quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Disputa entre Lula e Flávio limita espaço da terceira via nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 17%

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em fevereiro mostra que o país chega à disputa presidencial de 2026 profundamente dividido, tanto do ponto de vista ideológico quanto geográfico, social e emocional. Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, mas essa liderança convive com sinais claros de desgaste e com a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário competitivo. O resultado é um quadro de vantagem numérica para o presidente, porém instável e longe de conforto.

Deglutição, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A candidatura de Flávio começa a avançar em setores refratários ao clã Bolsonaro

A fotografia do momento – do momento – sugere que a eleição presidencial de 2026 repete a de 2022 com sinal trocado. Na reta final naquela ocasião era pervasiva a atmosfera do “qualquer coisa menos a continuação do que está aí”. A mesma atmosfera está se consolidando agora.

A fotografia do momento – do momento – sugere que os R$ 90 bilhões para gastar e até os programas sociais de cunho eleitoreiro não estão trazendo para Lula os resultados esperados. E o principal culpado disso é... ele mesmo. Tornou-se, numa apreciação subjetiva, um personagem enfadonho.

Quando a bandeira da ética é refresco, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Escândalos mostram que parte do Judiciário precisa de código de conduta e da aplicação do Código Penal

No Judiciário, quando um escândalo não se resolve, ele é suprimido por um maior. Enquanto a opinião pública clamava por um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte vizinha naufragava no Código Penal. As acusações de que o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tentou agarrar à força duas mulheres deixaram pequena a bandeira da ética hasteada por Edson Fachin.

As denúncias de crimes sexuais coroaram uma temporada não apenas de desvios de conduta, mas de suspeita de práticas mais graves na cúpula do Judiciário. Ficou claro que a criação de um código de ética é importante, mas é pouco para resolver a situação. É necessária uma mudança de cultura para ontem, como aponta Fachin.

Estado das contas públicas e cenários: parte II, por Felipe Salto e Josué Pellegrini

O Estado de S. Paulo

Cremos que a situação fiscal dependerá, em grande medida, da intensidade do ajuste fiscal a ser adotado no próximo governo

No artigo passado, mostramos a atual situação fiscal do País, com foco nas contas do governo central. Nesta coluna, voltamos ao tema para mostrar o que esperar de 2027 em diante.

Conforme vimos, a situação fiscal do País é ruim, particularmente a do governo central. A geração de déficits primários, desde 2014, levou ao aumento da dívida pública para níveis muito acima do padrão usual em países de renda média. Na ausência de melhora progressiva do resultado nos últimos anos, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) deverá crescer cerca de 12 pontos porcentuais de Produto Interno Bruto (PIB) entre 2022 e 2026.

Um mundo surreal, por José Serra

O Estado de S. Paulo

A desmontagem institucional dos Estados Unidos sob Donald Trump não foi um acidente: foi método

Sempre usei o termo surreal como forma de expressar algo que é tão fora do normal que parece sonho, um delírio ou uma situação tão absurda que parece pertencer mais ao mundo das imaginações do que ao mundo real. Só não imaginava que a situação atual pudesse significar um surrealismo tão radical. Em verdade, muitas vezes, eu tenho de ler a manchete de novo, porque parece que a visão está me traindo. Só que não.

Vamos começar pelo delírio mundial. Se alguém lhe contasse, três anos atrás, que o presidente dos Estados Unidos da América iria anunciar que enfrentaria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para tomar a Groenlândia, por via pacífica ou militar, você, leitor, acreditaria? E mais: seria verossímil que os grandes europeus entrassem numa histeria por maiores gastos militares? Pior, que a maioria das nações entrasse num frenesi por avanço em seus programas nucleares para fins bélicos?

Convenhamos que retirar o líder latino-americano do poder em seu pretenso quintal político não é uma novidade.

