelos candidatos como prova da partidarização da Corte. Ontem, decisões de Flávio Dino deslocaram o foco do governo, que vinha sendo pressionado pelas revelações sobre Alexandre de Moraes e o Banco Master, para o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, atingido politicamente pelas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ócio próprio e o trabalho alheio: 6/1, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O Brasil está profunda e descabidamente atrasado em relação à modernização da concepção de jornada de trabalho e do que é o próprio trabalho

A descabida celeuma sobre as implicações da inteligência artificial expressa nosso atraso social em vários campos da realidade. Especialmente o atraso da vida em relação ao avanço rápido e multiplicativo do conhecimento, embora não seja esse o único nem o mais grave dos nossos descompassos.

O Brasil tem universidades de ponta, como a USP, que está entre as 100 melhores do mundo e é a melhor da América Latina. Uma universidade inventada na cadeia pelo jornalista Júlio de Mesquita Filho, um dos derrotados na Revolução Constitucionalista de 1932, como universidade pública, laica e gratuita. Ele inventou o regime de cotas: para todos os vocacionados.

Ao mesmo tempo, o Brasil está profunda e descabidamente atrasado em relação à modernização da concepção de jornada de trabalho e do que é o próprio trabalho.

Flávio não pode errar, e Lula não deve insistir no erro, por Andrea Jubé

Valor Econômico

A epígrafe de “Ensaio sobre a Cegueira”, do vencedor do Nobel, José Saramago, recomenda que mais do que olhar, é importante enxergar. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, diz o texto, extraído do “Livro dos Conselhos”, atribuído ao Rei D. Duarte de Portugal, no século 15.

Na semana em que as principais pesquisas revelaram o crescimento do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que perdeu o favoritismo, o sentimento entre petistas era de aflição, e até de impotência, em meio às queixas de que o núcleo da campanha se fechou em uma torre de marfim. Para lulistas, a lição de Saramago deveria chegar aos coordenadores, que se recusam a enxergar erros ou a necessidade de ajustes na campanha.

As pressões que se acumulam no gabinete de Fachin, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ritmo de condução do processo deveu-se ao temor, predominante no gabinete do presidente do STF, de interferência na campanha eleitoral

A pressão para que a sessão que vai deliberar sobre o futuro do ministro Alexandre de Moraes seja fechada, que parte de gabinetes da Corte e de governistas, é apenas mais uma das muitas que chegaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nos dias que antecederam a decisão de quarta-feira (9). Fachin tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e marcou, para a próxima terça-feira, a sessão que vai deliberar sobre o futuro do ministro.

‘Indignação’ de Flávio dura pouco, por Vera Magalhães

O Globo

Candidato do PL vinha inacreditavelmente surfando na onda da cobrança a Moraes, sem, no entanto, explicar para onde foram os milhões que ele pessoalmente cobrou e recebeu de Vorcaro

Flávio Bolsonaro viu na crise que engolfou o Supremo Tribunal Federal (STF) a chance de encenar um teatrinho de indignação cívica e cobrar o afastamento do algoz de seu pai, Alexandre de Moraes, se dando à ousadia de, na mesma frase, dizer que o caso Dark Horse era coisa do passado e que já estava explicado. Não era passado, não estava nada explicado e, agora, esse cavalo desembestado voltou para assombrá-lo.

À medida que a guerra declarada entre Moraes e André Mendonça avançava, ficava patente o desequilíbrio de providências do relator do caso Master, que foi deixando para depois o capítulo relativo ao financiamento milionário, majoritariamente por meio de depósitos no exterior, da cinebiografia daquele que o nomeou para o STF.

Operação da PF desmonta discurso de Flávio Bolsonaro sobre 'Dark Horse', por Bernardo Mello Franco

O Globo

Esquema com emendas parlamentares indica uso de dinheiro público em filme; caso ajuda a explicar aversão de Mario Frias à Lei Rouanet

A frase foi cunhada pelo dramaturgo nazista Hanns Johst: “Quando ouço falar em cultura, saco meu revólver”. Ontem a Polícia Federal fez buscas na casa do dublê de ator e deputado Mario Frias. Apreendeu sete armas, incluindo uma carabina eslovaca e uma espingarda de cano duplo, estilo Velho Oeste.

Como secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, Frias voltou a mira contra os artistas. Disparou insultos contra Chico Buarque, Caetano Veloso, Anitta, Taís Araújo, Ivete Sangalo e outros nomes que ousaram criticar o capitão.

Os dois linchamentos de Diego Araújo, por Pablo Ortellado

O Globo

Instituições da universidade não tiveram coragem de enfrentar os movimentos sociais e condenar com a devida força tal agressão em suas dependências

Em 1630, a cidade de Milão foi atingida por uma devastadora epidemia de peste bubônica. Numa manhã de junho, duas mulheres viram pela janela um homem passar a mão num muro. Era Guglielmo Piazza, comissário de saúde, que limpava os dedos sujos de tinta. Piazza foi denunciado e preso como untore, um espalhador de peste.

Torturado, prometeram-lhe impunidade se entregasse cúmplices. Ele terminou denunciando o barbeiro Gian Giacomo Mora, que produzia uma pomada para proteger do contágio— e passou a ser acusado de tê-la fabricado para espalhar a peste. Mora foi preso, torturado e também confessou. Os dois foram levados por uma carroça pelas ruas e submetidos a suplícios violentos. A casa do barbeiro foi arrasada. Sobre o terreno ergueu-se uma coluna com a inscrição do crime, a “coluna infame”.

