Folha de S. Paulo
António José Seguro conquistou vitória com
cerca de 30 pontos percentuais de vantagem sobre André Ventura
Especialistas avaliam que triunfo de
socialista moderado representa desejo de portugueses por estabilidade
António José Seguro, candidato da esquerda e
quadro histórico do Partido Socialista, venceu de lavada as eleições deste
domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal.
Com 89% das urnas apuradas, o político que se
apresenta como "democrata, progressista e humanista" tinha cerca 65%
dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura,
do partido ultradireitista Chega —foram quase 30 pontos percentuais de
vantagem, com Ventura marcando 34%.
A projeção da abstenção é entre 42 e 48%. No
primeiro turno foi 47,7%. Isso significa que não houve um número significativo
de pessoas que deixaram de votar.
Ventura reconheceu a derrota minutos depois
da divulgação das primeiras projeções. "Desejo que Seguro seja um bom
presidente porque os portugueses precisam", afirmou o candidato do partido
Chega. "Espero poder liderar o espaço da direita a partir de agora."
Já Seguro, que deve discursar mais tarde, disse apenas: "Meu objetivo é
servir ao meu país. O povo português é o melhor povo do mundo".
Alguns municípios em estado de calamidade
pública devido às chuvas que atingem Portugal só irão às urnas
na semana que vem. Eles respondem, no entanto, por menos de 1% dos votos. As
apurações no resto do país seguirão normalmente;
A vitória de Seguro encerra um paradoxo. No
primeiro turno, candidatos identificados com a esquerda obtiveram cerca de 35%
dos votos, enquanto os contendores à
direita somaram mais de 50%. Como foi possível, nesse contexto, a
vitória de um quadro histórico do Partido Socialista?
A resposta pode estar numa pesquisa da
Universidade Católica Portuguesa realizada na semana anterior à eleição. Para a
maior parte dos entrevistados, tratava-se não de uma disputa
entre esquerda e direita, mas entre moderados e extremistas.