quinta-feira, 22 de outubro de 2026

No segundo turno, o Brasil dança à beira do abismo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Pelo mundo afora, extrema direita põe democracias à prova

O declarado propósito é o de destruí-las

As democracias liberais enfrentam um desafio que, não sendo de todo inédito, hoje adquire proporções nunca vistas. Antigos ou relativamente novos, os sistemas democráticos são postos à prova pela ascensão eleitoral de forças de extrema direita, que colocam em xeque as instituições que os definem e sustentam —em especial aquelas que limitam o poder dos líderes eleitos e garantem a liberdade das oposições. No passado, o fascismo e o nazismo foram a tradução totalitária desse projeto antidemocrático. Outro era o mundo, e bem menor o território das democracias.

No Dia da Democracia, defendê-la nas urnas será nossa única opção, por Ivo Herzog*

Folha de S. Paulo

Domingo (25), data que marca os 51 anos do assassinato de Vladimir Herzog, impõe tarefa decisiva para o futuro

Deixar de votar é optar por um dos candidatos, e eles não são iguais

Em 1975, quando eu tinha 9 anos, meu pai, Vladimir Herzog, foi assassinado no Doi-Codi, em São Paulo. Trago imagens do dia anterior, quando fui com minha mãe, Clarice, e meu irmão, André, até a Redação da TV Cultura, onde meu pai dirigia o Departamento de Jornalismo. Para mim, aquele era um dia comum e eu esperava passar os dias seguintes no interior paulista com a minha família. Mas, em 26 de outubro, um dia após o crime, minha mãe nos contou sobre a morte de nosso pai.

Em 31 de outubro, a Catedral da Sé recebeu um culto ecumênico em memória do meu pai. A iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo teve o apoio imediato de Dom Paulo Evaristo Arns. Mais de 8.000 pessoas, em silêncio, foram e voltaram para suas casas. A lembrança mais forte que guardo daquele ato é o acolhimento de Dom Paulo à minha mãe, que chorava muito.

Por que Flávio quer munição sem rastro, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Única razão é beneficiar homicidas e milicianos

Se ele fala sério em tirar armas dos bandidos, deveria propor mais, não menos, controle

Um "detalhezinho." Foi com essa palavra que, na entrevista à TV Globo, Flávio Bolsonaro qualificou o projeto, que ele apoia, de acabar com a rastreabilidade das munições usadas por policiais. A única razão para tornar munições menos rastreáveis é beneficiar homicidas e milicianos que, com armas e balas do Estado, matam impunemente. Flávio chegou a advogar para o PM acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, assassinada com um tiro de fuzil.

Flávio promete a volta de programa que abriu brechas para lavagem de dinheiro pelo PCC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Perse é o pior benefício tributário de todos os tempos

Não é mera coincidência que no mesmo dia o candidato tenha se reunido com mais de 30 sertanejos em Goiânia; eles foram os grandes beneficiários dessa farra tributária

O Perse é o maior programa de lavagem de dinheiro e sonegação do país. Não é a coluna quem afirma. São os investigadores que há pelo menos três anos apuram as irregularidades possibilitadas pelas brechas nas regras do benefício tributário, criado pelo governo Jair Bolsonaro para socorrer o setor de eventos dos prejuízos com a pandemia da Covid-19.

Em 2024, a Folha revelou que fiscais da Receita tinham encontrado no programa indícios de operações de lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país, após o custo do benefício tributário explodir no ano anterior.

O primeiro tiro a gente nunca esquece, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Nenhum país na história melhorou a segurança armando a população

Política de liberação de armas aumenta mortes e moderniza arsenal do crime

Nunca tomei um tiro. Meu irmão, sim, no assento do motorista ao meu lado, o carro na frente de casa. Assalto sem anúncio, irrompido com o estrondo da bala. Entendi quando vi sangue escorrer pelo seu pescoço. Meu primeiro tiro aconteceu na adolescência. Por sorte e privilégio, nunca presenciei um segundo tiro.

Etiqueta do debate, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Os candidatos deveriam se chamar de 'presidente Fulano' e 'senador Beltrano'

Mas um deles insiste em exercer sua nova especialidade: ladrão, desta vez, de cenas

Nunca fui religioso, escapei raspando do serviço militar e usei uniforme escolar por pouquíssimos anos. Mas acredito que certas funções devam obedecer a uma certa liturgia para serem exercidas. Como se submeter a uma cirurgia se os membros da equipe médica estiverem fantasiados de mestre-sala e porta-bandeira? Ou confiar num chef de cozinha vestido de escafandrista? A simples liturgia não basta —às vezes, é necessário obedecer também à etiqueta.

A herança e o abismo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Leilão de promessas num jogo de populismo x populismo vai frustrar os desejos de mudança

As dificuldades de Lula para se reeleger continuam presentes em igual medida, que não é apenas aquela de números apertados exibidos por mais de dezena de pesquisas. É o profundo cansaço, descrédito e insatisfação generalizadas, o principal impulso da oposição.

Não se pode excluir que a farra de promessas irresponsáveis nesta reta final produza um resultado circunstancial, isto é, uma virada sobre o primeiro turno. Teria chances praticamente nulas, porém, de produzir nesse contexto “estrutural” uma mudança de rumo geral do País.

TSE vê interferência de big techs, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ala da Corte acredita que redes sociais interferiram nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

Parte dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acredita que as big techs influenciaram no alcance das campanhas deste ano. Ao menos três dos sete ministros dizem nos bastidores que houve falhas na distribuição do conteúdo político por parte das redes sociais com potencial para influenciar a forma como os eleitores escolhem os representantes do País.

Na última sexta-feira, o TSE decidiu por unanimidade proibir a Meta de restringir a distribuição de conteúdo sobre candidatos. Ou seja, os ministros concordam que a forma como a empresa atuou nos últimos meses justificava o puxão de orelha.

Análise detalhada do Felipe Nunes sobre a pesquisa Quaest divulgada ontem, por Felipe Nunes

1/ Pesquisa Quaest mostra que a eleição continua muito acirrada. Os dois candidatos continuam tecnicamente empatados. Nas nossas estimativas, com 95% de confiabilidade, a intenção de voto em Flávio está entre 43% e 47%. A de Lula, entre 42% e 46%. Indecisos podem chegar a 4%.

2/ O quadro quase não se alterou entre as duas rodadas. A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre ‘virada’, ‘mudança’ ou ‘vantagem’.

3/ O voto útil de direita captado pela Quaest na última semana do primeiro turno já havia esvaziado o reservatório de votos dos outros candidatos e inflado Flávio. Na pesquisa, esse recall é fundamental para entender a matriz de mudança de voto.