segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Benefícios das fintechs superam os malefícios

Por O Globo

Competição aumentou, serviço melhorou e juro caiu, diz estudo do FMI. Mas é preciso regulação forte

Nos últimos tempos, as fintechs têm frequentado o noticiário mais pelos vícios que pelas virtudes. Normas brandas adotadas pelo Banco Central (BC) resultaram em consequências indesejadas. O crime organizado explorou brechas para usar as fintechs em atividades ilegais. Como elas não obedeciam às mesmas regras exigidas de bancos, houve aumento no risco sistêmico e questionamento sobre competição desleal. O próprio escândalo do Banco Master mostrou como o incentivo aos novos empreendedores financeiros pode engendrar problemas de proporções colossais. Mas é preciso saber pôr tudo isso na devida perspectiva. Vários estudos internacionais têm constatado efeitos positivos das fintechs no mercado de crédito brasileiro.

A economia que não se pode adiar. Por Mônica Sodré

Valor Econômico

A inserção internacional do Brasil precisa ser mais proativa e estratégica, com uma visão mais contemporânea sobre comércio internacional

O Brasil de 2026 enfrenta uma encruzilhada silenciosa, mas decisiva. Enquanto o debate público se concentra nos indicadores de curto prazo e em escândalos, cinco transições estruturais - climática, energética, digital, geopolítica e corporativa - redefinem as regras do jogo econômico global. Nossa capacidade de antecipá-las e gerenciá-las determinará não apenas taxas de crescimento, mas nosso lugar no mundo das próximas décadas.

Canetada não é solução para supersalários. Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Liminar do ministro Flávio Dino é corajosa, mas está longe de resolver as imensas distorções salariais no setor público

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou comoção quando, na última quinta-feira (05/02), concedeu liminar determinando que em sessenta dias todos os órgãos públicos revejam suas folhas de pagamentos e suspendam as verbas que não foram expressamente previstas em lei. A medida vale para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e abarca a União, todos os Estados e os municípios.

Quando a fraqueza do BC custa bilhões. Por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Numa crise sistêmica mais séria, o risco de uma quebradeira que leve a uma depressão não é pequeno

Sempre que quebra uma instituição financeira, é um vexame para o Banco Central. Mas o caso do Banco Master tem um ingrediente a mais: será que o banqueiro Daniel Vorcaro, que colecionou tantas influências em Brasília, recebeu um tratamento diferenciado pelo órgão supervisor?

Há duas questões principais que, para muitos, não foram respondidas. Uma delas é por que demorou tanto tempo para se descobrir as supostas fraudes no banco. A outra é entender por que levou tanto tempo para liquidar o banco.

O Banco Central abriu uma investigação interna, conduzida por sua corregedoria, para apurar pontos como esses. O discurso oficial é o de entender melhor os procedimentos para corrigi-los e evitar que outro banco quebre da mesma forma. Mas, no fundo, não deixa de ser uma forma de prestar satisfações à sociedade.

Trânsito e trabalho mais violentos. Por Paulo Cesar Marques da Silva

Correio Braziliense

Enquanto os gestores de trânsito debruçam-se sobre os problemas específicos da segurança, há outra dimensão demandando reflexões honestas e providências urgentes. Trata-se da extrema precarização das condições de trabalho dos motofretistas

Mais que preocupantes, os números da segurança no trânsito do Distrito Federal divulgados, neste mês, pela Agência Brasília são assustadores, em que pese o esforço editorial de destacar a queda de mortes entres ciclistas e pedestres — o que, sem dúvida, é um dado relevante e auspicioso. Todavia, a tendência é outra para as demais categorias de usuários e, para os motociclistas, é uma verdadeira tragédia.

Cacoete populista. Por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Lula mira nas mentes evangélicas com arsenal pífio e parece não saber como alcançar seus corações

O presidente Lula tem razão em querer conquistar os evangélicos para a sua tentativa de reeleição este ano. Essa heterogênea fatia da população não morre de amores pelo petista. Mesmo com todo o esforço de marketing e de articulação social dispensado nos últimos três anos de governo, a desaprovação da gestão de Lula entre os evangélicos, que já são um em cada quatro brasileiros com mais de 10 anos, só cresceu.

