segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Benefícios das fintechs superam os malefícios

Por O Globo

Competição aumentou, serviço melhorou e juro caiu, diz estudo do FMI. Mas é preciso regulação forte

Nos últimos tempos, as fintechs têm frequentado o noticiário mais pelos vícios que pelas virtudes. Normas brandas adotadas pelo Banco Central (BC) resultaram em consequências indesejadas. O crime organizado explorou brechas para usar as fintechs em atividades ilegais. Como elas não obedeciam às mesmas regras exigidas de bancos, houve aumento no risco sistêmico e questionamento sobre competição desleal. O próprio escândalo do Banco Master mostrou como o incentivo aos novos empreendedores financeiros pode engendrar problemas de proporções colossais. Mas é preciso saber pôr tudo isso na devida perspectiva. Vários estudos internacionais têm constatado efeitos positivos das fintechs no mercado de crédito brasileiro.

Auxílio-peru, folga fictícia e dinheiro limpo são privilégios. Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Por que em dinheiro e por que o nome da coisa é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda

Há empresas privadas que pagam auxílio-moradia ou auxílio-mudança. Faz sentido. Aplica-se quando o funcionário é transferido de uma cidade para outra e tem custos para se instalar na nova residência. Por isso mesmo, é provisório, vale para dois, três meses. Auxílio-moradia permanente, só no serviço público.

Também há empresas que dão aos funcionários uma cesta de Natal ou um peru para as festas de fim de ano. No setor público paga-se em dinheiro o auxílio-peru. Por que em dinheiro e por que o nome é auxílio? Para aumentar o salário sem pagar mais imposto de renda. Para furar o teto salarial.

ESG tributário. Por Irapuã Santana

O Globo

O consumidor moderno, munido de informação, não perdoa marcas que fingem promover saúde enquanto entregam sódio e conservantes

Janeiro de 2026 será um marco no setor de consumo no Brasil. Com a entrada em vigor da alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para a nova Cesta Básica Nacional, o prato do brasileiro deixou de ser apenas uma questão de subsistência para se tornar o centro de uma estratégia sofisticada de ESG (Environmental, Social, and Governance, na sigla em inglês) e saúde pública.

A reforma tributária, ao selecionar alimentos saudáveis e sustentáveis para o benefício fiscal, não apenas reduziu custos. Com ela, o Estado parou de apenas tributar o consumo e passou a induzir escolhas que beneficiam a sociedade no longo prazo.

Os submissos da direita. Por Miguel de Almeida

O Globo

Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro

Mesmo com boa vontade, é difícil saber qual é a plataforma dos autointitulados candidatos de direita. Existem as platitudes costumeiras (“o ajuste fiscal”, “enxugamento da máquina”, “combate à corrupção” etc.), porém, de concreto, apenas os ataques de sempre a Lula. Sem temer raios ou outros castigos, a cola que os une é a promessa de indulto a Jair Bolsonaro.

Entre eles, existem diferenças. Há quem prometa anistia ampla e irrestrita a todos os golpistas presos; há quem mire apenas na liberdade do capitão. O único que não promete soltar golpistas é Eduardo Leite.

Socialista António Seguro derrota candidato da extrema direita e vence eleição presidencial em Portugal

Por O Globo e agências internacionais 

Com 99% das urnas apuradas, ex-secretário-geral do Partido Socialista recebeu 67% dos votos em segundo turno contra André Ventura, da extrema direita

Lisboa -O candidato socialista moderado António José Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial em Portugal, realizado neste domingo, de maneira contundente, com 99% das urnas apuradas. Segundo os números, Seguro recebeu quase 67% votos válidos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega, hoje a segunda força política do país. A abstenção de quase 50% foi outra protagonista da votação.

— Os vencedores da noite são os portugueses e a democracia. Os portugueses por terem, em condições muito adversas, superado mais um desafio — afirmou Seguro no discurso da vitória, em Lisboa, no qual se referiu às tempestades que causaram estragos e mortes no país nas últimas semanas. — Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenômenos atmosféricos que serão mais frequentes.

Em lavada, candidato de esquerda vence ultradireita e será próximo presidente de Portugal. Por João Gabriel de Lima

Folha de S. Paulo

António José Seguro conquistou vitória com cerca de 30 pontos percentuais de vantagem sobre André Ventura

Especialistas avaliam que triunfo de socialista moderado representa desejo de portugueses por estabilidade

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu de lavada as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal.

Com 89% das urnas apuradas, o político que se apresenta como "democrata, progressista e humanista" tinha cerca 65% dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido ultradireitista Chega —foram quase 30 pontos percentuais de vantagem, com Ventura marcando 34%.

A projeção da abstenção é entre 42 e 48%. No primeiro turno foi 47,7%. Isso significa que não houve um número significativo de pessoas que deixaram de votar.

Ventura reconheceu a derrota minutos depois da divulgação das primeiras projeções. "Desejo que Seguro seja um bom presidente porque os portugueses precisam", afirmou o candidato do partido Chega. "Espero poder liderar o espaço da direita a partir de agora." Já Seguro, que deve discursar mais tarde, disse apenas: "Meu objetivo é servir ao meu país. O povo português é o melhor povo do mundo".

Alguns municípios em estado de calamidade pública devido às chuvas que atingem Portugal só irão às urnas na semana que vem. Eles respondem, no entanto, por menos de 1% dos votos. As apurações no resto do país seguirão normalmente;

A vitória de Seguro encerra um paradoxo. No primeiro turno, candidatos identificados com a esquerda obtiveram cerca de 35% dos votos, enquanto os contendores à direita somaram mais de 50%. Como foi possível, nesse contexto, a vitória de um quadro histórico do Partido Socialista?

A resposta pode estar numa pesquisa da Universidade Católica Portuguesa realizada na semana anterior à eleição. Para a maior parte dos entrevistados, tratava-se não de uma disputa entre esquerda e direita, mas entre moderados e extremistas.

Poesia | Círculo Vicioso, de Machado de Assis

 

Música | Getúlio Cavalcanti -Velho Coração