Casca de banana, Por Merval Pereira

O Globo

Lula deveria ter recusado a homenagem da Acadêmicos de Niterói, mas, ao contrário, procurando se aproveitar dela

Nunca houve uma escola de samba que elogiasse um governo em ano eleitoral. Já houve homenagens a políticos mortos, como Getúlio Vargas ou JK, e até vivos, como Lula no primeiro ano de seu primeiro mandato, mas nunca houve exploração eleitoral meses antes de uma eleição presidencial. Sabe aquela velha história de alguém que procura problemas e atravessa a rua para escorregar numa casca de banana? O próprio Lula deveria ter recusado a homenagem, mas, ao contrário, procurando se aproveitar dela. É, evidentemente, uma burla da lei, já exposta como campanha antecipada, fora da hora prevista pela legislação. Já houve muita gente sendo punida por causa disso.

MDB entre várias forças, por Míriam Leitão

O Globo

O MDB dividido já fechou alianças estaduais, mas deixou para a convenção em julho ou agosto a definição do apoio à Presidência

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, disse que o partido só vai decidir com que força política estará na eleição federal durante a convenção partidária, em julho ou agosto. Tratou como “opinião pessoal” a proposta do ministro Renan Filho de apoio ao presidente Lula. Revelou que, em apenas dois estados, o MDB está aliado ao PT na disputa estadual. Sobre a possibilidade de o partido ocupar a vice na chapa do presidente Lula, Baleia Rossi disse que só soube do tema “por ouvir falar”. Afirmou que se a ministra Simone Tebet não tivesse ido para o governo seria hoje a grande candidata de centro.

Lula perde gás no eleitor de centro, por Julia Duailibi

O Globo

Presidente enfrenta desgastes, e sua gestão se tornou vidraça entre os eleitores independentes

A pesquisa Quaest divulgada ontem traz uma notícia preocupante para a campanha à reeleição de Lula: a perda de votos entre eleitores independentes, que representam quase um terço do eleitorado. No segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), a vantagem de Lula nesse grupo era de 22 pontos, em agosto de 2025. Despencou, agora, para cinco pontos. Quando o adversário é Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, Lula, que vencia por quatro pontos em outubro, agora perde por sete.

Alcolumbre, o fenômeno, por Malu Gaspar

O Globo

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é um prodígio. Na política desde os 23 anos, assumiu a presidência do Senado Federal pela primeira vez aos 41, em 2019, e foi eleito para um segundo mandato no comando do Congresso em 2025 por maioria acachapante. No cargo, administra a distribuição de quase R$ 6 bilhões destinados a emendas de senadores. Indicou para o governo Lula 3.0 um ministro só dele: Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, que, embora do PDT, está na cota de seu partido, o União — coisas do Brasil. Mas o maior talento de Alcolumbre é abafar os escândalos que envolvem seu nome.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Corrupção no Brasil não é 'conversa de boteco'

Por Folha de S. Paulo

País fica no 107º lugar em ranking inernacional e, desde 2012, não supera nota 43 numa escala de 0 a 100

Com 35 pontos, fomos superados por Uruguai (73) e Chile (63); em vez de recorrer a subterfúgios, autoridades devem combater o problema

O Brasil ainda vai mal no Índice de Percepção da Corrupção, cuja edição de 2025 foi divulgada na terça (10). Numa escala de 0 a 100 (quanto mais alta a pontuação, maior a sensação de integridade), o país obteve vexatórios 35 pontos e ficou em 107º lugar entre as 182 nações avaliadas pela ONG Transparência Internacional.

Ficamos abaixo da média mundial (42 pontos) e de vizinhos como Uruguai, o mais bem colocado da América do Sul com 73 pontos (17ª posição), e Chile (63). No topo da lista, estão Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84); no fim, Venezuela (10), Somália e Sudão do Sul (9).

Chuva de dinheiro externo no Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Desde metade de 2025, dólar, Bolsa e condições financeiras em geral têm melhorado

Se continuar, alívio pode elevar perspectiva de crescimento de 2026

Quando chove ouro, tudo fica dourado, mesmo que seja aquela folhazinha fina que cobre móveis e bife de rico ainda mais cafona. Donos do dinheiro grosso do mundo resolveram que vão investir um tico menos nos ativos financeiros inflados dos Estados Unidos, ações em particular. Um pingo desses trilhões é uma inundação para mercados financeiros como o do Brasil.