Mas o que significa “conquistar” esse público? Quando fala sobre o assunto, Lula dá a entender que acredita em uma estratégia de convencimento. Essa foi a mensagem contida em um trecho do seu discurso em uma festa do PT em Salvador (BA), neste sábado.

Ao conclamar a militância a ir até as periferias, ele disse que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo” e que é preciso conversar com eles sobre isso, em vez de ficar esperando que falem bem da gestão petista.

Trump, a Groenlândia e a Amazônia. Por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Se qualquer país quiser defender os seus territórios e interesses, deve preparar-se militarmente e diplomaticamente, sob risco de perder relevância

O mundo definitiv a ment e mudou, não cabendo mais nos parâmetros mediante os quais o concebíamos. O mundo, tal como emergiu depois da 2.ª Guerra Mundial, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e várias agências internacionais, cessa progressivamente de existir. Agências como a ONU perderam a sua neutralidade, adotando posturas ideológicas e partidárias, contribuindo para a sua própria crise. Conselhos internacionais de direitos humanos são controlados por ditadores e violadores sistemáticos dos direitos humanos. Os valores de pretensão universal, os ocidentais, se enfraqueceram, sendo instrumentalizados por grupos esquerdistas e islamistas radicais. A bússola internacional perdeu-se.

O fim da autorregulação das big techs. Por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Só o Estado pode estabelecer limites quando interesses privados ameaçam a democracia

O avanço coordenado entre governos europeus indica que a lógica de autorregulação das big techs está se enfraquecendo. Na semana passada, a Espanha deu mais um passo nessa direção ao anunciar planos para proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais – o que reforça a tendência regulatória no continente. O premiê Pedro Sánchez disse que a iniciativa é para proteger crianças e adolescentes de um “ambiente digital sem lei”, marcado por abuso, vício, pornografia, discurso de ódio e manipulação algorítmica.

Datafolha: João Campos supera Raquel Lyra e lidera disputa em Pernambuco

Por Folha de S. Paulo

Prefeito do Recife tem 47% contra 35% da governadora em primeiro turno, aponta pesquisa

Levantamento mostra vantagem de 13 pontos percentuais no segundo turno

O prefeito do RecifeJoão Campos (PSB), supera a governadora Raquel Lyra (PSD) e lidera em cenários de intenção de voto para primeiro e segundo turnos da eleição para o Governo de Pernambuco, mostra nova pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, Campos tem 47% dos votos contra 35% de Lyra em primeira rodada eleitoral. Eduardo Moura (Novo) tem 5%, e Ivan Moraes (PSOL), 1%. Brancos e nulos somam 10%, e 2% não responderam ou não souberam responder.

Eleições sob risco nos Estados Unidos. Por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Trump tomou uma série de iniciativas que têm preocupado as autoridades eleitorais dos estados, políticos e acadêmicos

Governo quer ter o poder de excluir eleitores dos cadastros estaduais

O sistema eleitoral dos Estados Unidos é radicalmente diferente do brasileiro, e o processo de administração das eleições norte-americanas é um dos mais descentralizados do mundo.

Não existe uma autoridade nacional independente responsável por organizar eleições, como a Justiça Eleitoral brasileira. Lá, cada estado ou condado administra seus próprios registros de eleitores, define procedimentos administrativos e conduz a votação localmente. As autoridades que administram as eleições são frequentemente indicadas pelos governadores. Esse desenho institucional foi pensado para reduzir o risco de controle centralizado do processo eleitoral, evitando que o presidente da vez possa influenciar a organização e o resultado das eleições.

Impeachment e renúncia de juízes. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, a solução via eleições deixa de ser opção

Quando a autocontenção é mera retórica, sobram escracho, anomia e o cinismo cívico

As menções a impeachments e renúncias de juízes de supremas cortes dispararam —e com razão. Tais eventos são incomuns, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de degradação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecem um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Auxílio-peru, folga fictícia e dinheiro limpo são privilégios. Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Por que em dinheiro e por que o nome da coisa é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda

Há empresas privadas que pagam auxílio-moradia ou auxílio-mudança. Faz sentido. Aplica-se quando o funcionário é transferido de uma cidade para outra e tem custos para se instalar na nova residência. Por isso mesmo, é provisório, vale para dois, três meses. Auxílio-moradia permanente, só no serviço público.