A crise que plantamos, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Se não caminharmos para reformas na política e na Justiça, o desgaste aumentará e o fantasma que ronda o mundo pode reaparecer com força no Brasil

O chanceler da Alemanha disse que ficou chocado com a vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt. No entanto, essa vitória já era prevista pela quase totalidade dos observadores. Aqui, no Brasil, as pessoas parecem chocadas com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como se ela fosse um raio em céu azul. No entanto, os contornos dessa crise já se desenhavam há algum tempo. Ela pode ser inédita, mas não inesperada.

O pangaré ‘Dark Horse’ está atrasado, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Tarde demais, nem Flávio nem Lula vão tirar vantagem do filme milionário bancado por Vorcaro

Feito para ser lançado com honras e estridência durante a campanha eleitoral no Brasil, o filme Dark Horse deixou de ser garanhão e virou um pangaré, que chegará atrasado para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro, mas não a tempo, também, de impactar positivamente a campanha de Lula.

A previsão é de só entrar no circuito nacional depois de conhecido o novo presidente, provavelmente em 2027. Logo, não será instrumento de campanha, para mostrar um Jair Bolsonaro vigoroso, o bolsonarismo vivo e um Flávio pronto para assumir a Presidência.

Fachin vai levantar outro sigilo? Por Raquel Landim

Por O Estado de S. Paulo

Os pareceres da PF e da PGR sobre o inquérito das fake news podem ajudar na tomada de decisão

Depois de retirar o inquérito das fake news das mãos do ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, está de posse de um calhamaço de informações de mais de sete anos de investigação.

Ele já informou que, após uma análise dos fatos, vai remeter os autos à Polícia Federal (PF) para opinar se são necessárias mais diligências e depois à Procuradoria-Geral da República (PGR) para oferecimento de denúncia ou para arquivamento. É o começo do fim do inquérito do fim do mundo.

Mendonça, filhote do golpismo, caiu no messianismo eleitoral, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Magistrado a favor de Flávio é instado por Fachin a aderir à proposta de Lula de suspender sigilo sobre Master

Ministro tentou tirar diretor da PF e foi tratado como ungido de Deus por Michelle Bolsonaro e seu rebanho

"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."

O parágrafo acima foi postado no X pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à reeleição. Não é apenas retórica, há uma proposta, um desafio. O que diriam os simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL)? Apoiariam ou teriam receio de que, tudo às claras, o caso Alexandre de Moraes viesse a perder a dimensão que ganhou com as estarrecedoras revelações sobre sua relação com Vorcaro?

Na eleição, a notícia importante da economia deve vir da finança bandida de Vorcaro e irmãos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PIB vai parando de crescer, mas vazamentos das delações do Master é que podem pesar

Delatores dizer saber quais autoridades e artes recebiam bilhões roubados

A notícia econômica mais importante que pode aparecer até o fim das eleições não vai tratar de empregoinflação, juros"o fiscal" e conversas desse mundo. Viria da economia bandida de finança e empresas. O prazo é curto para vazamentos importantes, mas o terreno tem esterco suficiente para a brotação de mais flores do pântano político-judicial. Que todas as flores floresçam.

Pugilato judicial no STF, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Intervenção do presidente Fachin serve só para interromper escalada na briga entre ministros

Uma estratégia de saída para a crise passa por abandonar proteção corporativista e levantar sigilos

providencial intervenção do presidente do STFEdson Fachin, serviu para conter as cenas de pugilato judicial entre ministros da corte. É um primeiro passo necessário, mas fica ainda muito aquém de uma estratégia de saída para a crise em que as mais altas autoridades da Justiça do país se enredaram. Serão necessárias também medidas de curto e de longo prazo, sobre cuja viabilidade sou pouco otimista.

Supremo evoca rotina de desfaçatez, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Em discurso há 20 anos, Marco Aurélio Mello alertava para os males de atos indignos na vida pública

Ministros aposentados que cobram rigor e transparência pertenceram a outros tempos do tribunal

Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal (STF) pertenceram a outros tempos da corte.

Tempos em que as indicações não eram pautadas pela fidelidade ao presidente da República e magistrados não se conduziam ao sabor de proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas com atores da vida pública e personagens do mundo privado —devedores, como qualquer cidadão, de obediência aos ditames da Justiça.

Do homem da mala para 'Dark Horse', por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Dos R$ 61 milhões para o filme sobre Bolsonaro, 72% foram passear no Texas e ficaram por lá

É o único caso em que só 28% do orçamento couberam à filmagem, parte mais cara da produção

Antonio Carlos Freixo Junior, vulgo Mineiro, amigo de Flávio Bolsonaro, é o maior homem da mala que já existiu. Nos últimos quatro anos, segundo confessou à PGR, despachou R$ 1 bilhão em dinheiro vivo para os amigos de Daniel Vorcaro, a pedido deste. R$ 1 bilhão corresponde a 10 milhões de notas de R$ 100. Numa balança, pesariam 2,5 toneladas. Empilhadas, ocupariam um aposento de 5 metros quadrados do chão ao teto.