Por ora tanto faz o "risco político" (resultado incerto da eleição brasileira) e, em parte, até o problema fiscal (embora o problema continue e vá continuar lá, na forma de juros reais altos a perder de vista). A continuar, a chuva de dinheiro deste verão pode alterar até a perspectiva de crescimento da economia neste ano.

Já é eleição no Congresso, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Depois de novos penduricalhos, Congresso aprova redução de alíquotas de impostos para indústria química e petroquimica

Medida vai na contramão da revisão de incentivos tributários defendida pelo Ministério da Fazenda

Quando a política quer, tudo se ajusta. Menos de dois meses depois de o Congresso aprovar projeto de corte de benefícios tributários a pretexto de ajuste fiscal, a Câmara referendou na noite da última terça-feira (10) proposta que reduz as alíquotas do PIS e Cofins para as indústrias química e petroquímica.

A bondade eleitoral vale para as empresas do regime especial de tributação, conhecido como Reiq —que estava justamente na lista dos incentivos que deveriam sofrer uma redução linear de 10% a partir deste ano.

Nunes, Ambev e o Carnaval do cercadinho, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

A quase-tragédia na rua da Consolação não foi surpresa

Prefeito aposta em um modelo fracassado de privatização da cidade

O prefeito de São Paulo e a Ambev são corresponsáveis pela quase-tragédia no Carnaval paulistano, cada um dentro de suas atribuições.

A única coisa que separou a situação de empurra-empurra no domingo (8) de um cenário de pisoteamento foi a desobediência dos foliões, que derrubaram as grades de aço, postas ali para segregar o espaço público de quem tem o direito de ocupá-lo.

O que ocorreu na rua da Consolação não foi o resultado natural e inevitável da superlotação de dois megablocos, mas, sim, a consequência previsível do planejamento inepto da Prefeitura de São Paulo e da marca patrocinadora.

No Brasil, novidades à direita, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Essa reorganização não se assemelha ao que ocorre em outras democracias

Há importante tentativa de diferenciação da extrema direita bolsonarista

Deslocados pelo crescimento de forças de extrema direita, partidos de centro e da direita moderada perdem filiados e densidade eleitoral nas democracias ocidentais.

Onde o sistema é multipartidário, os radicais criaram suas próprias legendas. Exemplos: a Frente Nacional, na França; a Alternativa para a Alemanha; o Chega, em Portugal; o Vox, na Espanha; o Partido da Liberdade, na Áustria; o Finns, na Finlândia; o Partido Popular suíço e seu homônimo dinamarquês; os Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni; enquanto quatro organizações disputam a herança do Aurora Dourada, banido da vida política na Grécia em 2020.

Pesquisa Genial / Quaest Análise, por Felipe Nunes

1/ Pesquisa Genial/Quaest mostra Flavio Bolsonaro consolidado como principal opositor a Lula, que lidera numericamente em todos os cenários de 1 turno. A vantagem de Lula sobre Flávio varia de 4 a 8 pontos.

2/ Desde que foi indicado pelo pai em dez/25, Flavio Bolsonaro cresceu 8 pontos no cenário que conta com Ratinho, Aldo e Renan. Nesse mesmo período, Lula oscilou 2 pontos pra baixo e Ratinho saiu de 13% para 7%.

3/ A consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas aconteceu pela sua capacidade de atrair o eleitor Bolsonarista (92% votam em Flavio) e o eleitor de direita não-bolsonarista (65% votam em Flávio). Seu desafio ainda é atrair o eleitor independente, que define a eleição. Lula continua muito forte entre lulistas e na esquerda e numericamente a frente entre os independentes.

Um escritor diferente, por Ivan Alves Filho

De origem operária, criado por uma antiga escrava (na verdade sua mãe adotiva), ele cresceu em uma fazendinha na Califórnia e aos dez anos de idade vendia jornais pelas ruas de uma cidade norte-americana. Seis anos depois, adquire um barco, chegando a conhecer o Japão como marinheiro. E se tornou pescador de ostras. Nessa condição, chegou a assaltar uma embarcação, pilotada por pescadores chineses, apontando um revólver para eles, pois precisava de uma vela nova para o seu barco. Em seguida, ele também foi roubado e acabou tendo que vender seu barco - ou o que sobrou dele.