Também há empresas que dão aos funcionários uma cesta de Natal ou um peru para as festas de fim de ano. No setor público paga-se em dinheiro o auxílio-peru. Por que em dinheiro e por que o nome é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda. Para furar o teto salarial.

ESG tributário. Por Irapuã Santana

O Globo

O consumidor moderno, munido de informação, não perdoa marcas que fingem promover saúde enquanto entregam sódio e conservantes

Janeiro de 2026 será um marco no setor de consumo no Brasil. Com a entrada em vigor da alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para a nova Cesta Básica Nacional, o prato do brasileiro deixou de ser apenas uma questão de subsistência para se tornar o centro de uma estratégia sofisticada de ESG (Environmental, Social, and Governance, na sigla em inglês) e saúde pública.

A reforma tributária, ao selecionar alimentos saudáveis e sustentáveis para o benefício fiscal, não apenas reduziu custos. Com ela, o Estado parou de apenas tributar o consumo e passou a induzir escolhas que beneficiam a sociedade no longo prazo.

Os submissos da direita. Por Miguel de Almeida

O Globo

Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro

Mesmo com boa vontade, é difícil saber qual é a plataforma dos autointitulados candidatos de direita. Existem as platitudes costumeiras (“o ajuste fiscal”, “enxugamento da máquina”, “combate à corrupção” etc.), porém, de concreto, apenas os ataques de sempre a Lula. Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro.

Entre eles, existem diferenças. Há quem prometa anistia ampla e irrestrita a todos os golpistas presos; há quem mire apenas na liberdade do capitão. O único que não promete soltar golpistas é Eduardo Leite.

Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal

Por O Globo e agências internacionais 

Com 99% das urnas apuradas, ex-secretário-geral do Partido Socialista recebeu 67% dos votos em segundo turno contra André Ventura, da extrema direita

Lisboa -O candidato socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, de maneira contundente, com 99% das urnas apuradas. Segundo os números, Seguro recebeu quase 67% votos válidos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, hoje a segunda força política do país. A abstenção de quase 50% foi outra protagonista da votação.

— Os vencedores da noite são os portugueses e a democracia. Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio — afirmou Seguro no discurso da vitória, em Lisboa, no qual se referiu às tempestades que causaram estragos e mortes no país nas últimas semanas. — Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenômenos atmosféricos que serão mais frequentes.

Em lavada, candidato de esquerda vence ultradireita e será próximo presidente de Portugal. Por João Gabriel de Lima

Folha de S. Paulo

António José Seguro conquistou vitória com cerca de 30 pontos percentuais de vantagem sobre André Ventura

Especialistas avaliam que triunfo de socialista moderado representa desejo de portugueses por estabilidade

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu de lavada as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal.

Com 89% das urnas apuradas, o político que se apresenta como "democrata, progressista e humanista" tinha cerca 65% dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido ultradireitista Chega —foram quase 30 pontos percentuais de vantagem, com Ventura marcando 34%.

A projeção da abstenção é entre 42 e 48%. No primeiro turno foi 47,7%. Isso significa que não houve um número significativo de pessoas que deixaram de votar.

Ventura reconheceu a derrota minutos depois da divulgação das primeiras projeções. "Desejo que Seguro seja um bom presidente porque os portugueses precisam", afirmou o candidato do partido Chega. "Espero poder liderar o espaço da direita a partir de agora." Já Seguro, que deve discursar mais tarde, disse apenas: "Meu objetivo é servir ao meu país. O povo português é o melhor povo do mundo".

Alguns municípios em estado de calamidade pública devido às chuvas que atingem Portugal só irão às urnas na semana que vem. Eles respondem, no entanto, por menos de 1% dos votos. As apurações no resto do país seguirão normalmente;

A vitória de Seguro encerra um paradoxo. No primeiro turno, candidatos identificados com a esquerda obtiveram cerca de 35% dos votos, enquanto os contendores à direita somaram mais de 50%. Como foi possível, nesse contexto, a vitória de um quadro histórico do Partido Socialista?

A resposta pode estar numa pesquisa da Universidade Católica Portuguesa realizada na semana anterior à eleição. Para a maior parte dos entrevistados, tratava-se não de uma disputa entre esquerda e direita, mas entre moderados e extremistas.